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Adriana Pavani

Literatura por Selmo Vasconcellos em 2016-02-13 13:44:33

                

Nascida em São Paulo, Capital, em 1972.

Atualmente mora na cidade de Barra Bonita, interior do Estado de São Paulo.

É Bacharela em Direito, pela Faculdade de Direito de Bauru e atualmente é funcionária pública estadual, exercendo funções de Escrevente no Forum local.

Tem participação em várias antologias poéticas e dois livros publicados: “Do Caos à poesia” (2010) e “Os Girassóis voltaram a sorrir” (2015)

É membro da IWA (International Wrighters Association), desde 2014.

SELMO VASCONCELLOS – Quais as suas outras atividades, além de escrever?

ADRIANA PAVANI –Cuido da família e trabalho fora. Sou funcionária pública, atualmente exercendo as funções de escrevente no Fórum de Barra Bonita/SP.

SELMO VASCONCELLOS – Como surgiu seu interesse literário?

ADRIANA PAVANI –Para ser sincera, nem sei dizer. Acho que surgiu até mesmo antes de aprender a ler. Já desde muito pequena visitava a biblioteca na cidade onde morávamos. Ía com o meu pai que emprestava livros para estudar e ler habitualmente. Quando fui para a escola já conhecia o que era um livro. Tive dificuldade para aprender a escrever, desenhar as letras, mesmo. Mas, minha mãe, com paciência foi me ensinando e incentivando. Aí… ninguém mais segurou. Daí para a frente a leitura foi fluindo, superando as etapas que tinha de superar. Já lá pelo ginásio, trabalhávamos muito com redação e a facilidade para escrever foi surgindo. A poesia, em si, não ocupou o primeiro lugar de minhas preferências naquela época, mas dava mostras de que poderia ser amadurecida no tempo certo. O interesse por ela foi nascer já no colegial – atualmente chamado Ensino Médio – com os recitais que minha professora de português organizava. Foi através desses recitais que pude conhecer Drummond, Quintana, Cecilia Meireles, Fernando Pessoa…. Já quando cursei a faculdade de Direito, a poesia parece ter amadurecido mais dentro de mim e comecei a dar vazão a elas, deixando-as escorregar para o papel. Assim, deixei nascer o poeta dentro de mim.

SELMO VASCONCELLOS – Quantos e quais os seus livros publicados?

ADRIANA PAVANI –Tenho dois livros publicados. O primeiro foi “Do Caos à Poesia”, de 2010, através da Editora Pragmatha de Porto Alegre/RS, que é a reunião de várias poesias escritas ao longo de quinze anos, período este compreendido entre o tempo de universitária e o pós-universidade, poemas que participaram de concursos literários, alguns deles até premiados e outros que simplesmente estavam engavetados. Agora, este ano, estou lançando meu segundo livro “Os girassóis voltaram a sorrir”, uma edição independente, que veio à luz com o apoio das Edições Costelas Felinas, com quem tive o prazer de trabalhar nestes últimos meses para a concretização de mais esta obra. Ele é um livro de encadernação artesanal, feita à mão, o que casa bem com a proposta dos poemas que estão nele. Acho que isso o torna mais prazeroso ainda de ser lido. Este segundo livro já reúne um pouco do que escrevi depois de “Do caos à poesia”: são textos que participaram de concursos e outros que também ficaram arquivados, mas não por tanto tempo, como no anterior. Há textos mais antigos, também, que não foram colocados em “Do Caos…” Ele é fruto da inspiração que me acompanhou nos últimos cinco/dez anos. Além destes dois, tenho participação em várias antologias literárias, ao longo dos últimos dez anos.

SELMO VASCONCELLOS – Qual (is) o(s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias?

ADRIANA PAVANI –Não há uma situação certa para dizer “isso é que me faz escrever”. Pode ser qualquer circunstância. Um momento de alegria, um temporal, até mesmo momentos de tristeza ou de indignação. Aquele famoso “insight”, muito conhecido dos escritores, não tem hora certa para chegar. Já cheguei a ter momentos inspiradores, dirigindo para o trabalho. E foi de tal modo que ao parar o carro precisei antes de qualquer coisa, anotar na minha caderneta para depois seguir em paz. Se não, eu acabaria perdendo o verso, como já aconteceu em outras ocasiões. Sendo assim, já tornei um hábito andar com uma caderneta de anotações e alguma caneta perdida na bolsa ou no carro para não perder o “insight”. Agora, há momentos que simplesmente não dá. Então, o texto fica arquivado no meu inconsciente. Um dia, talvez, ele salte de lá. E isso às vezes acontece.

SELMO VASCONCELLOS – Quais os escritores que você admira?

ADRIANA PAVANI –São vários. Na poesia aprecio muito Fernando Pessoa e seus heterônimos, Mário Quintana, Cora Coralina, entre outros. Na prosa sempre gostei de José de Alencar (na época escolar), Eça de Queirós e atualmente conheci algumas obras da escritora nigeriana Chimamanda Ngozi Adchie, e gostei muito.

SELMO VASCONCELLOS – Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

ADRIANA PAVANI – Deixem a poesia fluir sempre. O poeta nasce feito e desperta no momento que tem que despertar. Alguns despertam ainda crianças, outros… acabam como eu, que despertei depois de adulta. E este despertar não pára nunca, porque o poeta vai crescendo, amadurecendo. Não dá para pensar em ficar rico escrevendo poesias. Isso é ilusão. Mas dá para pensar em deixar o mundo mais suave à nossa volta. Vale a pena cada verso escrito e acho que isso vale para todos aqueles que decidem enfeitar sua trilha com versos. Os versos que os poetas deixam acendem luzes para aqueles que os leem.

 RENASÇO A CADA DIA

 

Renasço a cada dia.

E a cada dia vivo uma vida inteira.

Nascendo o sol, guardo tenra alegria

de criança meio arteira.

Ao meio do dia,

já sou jovem adolescente,

Cheia de conflitos e com o coração ardente,

Sedenta por resolver tudo

E convencer ao mesmo tempo, todos.

Mais tarde, sou adulta.

Resoluta em tudo o que vejo.

A atitude é tão madura,

que nem percebo que é fim do dia,

e eu envelheço.

À noite, já estou velha,

Alquebrada pelo trabalho do dia

Com a sensação de ter vivido a vida por inteiro.

O sono me chega qual a morte chegaria.

Umas vezes, sorrateiro.

Outras, derradeiro.

Ao dormir, é como se eu morresse.

Mas não tenho medo.

Ainda que eu, de fato, morra,

A vida continua…

Pela manhã, de novo renasço,

E vivo, de novo, uma nova vida.

********

DO CAOS À POESIA

 

Dentro de mim habita o caos,

Ora sou esperança,

Ora sou fantasia,

Há momentos que sou apenas tristeza

Há outros que sou quase euforia.

Às vezes sou tudo.

Ás vezes, me sinto um nada:

Apenas um leve suspiro de ressentida melancolia.

Mas renasço em cada palavra

Quando do caos eu me gero

E resplandeço em poesia!

********

FOTOGRAFIA

 

Revendo uma velha fotografia,

mergulhei em nostalgia,

revendo os fatos

e recordando as fantasias.

Juntei na lembrança os cacos

das ilusões perdidas.

Onde foi que achei espaço,

para guardar aquela lembrancinha?

E o sonho daquela época,

em que esquina se perdeu?

Talvez não seja eu mais aquela,

que na fotografia eu vejo.

Mas aquela faz parte do meu eu.

Por isso eu me revejo.

Quantas emoções revividas

na imagem daquela antiga fotografia!

Mas o passado é o passado.

E é no presente, que devo viver minha alegria.

Pois o futuro é lá na frente,

quando eu recordar de novo, o presente,

com outra velha fotografia.

*********

JUVENTUDE?

 

Sou velha, sim.

Estou envelhecendo…

Para quê ser jovem eternamente

E não descobrir os porquês que tenho?

Como não envelhecer

E saborear os frutos do bom desempenho?

E não poder perder a conta

Dos bons amigos que tenho?

Como não envelhecer,

Sem ao longo do tempo, contar as cicatrizes?

Colecionar os momentos felizes?

Saber reparar os meus deslizes?

A juventude é boa.

Faz parte do nosso espírito.

Mas não se é jovem à toa,

Porque a juventude obedece a um rito:

Ela é como uma flor que nasce e desabrocha

E, como tudo, cumpre um ciclo:

Ela morre e se destroça.

Mas, seu perfume se espalha ao infinito.

*********

AMOR

 

Amor…

Como definir o indefinível?

Como ele toca até mesmo o mais insensível?

Amor…

Por onde quer que se ande,

Lá está ele a te acompanhar.

Mesmo que algum dia ele debande,

Pode esperar, porque nalgum dia ele irá voltar.

O amor, não precisa ficar a procurar

É ele mesmo que vai te achar.

Não há data, não há lugar.

Basta o momento certo e um simples olhar

Para ele entrar e pedir para ficar.

E, mesmo que não o deixes, por ora, entrar

Ele sabe esperar para, de novo, pedir para voltar

Ainda que nem se perceba que ele está

Em um novo olhar…

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João Pedro de Oliveira Filho

Achei maravilhosa a trajetória dessa poetisa. Sempre gostou da literatura e a ela se dedicou. Estamos de parabéns por participar de seu "périplo" literário.

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