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E você, qual o seu papel?!

Geral por Sandra Hasmann em 2016-01-14 22:34:50

E você, qual o seu papel?!

Pois é, tudo muito, mas muito teatral para o meu gosto. As pessoas deixaram de SER e passaram a interpretar papéis. É chocante ver como as pessoas são levadas por situações... Como mudam seu - modus operandi - dependendo da impressão que desejam passar. Como são - talentosas; são tantos e tantos papéis que não sei como não se confundem. Falsas ideologias, e eu não quero uma dessas para viver.
Se fulano (a quem se quer impressionar) é estudado, busca-se nas vísceras a mais profunda - inteligência - para mais do que impressionar, sentir-se aceito.
Se fulano parece mais simples, busca-se expor todo vasto conhecimento no intuito de coagi-lo e humilhá-lo, afinal é uma grande oportunidade de ser aplaudido.
Que disputa mais imbecil é esta que atravessa milênios?! Mas que tolice descabida e... Quanta insegurança demonstra esta descarada necessidade de Reconhecimento.
A vida virou um palco, onde disputa-se friamente o papel principal, mesmo que isso signifique PERDER A PRÓPRIA ESSÊNCIA, e abandonar a própria historia, os próprios sonhos.
Será que dentre tantos papéis, não existe nenhum papel corajoso o suficiente para encarar-se? Para reconhecer-se suficientemente digno de ser o que se é, o que se pode ser...?!
Cadê a coragem que sobra quando se quer impressionar alguém, e que desaparece quando se trata de encarar a própria vida?
Porque não sair às ruas em detrimento de um país, do próprio País, sem ficar pensando no Reconhecimento de tão -nobre- feito? Parece que os fatos que já se encontram em estágio surreal, não são suficientes. O resultado das passeatas tornou-se menos importante do que o número de curtidas e compartilhamentos da selfie tirada na mesma. É quase um -"Eu fui, tá vendo que tremendo cidadão eu sou?! Curte aí".
Mas esta síndrome de bom cidadão é deixada logo ali, na primeira esquina ou na próxima selfie.
Nos falta ação, ação real... Nos falta inteligência e sabedoria... Mas os argumentos para justificar nossa acomodada insignificância perante determinadas situações, esses sim, nós temos aos montes, de sobra, são pilhas e pilhas de argumentos.
Somos pós-graduados em identificar situações confortáveis, para encostarmo-nos nelas por tempo indeterminado.
Admita-se!!! Êi, não há problema nenhum em não ser o Senhor da razão, e muito menos o dono de todo conhecimento!
Faculdades, graduações, mestrados e doutorados não formam Seres Humanos. Não ensinam boas ações e reações, boas atitudes, bondade no coração...
Isso se aprende na Faculdade da vida, na própria vida. É de dentro para fora... É intuitivo... Tem raízes na alma...
Não precisamos do reconhecimento alheio, precisamos reconhecer o quanto somos miseráveis... O quanto temos que evoluir e buscar a cada dia nos tornarmos seres humanos melhores. Aliás, mais do que isso, despertar o melhor do outro. Alegrar-se com a alegria alheia... Pessoas felizes dão menos trabalho, pense nisso.
A cada dia que passa vejo que preciso de muito menos para ser feliz. Preciso de alegrias repentinas, mesmo que provocadas por uma besteira qualquer... Preciso de café da tarde com bolo de fubá, feitos no fogão à lenha, por mãos calejadas da vida e abarrotadas de histórias.. De pessoas felizes do meu lado, rindo da piada mais idiota... Preciso de mais idosos me contando seus incríveis feitos... De mais música antiga (dessas de verdade) e filmes de época... De viajar sem destino, mesmo que com dinheiro curto. O importante é ir até onde der, com boa companhia ou sendo a própria companhia...
Preciso ler mais livros que me agradem e não apenas os ditos "best sellers"; o importante é jamais parar de ler... Aprender e aprender. A vida nos revela tantos aprendizados e valiosas lições quando a vivemos.
Preciso ser mais atuante neste meu País, onde um governo mascarado tornou-se  "Mestre" em formar ignorantes (tá vendo como títulos podem não valer de nada?)... Reagir contra este espetáculo de palhaços. Não quero rir de tudo isso, não vejo graça!
Estou cansada desta opressão velada e padronizada... Não caibo nesses moldes. Não caibo nesses papéis, a não ser no meu, no que sou. Acho que não sou deste planeta... Só pode!
Para mim, o que vale é ser feliz... Ter liberdade para isso...
Um dia ando de salto e no outro ando descalça... E daí?! Qual problema?! O fato de andar de salto não me faz mais do que ninguém, e jamais ditará meus passos, e o fato de andar descalça não me faz menos do que ninguém, talvez mais segura, mais firme.
Aprendi muito mais com as pessoas humildes de verdade, da roça, do que com "estudados multilíngues".
Na roça eles não precisam provar nada para ninguém, tampouco para eles mesmos. Eles simplesmente vivem... Plantando, colhendo, respeitando a natureza, apreciando a chuva, a beleza das flores, o cheiro das rosas, o nascer e o por do sol. Isso é o suficiente, o verdadeiro espetáculo da vida. Este sim merece aplausos.
Sem hipocrisia, pois esta não me cabe; confesso, gosto de boas lojas, de bons restaurantes, de ser bem tratada, mas hoje sinto uma necessidade muito maior de alimentar a minha alma do que o meu ego. Na verdade não me importaria se meu ego morresse de fome.
Que o nosso papel seja só o nosso, o de sermos atuantes nas nossas próprias vidas... Aceitando-a e vivendo- a intensamente, assim, linda como ela é!
Não tenha medo de ser diferente desta massa predominantemente "encabrestada". Mudanças podem revelar coisas incríveis!!!! Arrisque-se, pode ser divertido VIVER a própria vida sem tantas expectativas! Aplauda-se se for o caso... Mas nunca deixe de SER quem você é. Não há plateia no mundo que compense tamanha escravidão.

Paty (filha da colunista Sandra Hasmann)

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