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Mary Shelley e seu romance Valperga

Literatura por em 2015-09-14 23:21:04

Mary Shelley é conhecida mundialmente por ter iniciado a ficção científica ao publicar “Frankestein” em 1818.
Mas essa não foi sua única obra. Ela foi uma escritora profissional que teve uma considerável produção.
Em 1823, ela publicou um romance histórico, “Valperga – Vida e Aventuras de Castruccio, Príncipe de Lucca”, ambientado na Itália no século XIV, quando os partidos guelfo e gibelino disputavam o poder na Península Itálica e Dante Alighieri ainda estava escrevendo “A Divina Comédia”, cujos versos são várias vezes citados ao longo da obra.
O romance tem como protagonista Castruccio Castracani, um personagem histórico de quem Maquiavel fala no livro “História de Florença”.
Nascido numa família do partido gibelino, é exilado junto com os seus pais quando os guelfos tomam o poder em sua cidade natal, Lucca,cresce decidido a vingar-se e se torna um dos homens mais poderosos e temidos da Itália, porém, apaixona-se pela condessa de Valperga.
Mary Shelley era filha de Mary Wolstonecraft, uma das primeiras feministas da História, que escreveu o livro, “Reivindicação dos Direitos das Mulheres”, para responder ao “Emílio”, escrito por Rousseau, e que trata da educação de um menino.
Wolstonecraft defendia que se desse a mesma educação a meninos e meninas para que ambos os sexos tivessem iguais oportunidades e responsabilidades na sociedade. 
Os ideais feministas de sua mãe são resgatados por Mary Shelley na figura da condessa de Valperga, uma jovem nobre que se torna uma intelectual respeitadíssima lendo clássico da Filosofia e da História para o seu velho pai cego.
Com a morte dos pais, ela herda o castelo de Valperga, o título de condessa e uma cidade para governar. 
Ela representa o ideal do empoderamento das mulheres e da igualdade entre os sexos.
Mary Shelley também era republicana, porém, no século XIX, a lei de propriedade intelectual no Reino Unido se dava da seguinte forma: um editor, de posse de um texto que ele quisesse publicar, tinha que submetê-lo à apreciação de funcionários a serviço do governo. Se esses funcionários não encontrassem nada no texto que contrariasse os interesses do trono inglês nem da Igreja Anglicana (cujo chefe máximo é o monarca inglês), o texto recebia a proteção do trono e o editor tinha o privilégio de publicá-lo, exclusivamente.
Os textos que não cumprissem essa determinação não eram protegidos e podiam ser copiados sem a permissão de um cidadão específico. 
Assim, autores católicos, ateus, republicanos etc. tinham seus textos copiados de qualquer forma e não ganhavam um centavo por isso, pois não eram protegidos pela Coroa. 
Para não deixar de ganhar dinheiro com seu trabalho, Mary Shelley empodera uma jovem nobre, que vive a contradição de admirar os governos republicanos mas governar como uma monarca.
Mesmo assim, a disputa entre os dois sistemas de governo está presente na obra e suscita debates.
“Valperga” é uma obra que merece ser conhecida pelas novas gerações e agora surge uma tradução em Língua Portuguesa, publicada pela editora Buriti, de Minas.
O tradutor é este que vos escreve, Edson Amaro de Souza. 

Fonte - Edson Amaro de Souza
Foto    - Divulgação

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Edson Amaro de Souza

Conhecer a vida e a obra de Mary Shelley é conhecer a história da luta das mulheres por igualdade. Me sinto muito honrado de ter traduzido essa obra.

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