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Entrevista com Gustavo Dourado, presidente da ATL

Cultura por em 2015-10-18 15:10:35

1. Há quanto tempo milita nessa área cultural? Lembro de você, em
cargos na Secretaria de Cultura, de Educação e, hoje, à frente da ATL.
Descreva em 3 momentos suas principais realizações.
 
   Dinorá, obrigado pela entrevista ao Portal Rede sem Fronteiras. Milito na área cultural de forma pública desde 1972, quando comecei a trabalhar na Biblioteca do Colégio Polivalente em Irecê-Bahia e lá presidi o Clube de Leitura, com diversas atividades culturais relacionadas ao livro e a leitura,  logo depois militei no grêmio estudantil da escola de 1972 a 1975. Em 1975, vim para Brasília, onde entrei por concurso no Colégio Agrícola de Brasília, com frequência ativa a boa biblioteca que lá existia. eu era aluno interno e a melhor diversão que eu tinha era ler e escrever e a biblioteca era essencial. Depois fui para a UnB, onde cursei Letras, estudei línguas e passei por vários departamentos em busca da multiplicidade das linguagens. Na UnB, fundei o Centro Acadêmico de Letras, fui dirigente e desenvolvi várias atividades culturais, como o Show 12h30 no anfiteatro 9, com artistas e  poetas de Brasília e nomes de destaque da MPB. Fizemos também a Expoarte e  o Flimpo. Na Secretaria de Educação e na Secretaria de Cultura desenvolvemos diversos  projetos em apoio aos  professores, escritores e artistas do DF,  entre outros, Estante do Escritor Brasiliense, Poesia no Ônibus, Fórum Permanente de Escritores, História da Educação, lançamentos de livros. Entrei para a Academia em 1997, fui eleito presidente em 2011 e para  mim as três principais realizações foram as seguintes, 1. Conseguir fixar a sede da Academia, depois de muita  luta, ampliá-la, tombá-la e transformá-la em Patrimônio Cultural, Material e Imaterial do Distrito Federal, por força da Lei 5159/13. 2. Realizar centenas de eventos, recitais, saraus, encontros, palestras e debates, entre os quais destacamos a participação na Semana Nacional de Ciência e Tecnologia, na Bienal Brasil do Livro e da Leitura, na Feira do Livro de Brasília e no Fórum Mundial dos Direitos Humanos, entre  outros. 3. Criar a Biblioteca da Academia, com  um acervo de mais de 7  mil  livros e ter doado milhares de  livros de autores taguatinguenses às bibliotecas da Rede Pública do DF e aos alunos da Secretaria de Estado de Educação do DF.

2. Desde o início do Projeto Luz & Autor em Braille (1995), que nasceu
junto com a Biblioteca Braille Dorina Nowill, você foi um dos
escritores transcritos em Braille e patrono dos deficientes visuais.
Como se sente, participando desse projeto de inclusão social? Recorde
algum momento significativo.
 
   Sinto-me  muito bem de desde o início ter participado e apoiado tão importante projeto cultural que  ilumina a vida das pessoas com o saber e  o conhecimento. Recordo  bons momentos com os deficientes visuais e a expansão de talentos, aos lado de escritores como Stella Maris Rezende, Cassiano Nunes, José Santiago Naud, Stella Rodopoulos, entre outros. Outro momento de destaque foi ter participado do livro "Cinema para Cegos", com  o pessoal da Braille, você, Maria Félix Fontele e ter visto os deficientes visuais participarem com destaque do Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. 

3. Há pouco tempo, como proponente de um edital cultural, precisei de
uma carta de anuência de parcerias que temos na Biblioteca Braille.
Das 4 recebidas, a sua se destacou e já a coloquei em outros editais.
O que o inspirou a falar tão bem dessa parceria?
   
   Seria bom aqui transcrever trecho do edital, mas o que me moveu a destacar tão  importante trabalho é a sua característica humana e de  inclusão social de pessoas discriminadas e excluídas pela sociedade, sendo assim, a grandeza do projeto se eleva ao mais alto padrão de  humanismo e de  inserção dos deficientes visuais ao universo cultural, tão  importante e significativo para eles, que conseguem assim ter  uma  voz para ampliar a sua comunicação com a sociedade.. 

4. Como membro honorária dessa Academia tão ativa que dirige,
gostaríamos de saber de seus planos futuros e, claro, se pretende dar
continuidade, reelegendo quando concluir seu mandato.
 
 Gostaria de conseguir um convênio com a Secretaria de Educação para manutenção e consolidação do espaço, ter  um  quadro funcional e desenvolver programas e  projetos culturais de qualidade para incluir e divulgar nossos escritores e escritoras. Quanto à continuidade, só saberemos ao final desse mandato , só aí iremos pensar em um  possível novo mandato. 

5. Recentemente, participei de duas edições de Sarau Literário na sede
da Academia. Descreva o que é o Sarau que encanta a todos que
participam.  Ah, e também outro belo evento, ocorrido em 16/10/15, na
Procuradoria Geral da República. Conte-nos como foi...

  Os Saraus são fundamentais para incentivar o trabalho das pessoas e dos poetas e artistas, que não tem espaço nos eventos  oficiais. O sarau é  livre, desburocratizado, onde damos espaço a todos que comparecem e divulgamos os seus livros e criações. Quanto ao evento da Procuradoria Geral da República, fizemos uma homenagem in memoriam, ao saudoso poeta João Henrique Serra Azul e demos posse a dois novos acadêmicos, o escritor Marcelo Ceará Serra Azul e a articulista Raimunda Ceará Serra Azul. Tivemos a participação do Coral Alegria, do músico Rubens Cruvinel e da cantora Valdira Ferreira, além de leitura de cordel e de poemas.

6. Que recado como escritor, presidente de uma Academia de Letras,
leitor e grande ativista das artes quer deixar aos leitores do Portal
da Rede sem Fronteiras?

Primeiro quero agradecer a entrevista e a oportunidade de falar aos leitores do Portal. E o que desejo é que todos continuem na luta pela valorização do saber e do conhecimento e que valorizem nossos nossos escritores e poetas e que leiam os bons autores da literatura brasileira, seja nos livros reais ou nos livros virtuais, que continuemos em busca de uma sociedade mais justa, mais fraterna e  mais humana, onde possamos valorizar a cultura, a educação, as pessoas e ampliar o espaço da cidadania com as transformações sociais necessárias para vivermos em um mundo melhor e mais equilibrado. 

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Gustavo Dourado

Dinorá, agradeço a oportunidade da entrevista ao Portal Sem Fronteiras.

Gustavo Dourado

Dinorá, agradeço a oportunidade da entrevista ao Portal Sem Fronteiras.

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