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Exposição celebra 35 anos do Grupo Mineiro de Moda

Cultura por em 2015-08-26 16:38:54

A Fundação Municipal de Cultura abre ao público na próxima terça-feira, dia 2 de setembro, no Centro de Referência da Moda de Belo Horizonte (CRModa), a exposição “Grupo Mineiro de Moda - # Na Vanguarda dos Anos 80”, com uma retrospectiva do grupo de estilistas que colocou a capital mineira no mapa da moda nacional. A curadoria é do estilista Renato Loureiro e o projeto expográfico é do arquiteto Pedro Lázaro. A exposição fica em cartaz até o dia 20 de dezembro e tem entrada gratuita.

No início de 1980, dez marcas criaram uma associação de moda em Belo Horizonte, acreditando que a união e o cooperativismo poderiam lhes fornecer força, prestígio e poder econômico, além de visibilidade nacional. Assim nasceu o Grupo Mineiro de Moda, responsável por colocar a capital de Minas na rota dos compradores e da imprensa brasileira.

Marta Guerra, gestora do CRModa, explica que a mostra será o primeiro registro histográfico sobre a importância deste grupo de estilistas que mudou o trajeto de identidade da moda mineira. “Através da moda, Minas criou uma forma de expressão própria e consolidou sua identidade cultural. 

A valorização regional no design tornou-se fundamental para a compreensão das características e hábitos da cultura mineira. 

A exposição deverá refletir um amplo exercício de pesquisa sobre o vestuário sob os aspectos da economia, da geografia, da história econômica, dos costumes, da indústria têxtil, dos avanços tecnológicos, da cultura local, dos produtos naturais, da mão de obra, da estética, do significado social dentre outros”, ressalta.

EMBRIÃO

O Grupo Mineiro de Moda (GMM) foi o embrião de todos os movimentos que surgiram na moda de Minas Gerais, inclusive o atual Minas Trend, e transformou Belo Horizonte em um polo lançador de tendências, destino glamouroso e  imperdível para lojistas e jornalistas de todo o Brasil. Um das suas principais contribuições foi criar um calendário de lançamentos na capital, no que era seguido pelas outras marcas da cidade, além de bancar, com investimentos próprios, desfiles monumentais, que conferiam poder ao setor de confecções do estado. Os jornalistas convidados para essas temporadas eram totalmente patrocinados pelo GMM e suas matérias ajudaram a consolidar o conceito desse polo, divulgando-o nacionalmente. Outro feito foi promover a despolarização do eixo Rio de Janeiro - São Paulo, que sobressaía no segmento da moda.

 Inicialmente, o grupo era composto pelas grifes Artimanha (hoje Mabel Magalhães), Allegra, Art Man, Bárbara Bela, Comédia, Femme Fatale (depois Eliana Queiróz), Frizon (sociedade de Cláudia Mourão com Mônica Torres, depois Mônica Torres), Patachou, Pitti (depois Renato Loureiro), Straccio (substituída, mais tarde, pela IBZ). A Printemps, grife comandada por Sônia Pinto, também participou do processo de criação do GMM, mas teve curta passagem, sem participar de nenhum dos memoráveis desfiles promovidos pelas marcas associadas.

 DESFILES

Foram vários ao longo das duas décadas em que o GMM se manteve ativo, a maioria deles produzidos por Paulo Ramalho, que era o nome do momento na área, com edição de moda da jornalista Regina Guerreiro, na época editora da revista Vogue. Um dos primeiros aconteceu no recém inaugurado shopping Quinta Avenida, na rua Alagoas, Savassi, reunindo em seu casting modelos já com sucesso nacional, como Monique Evans.  Em 1984, o local escolhido foi o Museu de Arte da Pampulha. Em 1986, o desfile de inverno era realizado em um bar famoso de Beagá, o Cabaré Mineiro, seguido de festa e pista de dança animada.

 A ele se seguiram outros, com destaques para o do Grande Teatro do Palácio das Artes - onde o palco ganhou acréscimo de uma escadaria hollywoodiana para lançamento da primavera-verão 86/87 - e para o da Praça da Estação, que se tornou emblemático pela beleza e composição. Contou com a presença de 150 modelos, tendo como apoio a plataforma da estação ferroviária de Belo Horizonte, em mais uma poderosa produção de Paulo Ramalho. Era o lançamento do inverno 88 e calcula-se que, no total, ela custou ao GMM R$ 200 mil.

Por ocasião do lançamento do verão 90/91, outra grande performance teve a mão de Regina Guerreiro na edição. A passarela foi montada no salão do Minas Tênis Clube, no bairro Mangabeiras. A esta altura, os desfiles do GMM despertavam comoção na cidade. Houve superlotação de espaço e muitos convidados não conseguiram entrar no recinto.

Os dez anos foram comemorados com coquetel e vídeo de melhores momentos no Usina, cinema de arte que existia no bairro Santo Agostinho.

A última grande apresentação das dez marcas em conjunto aconteceu em  Ouro Preto, já em 1994. O happening, defronte à igreja de São Francisco de Assis, foi marcado por momentos fortes, como os protagonizados por modelos que entravam na passarela “comendo hóstias”, e deixando-as cair, propositalmente, pelo chão que pisavam.

 A ousadia repercutiu através da imprensa convidada, causando polêmica. Alguns jornalistas escreveram que o GMM havia profanado o templo, desrespeitando-o. Esse desfile contou com a direção artística de Paulo Borges, nome já em projeção no universo da moda paulista.

Em 2012, numa tentativa de seguir adiante, o Grupo Mineiro de Moda se apresentou pela última vez, já com modificações estruturais em sua composição original, em desfile no Centro Universitário UNI-BH. Quem assinou o stylist do evento foi Paulo Martinez.

COOPERATIVA

As empresas que formavam o GMM eram de pequeno porte, sobressaindo-se pela criatividade, bom gosto e qualidade das coleções apresentadas. O dinheiro usado para pagar as despesas dos eventos era cotizado mensalmente entre elas. Em algumas estações, optava-se pelo lançamento das coleções nos showrooms das marcas.

Mas tanto nessas ocasiões como nas dos desfiles, os principais editores de moda dos jornais e revistas eram recebidos, no aeroporto da Pampulha, com carros e motoristas à disposição para percorrerem todos os endereços pelo tempo que ficassem na cidade. Ponto importante é que os jornalistas ficavam livres para visitarem os showrooms de outras marcas mineiras importantes, que não pertenciam à associação. Essa generosidade foi, sem dúvida, importante para a divulgação da moda made in Minas nos outros estados.

Outro fator importante foi a contribuição que o GMM deu a setores afins, entre elas a arquitetura. Com a crise da construção civil, na década de 1980, diversos arquitetos de Belo Horizonte se voltaram para a arquitetura de interiores. Vários deles se projetaram assinando showrooms e lojas dos integrantes da associação. Vale a pena ser citada também a ebulição que os seus lançamentos provocavam em Belo Horizonte, movimentando tanto o setor hoteleiro quanto a gastronomia. 

De 2 de setembro a 20 dezembro

Terça a sexta, das 9h às 21h; sábado e domingo, das 10h às 14h

Centro de Referência da Moda

Rua da Bahia, 1149 – Centro

ENTRADA GRATUITA

Informações para o público: (31) 3277-4384


 

Fonte - FMC

Foto   - Divulgação

 

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