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Resenha do escritor Cláudio Aguiar Presidente do PEN Clube do Brasil sobre o livro Mitos e Utopias de Dalma Nascimento.

Literatura por Alberto Araújo em 2015-11-10 00:09:35

Mitos e Utopias dos Teares Literários às páginas dos periódicos, Dalma Nascimento Rio de Janeiro, Tempo Brasileiro, 2014, 192 pp.

Este livro de Dalma Nascimento dá ao leitor, de saída, as virtudes da lucidez e da capacidade expressiva, as quais iluminam as afirmações e nos levam às conclusões sobre temas tão difíceis de serem mensurados em seus significados, a exemplo de mito e utopia. Ambos os termos – mito e utopia – partem de etimologias que, no primeiro caso, sinalizam para os significados de perenidade e, no segundo, de efêmero por ser a visão daquilo que se perde no infindável horizonte. A rigor, esses sentidos se situam em posições antagônicas ou mesmo de oposição. Tudo isso, no final de contas, Dalma consegue tecer com mestria ao manipular os teares de temas corporificados nas páginas dos periódicos. Esse efeito, que também lembra o jogo dos espelhos, tomados como entes multiplicadores, porém, ilusionistas quando afetados pelos efeitos do mito e da utopia, são capazes de guardar e germinar situações adversas. Vale dizer, ainda, apesar disso, indispensáveis ao lado mais profundo da vida: a fuga do real. Talvez seja nessa trama que a expressão literária encontra a sua razão de ser, quando oferece ao leitor a possibilidade de puxar o laço do novelo que o texto nos oferece como recurso decifrador. Daí, quer no mito, quer na utopia, armam-se, de certa forma, o encanto que lembra outro jogo mais enigmático - o da esfinge -, que consiste exatamente em esconder a perenidade sob o manto do mistério e a impossibilidade de chegar o foco da visão no final da vastidão do infinito. Ou noutras palavras: no horizonte sem fim ou sem começo.

Lembra Dalma com propriedade que “os mitos e as magias abrem velas à criação literária”. Ela chega mesmo, a seguir, no capítulo intitulado “Mito e Utopia: identidades nas diferenças manifestadas”, a afirmar que ambos elementos “verbalizam suas tensões, ou mesmo sonhos através de histórias exemplares, de 3 legendas poéticas, de ensinamentos pacificadores, de ficções fantasiosas. Ou por outro lado, transformados em forças políticas, porque tanto o mito quanto a utopia podem ser analisados por projetos sociais. Um bom exemplo disso é a utopia ou o mito do herói “salvador”, do soter, do personagem-civilizatório tão presente nas crises históricas como ocorreu nos séculos XII e XIII na Plena Idade Média (Idade Média Central), quando surgiram lendárias ou verdadeiras figuras redentoras”.






Dalma Nascimento

Mestra e Doutora pela Universidade Federal do Rio de Janeiro - UFRJ. Professora aposentada de Teoria Literária e de Literatura Comparada da Faculdade de Letras da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Professora de Literatura Brasileira da Universidade de Brasília e de Teoria Literária, Literatura Brasileira e Língua Portuguesa da Faculdade de Formação de Professores da UERJ. Ex-pesquisadora da CNPQ - Projeto sobre a Memória. É atualmente Pesquisadora Associada do Centro de Estudos Afrânio Coutinho, da Faculdade de Letras de UFRJ.

Publicou diversos artigos e ensaios sobre diferentes temas em revistas especializadas, jornais, atas de congressos, no Brasil e no exterior. Os mais recentes estão na revista da Academia Brasileira de Letras, na Verbo de Minas, na Passage de Paris e na Matraga. Membro efetivo do PEN Clube do Brasil desde 1982.


DENTRE SUAS OBRAS MAIS IMPORTANTES DESTACAM-SE:


- Fabiano, herói trágico na tentativa de ser. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 1980.

- Antígonas da moderindade. Performances femininas na vida real ou na ficção literária. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2013.

- Mitos e Utopias dos teares literários às páginas dos periódicos. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2014.

- Memórias em jornais. Rio de Janeiro: Tempo Brasileiro, 2014.

- Idade Média: Contexto, celtas, mulher, Carmina Burana e ressurgências atuais, Niterói: Parthenon, 2015.




SOBRE O ESCRITOR CLÁUDIO AGUIAR

 

 

Com mais de 25 livros editados nos gêneros romance, teatro e ensaio, Cláudio Aguiar, biógrafo, romancista, historiador, dramaturgo, ensaísta e poeta, nasceu na cidade de Poronga, Ceará, em 1944, tornando-se nome bastante conhecido entre a intelectualidade nacional e europeia. Há anos  se dedica a uma escrita, na qual, em fraterno enlace, a realidade e a ficção se complementam com  expressiva musicalidade.

A partir de 1962, radicado na cidade do Recife, foi aluno do Ginásio Pernambucano e, em 1971, graduou-se pela Faculdade de Direito do Recife. Por essa época, atuou com intensidade na imprensa recifense, principalmente como colaborador literário dos suplementos literários do Jornal do Commercio e Diário de Pernambuco.

Por seus méritos, tornou-se bolsista pesquisador do Ministério de Assuntos Exteriores de Espanha (Madrid),  estudando a obra de José Ortega y Gasset (Madrid, 1983) e, no mesmo ano,  foi admitido como bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), perante a Universidade de Salamanca, onde, em 1986, defendeu tese doutoral na área de Direito Internacional sobre o processo de imigração espanhola ao Brasil, sob o título: Organización Social y Jurídica de los Inmigrantes Españoles en Brasil, alcançando, então, o título de doutor pela mesma universidade.

Em 1992, aposentado do cargo público ocupado na Justiça do Trabalho da 6ª. Região, no Recife, exerceu a função de professor convidado da Universidade Federal Rural de Pernambuco, atuando na área de convênio firmado entre aquela instituição de ensino e a Universidade de Sherbrooke-Irecus – Canadá de 1990 a 1994.

Na categoria de romancista, dramaturgo, ensaísta e poeta, Cláudio Aguiar recebeu vários prêmios e distinções, em virtude do conjunto de sua obra. Dentre eles, o prêmio-homenagem  internacional, de 1994, concedido pela prestigiosa Cátedra de Poética Fray Luís de León, da Universidade Pontifícia de Salamanca (Espanha), ocasião em que lhe foi outorgado também o título de honor pela mesma Universidade e, em 2009;  o Prêmio Ibero-americano de Narrativa “Miguel de Unamuno” pelo livro El rey de los bandidos, publicado pela Editorial Verbum, de Madrid.  Em outubro de 2012, Aguiar recebeu o Título de Cidadão de Salamanca (Huésped Distinguido), concedido pela Prefeitura (Ayuntamiento) por decisão unânime da Câmara local, distinção conferida a grandes personalidades da cultura e das letras.

Fundador de Caliban, uma revista de cultura, na qualidade de editor-responsável publicou 10 (dez) números (1998-2007). É membro de várias entidades culturais e literárias, dentre as quais se destacam: Academia Pernambucana de Letras,  Instituto Arqueológico Histórico e Geográfico Pernambucano (IAHGP), Academia Carioca de Letras,  Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB) e PEN Clube do Brasil, do qual é seu Presidente. Também  é o atual Presidente da Fundação Miguel de Cervantes de Apoio à Pesquisa e à Leitura da Biblioteca Nacional.

 

 

OBRAS PUBLICADAS:

Caldeirão: A guerra dos beatos;

Francisco Julião: Uma biografia; 

Franklin Távora e o seu tempo (biografia);

O monóculo & o calidoscópio;

Suplício de Frei Caneca;

Os anjos vingadores;

Brincantes do Belo Monte;

Medidas e Circunstâncias

A volta de Emanuel;

Lampião e os meninos;

Os anjos vingadores;

A corte celestial;

Somba, o menino que não devia chorar;

Exercício para o salto;

Depoimento de um sábio;

Flor destruída (drama);

Suplício de Frei Caneca (oratório dramático);

Antes que a guerra acabe (drama);

Brincantes do Belo Monte (auto);

A Emparedada (tragédia);

e a mais recente:

A Última Noite de Kafka e Outros Dramas.

 

 

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