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AMOR, VOCAÇÃO ESSENCIAL DO HOMEM... Um belo texto que nos leva a uma séria e oportuna reflexão...

Geral por Sandra Hasmann em 2016-02-16 22:12:21


*Texto do Prof. José Pereira da Silva

 

Há uma distância fundamental entre as palavras e os gestos de cada homem. As palavras prometem mundos, os gestos constroem-nos. As palavras esclarecem pouco, os gestos definem quase tudo.

O amor é um projeto, uma construção que necessita de ser realizado a cada dia. Sem grandes discursos.

O amor aparece-nos como uma espécie de trança, intimamente entrelaçada como está na dinâmica da vida. Sem amor não há vida e sem vida não há futuro. O amor é motor de busca que nos permite chegar até o lugar do outro.

Qualquer hora é tempo de amar. Se o amor é verdadeiro, não há tempos de descanso, porque o silêncio no coração dos que buscam lutar contra as trevas dos egoísmos e a paz mais profunda e o maior descanso, ainda que se cravem espinhos na carne, ainda que não sarem as feridas antigas, ainda que a esperança tenha pouco mais onde se apoiar do que nela própria.

Cada um de nós é aquilo que for capaz de ir construindo de firme e duradouro a cada dia por entre todas as tempestades da vida.

Há tantos caminhos do amor e para o amor como existem corações, que são, por natureza, complexos labirintos onde facilmente nos perdemos ou enclausuramos.

O percurso da vida de cada um de nós é feito de pequenos passos e gestos, de desencontros, retrocessos, solavancos e quedas, mas também de algumas pequeníssimas, como as dos pirilampos, centelhas de luz. E essa luz é, não pode ser senão a do amor.  Cabe-nos, no aqui e agora do nosso cotidiano, a tarefa de não deixar apagar a luz do amor. Para que possam continuar a balizar o caminho do amor, no presente que nos é dado viver e no futuro que só Deus conhece.

Mas nós não somos quem somos só para nós mesmos. Eu sou quem sou, mas só o serei se for capaz de me encontrar com os outros. Ser humano é ser relacional. Ser é sempre ser com o outro. 

Ser é amar. O amor nos põe em comunicação com o mistério, que está além do dizível.

O amor leva em conta que os outros existem, nos abre ao outro, é um convite a alteridade.  O amor influencia o nosso caráter, as nossas idéias, a nossa maneira de ser e de agir.  O amor ajuda a nos realizarmos. Dizia Bertrand Russell (1872-1970), que “temer o amor é temer à vida e os que temem a vida já estão mais ou menos mortos”.

É no amor que se reconhece o outro. Só no amor que o homem torna-se capaz de conhecer as profundidades existenciais de um outro indivíduo. 

O amor leva-nos a ter responsabilidade pelo outro, pelo seu bem-estar e por sua felicidade.

O amor torna a vida digna de viver. O amor é um motor de arranque para melhorar-nos como pessoas e para transmitir ao redor de nós o entusiasmo para com a vida.

O amor não é um empreendimento superficial, secundário. É visceral.  Todo amor implica contemplação. Todo amor é fascínio. O filósofo Gabriel Marcel(1889-1973) disse: “ amar alguém é lhe dizer: tu não morrerás”. Ele é manifestação do eterno no tempo e portanto nunca tem um fim.

Nós temos necessidade de acreditar que o amor que vivemos, o amor partilhado com aqueles que amamos,  é um amor que permanece, que contém qualquer coisa da eternidade, um amor que nos permite dizer no presente e no futuro: -"Eu amo, mesmo quando o outro que eu amo, já não está".

Amar é a vocação essencial do homem. É de lá que vem a necessidade tão profunda que a pessoa humana tem de ser amada e de amar.

O amor conduz o homem a si mesmo. No amor, ele sabe quem é. Sem amor, ele se perde.

Ernesto Cardenal , em seu célebre Livro do amor, descreveu como o homem só é verdadeiramente livre e são quando ama, quando permite no seu coração o amor de Deus, que existe em tudo.

Num poema didático (1 Cor 13,4-8) São Paulo mostra quais qualidades tem o amor e como ele pode marcar concretamente a nossa vida. Por mais que se reflita sobre o amor, não podemos esgotá-lo, é possível apenas descrevê-lo em seus efeitos:

      “O amor é paciente, o amor é amável; o amor não é invejoso nem fanfarrão, não é orgulhoso nem faz coisas inconvenientes, não procura o próprio interesse, não se irrita, não guarda rancor, não se alegra com a injustiça, mais se alegra com a verdade. Tudo desculpa, tudo crê, tudo espera, tudo suporta. O amor jamais acabará”.

       O amor deve ser expresso em gestos, atitudes e obras, em respostas às situações de sofrimento humano, de modo a que fique claro que o amor não é mero sentimento, uma aspiração vaga e etérea, uma opção facultativa, mas antes um modo de os seres humanos habitarem o mundo e de humanizarem as relações entre os seus habitantes e os seus projetos de organização da economia e da sociedade.

 Apenas com a fé de que, no amor, nos cumprimos. Amar é desprender-se e perder-se, abrir-se e abandonar-se à vontade de ser feliz. O amor deve fluir para as pessoas e para o mundo para permanecer vivo.

Só o amor permite que se cumpra a mais essencial de todas as promessas da existência: uma vida com valor e verdade. A este propósito, ocorre parafrasear Dostoievski ( A beleza salvará o mundo), dizendo:  -"Só o amor salvará o nosso mundo da autodestruição para onde o arrastam o egoísmo, a injustiça e a corrupção".


*             JOSÉ PEREIRA DA SILVA   

    Nascido em Caçapava-SP, é professor e pesquisador. Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Academia Soberana Brasileira de Artes do Estado do Rio de Janeiro, da qual é comendador; da Academia Taubateana de Letras, cadeira 22; da Academia Marial  do Santuário Nacional de Aparecida. Articulista de jornais, com artigos em livros, coletâneas e revistas especializadas em história, literatura, filosofia e teologia.      

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