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Documentário GloboNews - 'Morte e Vida Severina, 60 anos' refaz a saga do Severino 60 anos depois - Direção: Gerson Camarotti e Cristina Aragão.

Cultura por Alberto Araújo em 2015-10-23 11:01:23

Documentário Globonews - 'Morte e Vida Severina, 60 anos' refaz a saga do Severino 60 anos depois - Direção: Gerson Camarotti e Cristina Aragão. A GloboNews percorreu mais de 1,4 mil km em Pernambuco para refazer o caminho do Severino, o personagem épico e trágico do poema "Morte e Vida Severina", de João Cabral de Melo Neto. Sessenta anos depois que o poema foi escrito, o documentário nos leva a observar as realidades de tantos Severinos e Severinas.

 

Estreia dia (sábado) 24 de outubro, às 20h50min na GloboNews.



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Fazer o documentário "Morte e vida Severina, 60 anos" foi altamente provocante. O sertão era algo da imaginação, visto por mim só em imagens, sobretudo dos tempos de seca. Acredito que é assim para tantos brasileiros do sudeste do Brasil. Portanto, fui movida pela força da expectativa para relatar a trajetória do Severino de João Cabral de Melo Neto, sessenta anos depois de o poema ter sido escrito. Vi um sertão com uma força vital, transformado pela chegada das cisternas, caixas de armazenamento de água. Vi também mulheres sozinhas, à espera de seus maridos, migrantes temporários em outras terras do Brasil. Vi a vida e a poesia simbólica do rio Capibaribe, orgulho pernambucano, gritando de poluição. Vi jovens acreditando que é pela educação que a corrente da miséria deve ser cortada. Vi a potência da cantoria do maracatu. Vi famílias ainda hoje vivendo em palafitas, ali, na cara do Recife. Vi que as palavras do poeta permanecem vivas, seja pela morte, seja pela vida severina. Tudo isso você também verá em nosso documentário.


por Cristina Aragão


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Uma longa jornada severina


Desde pequeno, o universo severino fazia parte da minha vida. Pernambucano, conheci ainda criança muitos sertanejos que fugiam da seca. Eles chegavam na Zona da Mata e depois seguiam para o Recife tentando escapar da fome. Mas um sertanejo, em especial, marcou profundamente a minha infância: o vaqueiro Panta, do Sertão do Pajeú. Ele chegou no sítio da minha família, em Paudalho (Mata Norte), quando eu era bem menino.

Panta me ensinou muito da cultura sertaneja: os mitos, as histórias, os causos, a comida (como fazer queijo de coalho), além de coisas práticas como tirar leite de vaca e subir no cavalo para tanger o gado. Destemido, ele era bom de vaquejada. Usava aquela roupa linda, toda de couro: chapéu, perneira e gibão.

Mas o que nunca saiu da minha memória, era o amor que Panta tinha pelo Sertão. Quando ele soube por carta que a seca tinha passado, voltou para o Pajeú.

Era uma história semelhante ao do personagem Severino do poema de João Cabral de Melo Neto. No nosso último encontro, em 1998, o poeta pernambucano contou que aprendeu, ainda menino, a saga daqueles sertanejos que fugiam da seca e chagavam para trabalhar nos engenhos de sua família na Zona da Mata.

Aquelas histórias ficariam para sempre na lembrança do poeta: em 1955, João Cabral colocou o ponto final naquela que seria a sua obra mais popular: O Auto de Natal Pernambucano Morte e Vida Severina. Agora, seis décadas depois, a GloboNews decidiu refazer o mesmo percurso imaginado pelo poeta.

Para a missão, foi escaldo um time com referências culturais e visões diferentes do mundo: Cristina Aragão, Murilo Salviano, Sandiego Fernandes e Edson Vander Simpson. Isso permitiu um olhar renovado para a obra do poeta. De todos nós, eu era o único que conhecia esse percurso. Mesmo assim, há 20 anos não andava por essa estrada.

Portanto, antes de começar a jornada severina, o clima era de expectativa: ninguém sabia o que iria encontrar pela frente. Será que ainda existia o Severino retirante? Iríamos encontrar a rezadeira que vive da mortandade do Sertão? E o mestre Carpina? Quem seria? Os coveiros ainda faziam comparações entre os cemitérios do Recife? Quem era o Severino dos dias atuais?

Eram muitas as perguntas. E ao longo da jornada severina, as repostas foram surgindo de forma surpreendente. A poética de João Cabral se revelou em sua plenitude neste documentário. Aprendemos muito com os personagens que encontramos neste longo trajeto do Sertão até os manguezais do Recife. Em comum, a lição de que "não há melhor resposta/ que o espetáculo da vida/ .... mesmo quando é a explosão/ de uma vida severina."

por Gerson Camarotti


Com a Direção de Gerson Camarotti e Cristina Aragão e Produção de Murilo Salviano; Imagens: Sandiego Fernandes; Som: Edson Vander; Trilha sonora: Marion Lemonnier;  Edição: Aldrin Luciano; Edição de conteúdo web: Ana Ramalho e Pedro Rabello; Webdesign: Fernanda Garrafiel e Claudia P. Ferreira

 

CLICAR NO LINK:

http://especial.g1.globo.com/globo-news/morte-e-vida-severina/index.html#apresentacao 



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Maria Cecília Simões

Amei amei amei..... Parabéns Gerson e Cristina

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