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Mano Melo

Cultura por Selmo Vasconcellos em 2015-09-01 21:59:50

                

BIOGRAFIA

MANO  MELO,  poeta,  ator,  romancista  e  roteirista.

Interpreta seus poemas em teatros, tevês, rádios, bares, centros culturais, ciclos de poesia e congressos literários, universidades, escolas, no Rio de Janeiro e outras cidades do Brasil, capitais e interior. Com sua poesia, Mano Melo já se apresentou do Rio Grande do Sul à Amazônia.
Tem formação de ator pelo Conservatório Nacional de Teatro e estudou filosofia no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais da UFRJ.
Publicou OITO livros de poesia e um romance ( Viagens e Amores de Scaramouche Araújo ).
Ator, participou de vários filmes, peças de teatro, novelas e comerciais.

FILMES ( ATOR) :
André Cara e Coragem,
O Cangaceiro Trapalhão,
Os Trapalhões e o Mágico de Orós,
Os Trapalhões na Serra Pelada,
O Homem da Capa Preta,
As Gêmeas do Pacujá, curta metragem em desenho animado em que é o narrador, direção de Otávio Escobar.
Itaipu ( curta metragem )
Diário das Sombras (curta metragem).
Mais Uma Vez Amor, de Rosane Svartzmann.
Anjos do Sol, direção Rudi Lagemann, vencedor do Miami Film Internacional Festival 2006.
Em 2010, tem o documentário Mano do Ceará, do cineasta Rômulo Fritscher, sobre sua vida e seu trabalho.
Entre 2006 e 2011, atuou em oito filmes curta metragens.

TV :
Chico Anísio Show,
Dóris Pra Maiores,
Abenteuer Unbergriffen (seriado para a TV alemã),
O Pagador de Promessas e O Auto da Compadecida, da TVE,
Na novela Mandacaru, da TV Manchete, como o cangaceiro Balaio
E novelas e programas de TV :
História de Amor,
Viralatas,
A Força de um Desejo,
Aquarela do Brasil,
Um Anjo Caiu do Céu,
Porto dos Milagres ( como o operário Felício),
O Clone,
Coração de Estudante,
Carga Pesada,
Da Cor do Pecado,
Cabocla,
América ( como Severino),
A Diarista,
Bicho do Mato ( Record),
Amazônia,
Desejos Proibidos,
Beleza Pura,
A Lei e o Crime ( Rede Record).

É autor de vários roteiros institucionais para projetos de educação da Fundação Roberto Marinho, e de dias temáticos para o Canal Futura. Fez curso de roteiros para ficção com o mestre americano Syd Fields.

Participou durante seis meses das Noites de Humor, com Chico Anísio, no Rio Design Center Leblon e Rio Design Center Barra, interpretando suas poesias.

No Teatro, seus trabalhos mais recentes são :
Guerreiras do Amor, de Domingos Oliveira, direção Jayme Periard, e
Sonho de Uma Noite de Verão, de William Shakespeare, no papel de Puck, direção de Anselmo Vasconcelos,
A Busca, de Jane Wagner, direção Marta Paret.
E o monólogo poético-teatral de sua autoria O Lavrador de Palavras, espetáculo itinerante que estreou na Casa da Gávea, em 2000, e depois no Teatro Candido Mendes. A partir daí, é apresentado como um espetáculo itinerante em diversas cidades brasileiras, como Cuiabá, Fortaleza, Baependi, Juiz de Fora, Belo Horizonte, Belém, Maceió, entre outras. As apresentações mais recentes do O Lavrador de Palavras foi no festival Conte e Cante, na cidade de Baependí, MG, e durante o Simpósio Internacional de Contadores de Histórias, no Teatro Sesc Copacabana, na Pousada Pequena Suécia, Penedo, RJ, no Centro Cultural Oboé (Fortaleza), durante o lançamento de seu primeiro romance, Viagens e amores de Scaramouche Araújo, Sesc Sorocaba, SP, Espaço Cultural Yanperí ( Barra da Tijuca, Rio). E na abertura do projeto Porto da Poesia, em Vitória, ES.

Atuou também em vários comerciais, os mais recentes: Telemar, Sabão Ypê, Natura., TAM.

Além de seu trabalho individual como poeta, fez parte do projeto de poesia Ver o Verso, junto com Pedro Bial, Alexandra Maia e Claufe Rodrigues. O grupo se apresentou durante três anos, de 1999 a agosto de 2002, uma vez por mês, no Rio de Janeiro, sempre com casa cheia, e percorreu várias cidades brasileiras, por teatros, centros culturais, feiras de livros e congressos de literatura, em São Paulo, Porto Alegre, Passo Fundo, Belo Horizonte, Tiradentes, Itabira, Salvador, Fortaleza, Maceió e Belém. Abriu os festejos do centenário de Carlos Drummond de Andrade em Itabira, MG, encerrando com histórico recital no dia 31 de outubro de 2002, aniversário de cem anos do poeta itabirano, no Theatro Municipal do Rio de Janeiro, junto com a Orquestra Sinfônica do Theatro Municipal.

Participou do projeto Poesia faz escola, uma série de dez recitais em diversas cidades do estado do Rio de Janeiro, para alunos de segundo grau das escolas públicas estaduais.

Apresentou no Bar Churchill do Meliá Brasília Hotel, o show Eros, Leros e Boleros, junto com Cassia Kiss e Claufe Rodrigues. Recital que voltou duas vezes ao mesmo local, com Mano Melo, Claufe Rodrigues, Carla Marins e Gabriel O Pensador.

Apresentou-se no recital Tributo a Jorge de Lima, por ocasião da reedição das obras completas do grande poeta alagoano.

Abriu o show de lançamento do novo CD de Roberto Frejat no Canecão, Rio de Janeiro.

Abriu a noite de entrega do Prêmio Globo de Publicidade, com o poema de sua autoria Estar Entre Os Melhores, feito por encomenda para a festa. Fez o mesmo trabalho para premio dos melhores da publicidade Fortaleza, Ceará.

Lançou seu primeiro romance, Viagens e Amores de Scaramouche Araújo, que está nas livrarias já em segunda tiragem.

Seu poema Madonna, que faz parte do espetáculo O Lavrador de Palavras, foi adaptado e musicado por Ana Carolina, e está no CD mais recente da cantora, de título Dois Quartos.

Co autor da musica A Beth está chegando, em parceria com Mu Chebabi, incluído no CD mais recente do cantor, de titulo Uma coisa é uma coisa outra coisa é outra coisa.

Apresentou-se com o show SOL NA BOCA, em temporada de inauguração do Canequinho Café ( anexo do Canecão). Rio de Janeiro.

Stand up poetry, no show Mano a Mano com Mano Melo

Mano a Mano com Poesia – Rádio Roquete Pinto, FM 94,1.

CONTATO: (21) 2512 4056 *** 9837 3134 *** manomelo45@gmail.com

ALGUMAS OPINIÕES SOBRE MANO MELO

“ MANO MELO é surpreendentemente engraçado e profundo, um sensível observador que faz explodir a contemporaneidade poética que a gente não consegue enxergar”
CLAUDIA ALENCAR, poeta e atriz

“Mano Melo é a tradição vida poesia. Poeta-show!”
PEDRO BIAL, jornalista, poeta e cineasta

“O LAVRADOR DE PALAVRAS é o melhor espetáculo que vi nos últimos meses. A gente respira o Brasil.”
ANA HELENA GOMES, jornalista

“É surpreendente a revelação de Mano Melo como ator porque, como poeta, ele já é consagrado.”
PASCHOAL MEIRELES, músico

“Um poeta urbano, contemporâneo, ao mesmo tempo antigo e rural. Mano Melo é fundamental”.
ANTÔNIO GRASSI, ator e EX-PRESIDENTE DA Funarte)

“Mano Melo é Shakespeare com pimenta sonora”
CHICO CARUSO – cartunista, jornalista

ENTREVISTA

SELMO VASCONCELLOS – Como surgiu seu interesse literário ?

MANO MELO - Selmo, meu interesse literário surgiu ainda na escola, terceiro ou quarto ano primário. Daí a importância que um bom professor tem na formação de qualquer criança. O Professor Barreto, do Colégio 7 de Setembro, em Fortaleza, foi essencial, porque elogiava minhas redações e me recomendava livros. Havia um torneio de redação e ditados entre as turmas. Eu nunca ganhei, porque havia uma menina loirinha lá, de nome Thaís que essa sim, era fera. Eu escrevia bem, mas escorregava na gramática. Tinha um garoto lá que interpretava um poema, A Morte do Cão. Era seu grande sucesso nos recitais e horas de arte que aconteciam uma vez por mês na escola:

Eu tive um cão. Chamava-se Veludo:
Magro, asqueroso, revoltante, imundo,
Para dizer numa palavra tudo
Foi o mais feio cão que houve no mundo

Creio que o autor foi Luiz Guimarães, mas não tenho certeza. Eu me emocionava com isso. Depois, havia um tio que encerrou um noivado e os móveis que tinha comprado vieram parar na casa de minha avó, inclusive estantes com livros. Eu tinha uns treze anos e li um livro que me marcou muito, Doidinho, do Zé Lins do rego. O personagem tinha mais ou menos minha idade. Saí então lendo todos os livros do Zé Lins, depois Jorge Amado, Graciliano, os regionalistas nordestinos. Daí
descobri Érico Veríssimo e me apaixonei por Clarissa. Os livros passaram a ter muita importância pra mim, tanto quanto as revistas em quadrinhos que devorava, principalmente de caubóis. Então descobri uma revista, Edições Maravilhosas, que quadrinizava grandes clássicos da literatura, Os Miseráveis, O Corcunda de Notre Dame , Miguel Strogoff, A Ilíada, A Odisséia. Me veio curiosidade de ler os livros da qual os quadrinhos foram adaptados. Passei a perceber a força da literatura.Nunca fui bom em futebol, nem fui bom de briga, era tímido com as meninas. Então percebi que os livros me davam um certo poder de encantamento, de admiração das pessoas, um certo destaque. E aí mergulhei fundo. Quando vim pro Rio, aos 16 anos, morei um tempo na
casa de minha tia Gerarda. O marido dela, João, médico e que antes estudara filosofia, tinha uma grande biblioteca em casa, prateleiras até o teto. E foi o quarto que ficou sendo meu quarto. Então devorei grande parte daqueles livros. Quando descobri Fernando Pessoa, aquela edição das Poesias Completas da Aguilar, minha vida nunca mais foi a mesma.

SELMO VASCONCELLOS – Quantos e quais os seus livros publicados ?

MANO MELO – Tenho oito livros publicados:
O Evangelho de Jimi Rango,
Tratado Geral Sobre Os Amplos Irrestritos,
Só o Voto na Urna Tira a Onça da Furna,
Rio Acima,
O Lavrador de Palavras,
o romance Viagens e Amores de Scaramouche Araújo,
O Lavrador de Palavras e,
o mais recente lançado, este ano, Poemas do Amor Eterno, com patrocínio da Oboé Financeira, banco do Ceará, leia-se Newton Freitas, o grande incentivador da cultura cearense. Meu primeiro livro patrocinado, o que significa libertação das editoras e também das livrarias. Tenho vendido constantemente em meus shows.

SELMO VASCONCELLOS – Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesia

MANO MELO – O poema surge expontâneamente, sem bater a porta para entrar. Uma palavra ouvida no ônibus, uma notícia de jornal, uma frase lida numa parede, os sentimentos quanto a uma namorada, ou a um amigo, ou a uma cidade, tudo no mundo é passível de virar poesia. Tenho dois poemas emblemáticos quanto a isso. Meu longo poema O Evangelho de Jimi Rango surgiu numa vez em que acordei no meio da noite com este nome, Jimi Rango, fazendo alarido na minha cabeça. Levantei e escrevi num papel, Jimi Rango, apenas isto, e fui dormir outra vez. Dias depois, acordei novamente com o nome na cabeça. Levantei, fui á escrivaninha e escrevi o poema inteiro, sete páginas, quase nem precisou de burilar, veio inteiro. Para mim, isto foi meio inexplicável. Depois, lendo uma biografia de pessoa, descobri que O Guardador de Rebanhos surgiu de uma forma parecida. Um outro poema emblemático foi Avenida Paulista, que está no meu livro O Lavrador de Palavras. Certa vez, em São Paulo, entrei no banheiro de um boteco e vi escrito na parede: “uma mulher sem bunda é como uma cidade sem igrejas”. Saí de lá rindo, me sentei numa mesa com papel e caneta o resto do poema surgiu a partir desse grafite, que virou verso. Gosto também, muito, de escrever sobre encomenda, com prazo de entrega, principalmente quando a remuneração paga alguma das múltiplas contas que teimam em chegar toda virada de mês.

SELMO VASCONCELLOS – Quais os (as) escritores (as) que você admira ?

MANO MELO - Fernando Pessoa sempre será um poeta de minha admiração, desde adolescente ele habita em mim. Durante um tempo, gostei muito de Herman Hesse, principalmente O Lobo da Estepe. Lima Barreto, Zé Lins, Nelson Rodrigues, que adoro, Drummond, Bandeira, já gostei muito de Rilke, hoje nem tanto, e dos poetas atuais, Manoel de Barros me encanta, e também Salgado Maranhão, Claufe Rodrigues, Geraldinho Carneiro, Viviane Mosé, Elisa Lucinda, que acho fabulosa!

SELMO VASCONCELLOS – Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MANO MELO – Leiam muito, tudo que vier às mãos, mas não façam disso uma miscelânea em sua cabeça, sobretudo, vivam, vivam intensamente. A vida ensina mais que os livros.Evitem os temas demasiado comuns. E, como diria Nelson Rodrigues quando fizeram a ele a mesma pergunta: envelheçam!

SELMO VASCONCELLOS – Quando e como você descobriu sua vocação como ator ?

MANO MELO – Desde criança. Gostava de inventar circos no quintal de casa, em que era mágico ou palhaço, teatralizava anedotas pra apresentar em picadeiros improvisados. Aos 14 anos, ainda no Ceará, entrei como ouvinte num curso de teatro, não tinha idade pra ser aluno efetivo. Meu primeiro professor foi B. de Paiva, grande nome do teatro cearense. Aos 16, eu queria viajar, conhecer o mundo, tinha família, tios, no Rio e na Amazônia ( Amazonas/Manaus e Roraima/Boa Vista ). O que me fez decidir vir para o Rio é porque queria ser artista e, nesta época, para se profissionalizar como artista, Rio e São Paulo eram as opções. Quando cheguei no Rio, aconteceu um fato interessante. Eu andava muito a pé, minha maneira de conhecer a cidade, maravilhado com o Pão de Açúcar, Copacabana, estas coisas. Um dia em que caminhava pela Atlântica, vi na minha frente um sujeito baixinho, caminhando descontraidamente. Era meu ídolo, o Zé Trindade. Reuni toda a minha coragem, o abordei e disse que tinha chegado do Ceará e queria ser artista, o que eu tinha que fazer para ser um artista? Ele me olhou com um sorriso de compreensão foi muito simpático, me perguntou se eu estava estudando, eu disse que sim. Então ele me disse pra continuar estudando e, quando tivesse idade, procurasse uma escola de teatro. Foi o que fiz. Inicialmente na Fundação Brasileira de Teatro, aluno da grande Dulcina de Moraes. Mais tarde, quando terminei o Segundo grau, fiz vestibular para o Conservatório Nacional de Teatro. Aí aconteceu um fato curioso: no Segundo ano da escola, fui contratado pra fazer um seriado pra TV alemã, filmado em Penedo, Alagoas. Haviam grandes nomes no elenco, Grande Otelo, Paulo Porto, Carlos Eduardo Dolabella, Jofre Soares, eu me sentia no paraíso convivendo diariamente com todas estas pessoas, ganhando uma grana firme, parecia sonho. Então surgiu o Zé Trindade e um elenco de vedetes com o show O Negócio é Mulher. Fiz a maior propaganda, levei todo o elenco pra ver. Depois convidamos o Zé e seu elenco para jantar conosco. Sentei ao lado dele e contei que quando cheguei ao Rio perguntei a ele como fazer pra ser artista e ele me recomendou estudar e fazer a escola de teatro. Ele ficou muito emocionado. E eu mais ainda.

SELMO VASCONCELLOS – Quando e qual foi a sua primeira apresentação no teatro, cinema e TV?

MANO MELO - No teatro, ainda no Ceará, aos 14 anos, no O Pagador de Promessas, que foi um grande sucesso. Já no Rio, trabalhei com Luiz Mendonça, em Quantos Olhos tinha teu ultimo casinho? Texto de Fernando Melo. No cinema, teve este filme alemão que falei já, e um filme de Xavier de Oliveira, André Cara e Coragem, segundo filme do Stepan Nercessian. Depois, me formei na escola, era plena ditadura, fiz Os Fuzis, com Flávio Império, no teatro. Na TV, ainda aluno da escola, fiz Chico Anisio Show. Então, fugindo da ditadura, passei dez anos fora do Brasil, perambulando por Ásia e Europa, um pouco pela África. Voltei em 79, por ocasião da anistia. Dirigi Tarô Bequê, de Marcio Sousa, no teatro, fiz Exu-Piá, coração Macunaima do brasil, no cinema. O Cangaceiro trapalhão e os Trapalhões e o Mágico de Orós, no cinema. O mais recente, Anjos do Sol, de Rudi Lageman, filme que gosto muito. Na TV, dois programas da série Em cena o Autor, dirigido por Alcione Araujo, pecas de teatro adaptadas pra TV, O Pagador de Promessas e O Auto da Compadecida. Um dos programas que mais amei fazer: a novela Mandacaru, na antiga Manchete, direção do Avancini. Na Globo, fiz um montão de novelas, não me lembro todas, Vira lata, O Clone, Malhação, vários Linha Direta, Caminho da Índia, Desejo Proibido, etc e etc. Gosto muito de um programa, Tecendo o Saber, de vez em quando é reprisado. No teatro, meu Monólogo O Lavrador de Palavras, lançando o livro do mesmo nome, que levei por vários estados brasileiros, e Sonho de Uma Noite de Verão, onde tive a honra de viver o Puck, personagem marcante da história do teatro shakespeariano. Tive a honra de dividir o palco por seis meses com o grande Chico Anisio, em show no Leblon, depois na Barra. E durante três anos, o grupo de poesia Ver O Verso, junto com Pedro Bial, Claufe Rodrigues e Alexandra Maia.

SELMO VASCONCELLOS – Quais os (as) atores/atrizes que você admira ?

MANO MELO – Fernanda Montenegro, a divina. Dulcina, minha saudosa professora. Oscarito e Grande Otelo, amo. Dos atuais, Camila Pitanga, Marco Ricca, Antonio Calloni, Benvindo Siqueira, Zé Dumont, Selton Melo, Maria Fernanda Candido, Cássia Kiss, Cláudia Alencar, tanta gente boa por aí. E pra não ser xenófobo, Catherine Deneuve, Penélope Cruz, Di Caprio, Al Pacino, Dustin Hoffman, Natalie Wood, Angelina Jollie, e o maior de todos, Marlon Brando.

SELMO VASCONCELLOS – Qual é o seu grande objetivo no momento ?

MANO MELO – Que Deus me dê energia e saúde pra fazer o que sempre fiz, escrever meus livros, interpretar meus poemas, viajar sempre. Poesia é arte para pequenas multidões. Enquanto o destino me conceder, estarei aí, escrevendo e interpretando. Um dia jurei que ia me transformar numa máquina de escrever. Continuo tentando.

SELMO VASCONCELLOS – A quem você agradeceria o apoio irrestrito dado nessa empreitada teatral nesses seus longos anos de carreira ?

MANO MELO - Já falei de Zé Trindade, B. de Paiva e Dulcina de Moraes. No momento, minha maior gratidão vai pra Newton Freitas, da Oboé Financeira, grande incentivador da arte no Ceará, que me proporcionou editar meu livro mais recente, Poemas do Amor Eterno.

POEMAS

NADA VAI APAGAR MEU SORRISO

Podem ameaçar com as bombas e morteiros
da Marinha americana,
podem roubar meu dinheiro
e chamar os hômes pra me levar em cana.
Nem que as vacas tussam e as porcas torçam seus rabos,
nem que eu seja atacado por mil cachorros brabos,
mesmo que me acusem de tudo que é heresia
e arranquem meu dente de siso
sem anestesia,
nada vai apagar meu sorriso.

Podem ameaçar com o Armageddon
e as trombetas do Juízo Final.
Podem pintar o mar de marrom
e botar dez mil crianças assaltando no sinal,
podem parar o mundo e apagar a luz,
abrir a caixa dos pregos e me pregar na cruz,
podem rodar a baiana, podem soltar a franga,
bordar tudo mais feio que o cão chupando manga,
destruir a ferro e fogo os frutos do paraíso,
nada vai apagar meu sorriso.

Podem sujar a atmosfera
até fazer doloroso o ato de respirar.
Podem abrir a jaula e soltar a besta-fera
com sua boca horrenda para me devorar,
perfurar meus olhos com setas envenenadas
até que fiquem cegos,
me fechar no escuro junto com morcegos,
ratazanas e baratas aladas,
sem nenhum sinal ou prévio aviso,
nada vai apagar meu sorriso.

Entre os campos de batalha dessa guerra infame,
busco trocar amor com quem também me ame.
E sei que a maioria das pessoas são pessoas decentes,
gente do bem trabalhando para criar filhos
e passar sua herança de conhecimentos.
Por isso, quando o trem parece correr fora dos trilhos
e o dragão ameaça cuspir fogo pelas ventas,
eu sei que tudo na vida tem uma explicação
e que existem razões que são estranhas até à própria razão.
Não importa as teias que a aranha teça,
a gente tem que se cuidar pra não virar presa.
Se a aranha tá a fim de te jantar,
você não pode permanecer passivo.
Não apenas navegar, viver também é preciso.
Eu fico mais forte quando penso nisso:
nada vai apagar meu sorriso.

( do livro Poemas do Amor Eterno)

 

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Denise Moraes

Excelente entrevista, com respostas construtivas e muito convincentes. Parabéns ao entrevistador e ao entrevistado. Mano Melo, importantíssimo ter passado para a nova geração sobre a leitura. Um abraço, Denise Moraes

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