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Márcio Catunda

Literatura por Selmo Vasconcellos em 2015-09-08 11:25:20

                

PEQUENA BIOGRAFIA

Márcio Catunda Ferreira Gomes nasceu em 22 de maio de 1957, em Fortaleza, Ceará. Formou-se em Direito pela Universidade Federal do Ceará, em 1979 e em Diplomacia, pelo Instituto Rio Branco, em Brasília, em 1985, ingressando na carreira diplomática. Exercendo suas atividades nos países : Peru, Suíça, Bulgária, Portugal, são Domingos e atualmente em Gana. Também graduado em Letras ( CEUB ), de Brasília, de 1986 a 1989. Amigo e Colaborador Lítero Cultural desde o início dos anos 90.

ENTREVISTA

SELMO – Quais as suas outras atividades, além de escrever ?

MÁRCIO CATUNDA - Trabalho como diplomata. Já que os editores não se decidiram ainda pela opção de me pagar pelo que escrevo, encontrei, temporariamente, esse outro
mecenas, o MRE.

Ah, antes que esqueça, ler é uma atividade que aprecio até mais do que escrever. Em seguida, ouvir música e visitar museus.

SELMO – Como surgiu seu interesse literário ?

MÁRCIO CATUNDA – De repente, não mais que de repente. Acho que na infância, mas a força se apresentou mais intensamente quando tinha 15 ou 16 anos de idade, num
momento de crise existencial.

SELMO – Quantos e quais os seus livros publicados dentro e fora do País ?

MÁRCIO CATUNDA – É a seguinte a lista completa (ou quase):

Poemas de Hoje, 1976 (com Natalício Barroso Filho). Fortaleza – Ce; Incendiário de Mitos, poesia. 1980. Fortaleza – Ce; Navio Espacial, poesia. 1981. Fortaleza – Ce; Estórias do Destino e a Pérfida Perfeição, contos e poesia. 1982. Fortaleza – Ce; O Evangelho da Iluminação, poesia. 1983. Fortaleza – Ce; A Quintessência do Enigma, poesia. 1986. Brasília – DF; Purificações, poesia, 1987. Rio de Janeiro – RJ; O Encantador de Estrelas, poesia, 1990. Brasília -DF; Sortilégio Marítimo, poesia, 1991. São Paulo – S.P.; Los Pilares del Esplendor, poesia. 1992. Lima – Peru; Llave Maestra,
poesia. 1994, Lima – Peru (com três poetas peruanos); A Essência da Espiritualidade, ensaios, 1994. Lima – Peru.; Poèmes Ecologiques, poesia, 1996. Bellegarde – França.; Ânima Lírica, CD de poemas musicados 1997. Genebra – Suíça; Anthologie Sonore, CD de poemas recitados em três idiomas, 1997, Genebra. – Suíça; Mário Gomes, Poeta, Santo e Bandido, biografia.1997. São Paulo – SP.; Rosas de Fogo, poesia. 1998. Rio de Janeiro – RJ; Água Lustral, poesia.1998 – Rio de Janeiro RJ; Estância Cearense., Antologia Poética. 1999. Fortaleza – Ce.; À Sombra das Horas, Antologia. (poemas
traduzidos em búlgaro). 1999. Sófia – Bulgária.; Na Trilha dos Eleitos, ensaios. 1999. Rio de Janeiro -RJ.; No Chão do Destino, poesia. 1999 – Vitória – E.S.; Crescente, poemas musicados, 1999, Sófia, Bulgária; London Gardens and other journeys, poesia, 2000, Sofia -Bulgária.; Verbo Imaginário, Antologia (CD com poemas lidos pelo autor). 2000. Sofia – Bulgária; Noites Claras, poemas musicados em CD. 2001 – Sofia -Bulgária; Mística Beleza, poemas musicados em CD – 2003 – Brasília DF; Rios -
Antologia de poemas de quatro autores, (participa juntamente com os poetas cariocas Thereza Christina Motta, Elaine Pauvolid, Tanussi Cardoso e Ricardo Alfaya. Rio de Janeiro, 2003; Madrid y otros idilios, (poemas em espanhol), São Domingos, 2005; Sintaxe do Tempo, (poesia), Fortaleza 2005; Plenitude Visionária, (poesia) Lisboa, 2007; O Dom de Orfeu (poemas musicados), Lisboa, 2007; Bem-te-vi, poemas musicados, Lisboa 2007; Itinerário Sentimental (poemas musicados), Lisboa 2008; Palavras Singulares, ensaios, Lisboa, 2008; VERTENTES – Coletânea de poemas e fortuna crítica (Elaine Pauvolid, Márcio Carvalho, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya e Tanussi Cardoso), 2009; Emoção Atlântica , poesia, 2010; 50 poemas escolhidos pelo autor, 2011; Engenho Urbano: 41 poetas, 2011; Escombros e reconstruções, poemas, 2012; Terra de Demônios, romance, 2013 e Quadrigrafias, poesia (Elaine Pauvolid, Márcio Catunda, Ricardo Alfaya e Tanussi Cardoso), 2015.

SELMO – Qual a atmosfera propicia aos seus impactos literários ?

MÀRCIO CATUNDA – Silêncio, leitura, contemplação, emoção, musas, entre outros.

SELMO – Quais os escritores que você admira ?

MÁRCIO CATUNDA - A lista talvez não caiba neste espaço nem na memória do momento. Mas vou citar alguns poetas. Camões, Pessoa, Vinícius, Augusto dos Anjos, Verlaine, Baudelaire, Hugo, Garcia Lorca, Neruda, Machado, Dante, Byron, Shakespeare, Shelley, Wordsword, Whitman, Poe, Tagore, Rumi e muitos outros.

SELMO – Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas ?

MÁRCIO CATUNDA - Que saibam não precisar de incentivos.

POESIAS

Para SELMO VASCONCELLOS, O POETA


Selmo Vasconcelos brilha no Norte,
astro que irradia essências fraternas,
através da fibra ótica.
Um poeta é uma dádiva da natureza!
Realça feito super-homem, ídolo,
por que se consola,
descendo uma escada
para não se atirar no abismo.
E sabe que amor não é mais que saudade do luar
que o vento da noite traz em carícias de êxtase.
Um poeta exercita a imaginação,
ouvindo alguma música que o faça sonhar,
recordar deleites de sensualidade erótica
e suscitar a utopia mística da fé.
Um poeta frequenta ladeiras de silêncio e sombras.
Uma sede estranha lhe faz buscar a plenitude.
Esta sublimação altiva que lhe agita os neurônios.
O céu no cérebro, suscitando inquetudes andarilhas.
Um êxtase peregrino lhe inspiram as flores da tarde fria
que mostra as últimas profundidades fúlgidas do firmamento.


A RUA DA MINHA INFÂNCIA

Aconteça o que acontecer
a rua da minha infância será sempre minha.
Cesse tos música que não há melodia
como a dos passarinhos daquela rua.
Mandem interromper todo ritmo,
mandem pacificar o mundo.
Há um luar estremecido entre as nuvens
e eu me morro de melancolia
ao reviver a emoção antiga.
Silêncio! Estou ouvindo os pássaros da minha rua.
Estou hipnotizado pela ressonância do mar.
Mandem prender os marginais e acabem com a guerra
que o tempo é de êxtase!
Só sentindo a natureza o homem se redime.
Os moinhos giram, a água escorre,
mas ando perplexo diante das casas arruinadas.
Restam os passarinhos da rua da minha infância.
São eles os meus deuses redentores.

KHOAN

O céu parece de hortelã,
uma folha é uma rã.

LIÇÕES DE ABANDONO

Vou acender as luzes da casa por temer o escuro da solidão.
Passarei a noite ouvindo velhas canções
para ressuscitar as emoções do passado.
No peito rosas de paixão e na memória os perfumes do céu,
agudos violinos me estão tocando n’alma.
A tristeza dos salgueiros tem o gosto das minhas lembranças.
Coração na ribeira do abandono,
tanto a saudade me tem molhado os olhos.
Vento noturno, por que vieste abater-me o ânimo?
Por que tens tom melancólico e me magoas com teus vórtices ?
( Por certo Eros e Afrodite se divertem com meus infortúnios ).
Enquanto tardam as andorinhas, derramas púrpuras sobre o dia,
turvando as paragens do meu caminho.
Com nostálgico reposteiro ocultas a miragem dos bosques.
Até quando permanecerei calado e triste
à espreita das minhas alegrias?

ESTIGMA

Por mais que te desdobres em controles,
inspeções, suspeitas, ameaças, espionagens,
não poderás apagar o estigma.
Por mais que exerças arbítrio sobre os excluídos,
submetidos, algemados,
não poderás apagar o estigma.
Por mais que argumentes com estratégias,
calcomanias, supremacias, invulnerabilidades,
agressões, transgressões e desvarios,
não poderás apagar o estigma.
Por mais que espanques, abuses, violentes, esfoles,
que apliques choques elétricos,
que arranques unhas e olhos,
que globalizes a intolerância e a hemorragia,
não poderás apagar o estigma.
Por mais que proliferes feras, pragas, dragões,
por mais que multipliques espadas de fogo,
tentáculos, abominações, garras de fúria e mentiras
nunca poderás apagar o estigma.

PARTILHA

Na partilha de direitos e deveres,
a polícia tem o dever de não massacrar o indigente
e este tem o direito de dormir n
os bancos de cimento,
sem ser incomodado.
O marginal não se perturba com os barulhos da noite
e o burguês não precisa temer o inofensivo vagabundo.
Eis o pacto social.
Até o momento em que algum insatisfeito o rompe:
a violência como argumento.

CÓDIGO URBANO

A todo cidadão se assegura o direito de dormir nas ruas.
Sujo, fedendo, doente de miséria,
A todo cidadão se assegura o direito a se degradar,
cair no chão em qualquer esquina,
na pedra no frio na lama,
até que a morte o conduza a algum espaço mais baixo.
Dormir na calçada é um direito humano,
mas vender muamba em frente às lojas é delito.
A Prefeitura leva tudo
e baixa a porrada em quem vier pela frente.

O VERDADEIRAMENTE ABOMINÁVEL

Tem-se o verdadeiramente abominável,
o histriônico de mau gosto, arrogante e degenerado.
O mais desprezível das mentes atrofiadas.
Gatunos fingidos, a escória, a ralé
que cultua a imundície,
a insalubridade como bandeira.
Não posso referir-me a eles sem o termo canalhas.
Sem hipérboles: são canalhas a golpes de patifaria.
Caminhar na chuva nessa espelunca,
molhando, em meio à buzinação.
A agonia insana dos sujeitos,
competindo por um palmo de espaço.
Tem-se o modelo mais perfeito do egoísmo humano.
As camionetas como balas disparadas
entre monturos de porcaria expostos aos elementos.
Andar a pé é um sonho.
Difícil é ter aonde ir.
Os esgotos jorrando,
o lixo fedendo em toda parte.
Esforço-me pra detestar um pouco menos o desrespeito à ordem,
a venalidade e a sandice.
Com a cabeça coberta de cinzas,
defender essa chusma de delinquentes?
Sair por aí carregando a bandeira de ladrões,
nefastos e depravados?
Ser cego em Granada?
Mais difícil é ser inteligente na Ilha dos Patifes.

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