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Casimiro de Abreu - O Poeta da Saudade - Um filme de Alberto Araújo do Focus Portal Cultural.

Cultura por Alberto Araújo em 2016-02-19 14:10:27

Casimiro José Marques de Abreu  nasceu em Silva Jardim, em 4 de janeiro de 1839, foi um poeta brasileiro da segunda geração do romantismo. Filho do fazendeiro português José Joaquim Marques de Abreu e de Luísa Joaquina das Neves, uma fazendeira de Silva Jardim (na época, Capivary), viúva do primeiro casamento. Com José Joaquim ela teve três filhos, embora nunca tenham sido oficialmente casados. Casimiro nasceu na Fazenda da Prata, em Casimiro de Abreu, propriedade herdada por sua mãe em decorrência da morte do seu primeiro marido, de quem não teve filhos.

A localidade onde viveu parte de sua vida, Barra de São João, é hoje distrito do município que leva seu nome, e também chamada "Casimiro de Abreu", em sua homenagem. Recebeu apenas a instrução primária no Instituto Freese, dos onze aos treze anos, em Nova Friburgo, então cidade de maior parte da região serrana do estado do Rio de Janeiro, e para onde convergiam, à época, os adolescentes induzidos pelos pais a se aplicarem aos estudos.

Aos treze anos transferiu-se para o Rio de Janeiro para trabalhar com o pai no comércio. Com ele, embarcou para Portugal em 1853, onde entrou em contato com o meio intelectual e escreveu a maior parte de sua obra. O seu sentimento nativista e as saudades da família escreve: "estando a minha casa à hora da refeição, pareceu-me escutar risadas infantis da minha mana pequena. As lágrimas brotavam e fiz os primeiros versos de minha vida, que teve o título de Ave Maria".

Em Lisboa, foi representado seu drama Camões e o Jau em 1856, que foi publicado logo depois. Litografia de Casimiro de Abreu em rótulo de cigarro.

Seus versos mais famosos do poema Meus oito anos: Oh! Que saudades que tenho/da aurora da minha vida,/ da minha infância querida/que os anos não trazem mais!/ Que amor, que sonhos, que flores,/naquelas tardes fagueiras,/ à sombra das bananeiras,/ debaixo dos laranjais!.

Em 1857 retornou ao Brasil para trabalhar no armazém de seu pai. Isso, no entanto, não o afastou da vida boêmia. Escreveu para alguns jornais e fez amizade com Machado de Assis. Em 1859 editou as suas poesias reunidas sob o título de Primaveras.

Tuberculoso, retirou-se para a fazenda de seu pai, Indaiaçu, hoje sede do município que recebeu o nome do poeta, onde inutilmente buscou uma recuperação do estado de saúde, vindo ali a falecer. Foi sepultado conforme seu desejo em Barra de São João, estando sua lápide no cemitério da secular Capela de São João Batista, junto ao túmulo de seu pai.

Espontâneo e ingênuo, de linguagem simples, tornou-se um dos poetas mais populares do Romantismo no Brasil. Seu sucesso literário, no entanto, deu-se somente depois de sua morte, com numerosas edições de seus poemas, tanto no Brasil, quanto em Portugal. Deixou uma obra cujos temas abordavam a casa paterna, a saudade da terra natal, e o amor (mas este tratado sem a complexidade e a profundidade tão caras a outros poetas românticos). A despeito da popularidade alcançada pelos livros do poeta, sua mãe, e herdeira necessária, morreu em 1859 na mais absoluta pobreza, não tendo recebido nada em termos de direitos autorais, fossem do Brasil, fossem de Portugal.

Encontra-se colaboração da sua autoria nas revistas O Panorama (1837-1868) e A illustração luso-brasileira (1856-1859).

É o Patrono da Cadeira nº 6 da Academia Brasileira de Letras, fundada por Machado de Assis.

 

O POETA DA SAUDADE faleceu em Nova Friburgo, em 18 de outubro de 1860.

 

OBRAS:

Fora da Pátria, prosa, 1855

 Minha Mãe, poesia, 1855

Rosa Murcha, poesia, 1855

Saudades, poesia, 1856

Suspiros, poesia, 1856

Camões e o Jau, teatro, 1856

Meus Oito Anos, poesia, 1857

Longe do Lar, prosa, 1858

Treze Cantos, poesia, 1858

Folha Negra, poesia, 1858

Primaveras, poesias, 1859

 

POESIAS E PROSAS

Primaveras, poesias,

prosas e textos de outros sobre

o autor então recentemente falecido (1860)

 

PROSA

Carolina, romance, (1856)

A Cabana (1858)

A Virgem Loura, prosa poética

TEATRO

Camões e o Jau (1856)

 

 

 

LINK DO YOU TUBE:    

https://www.youtube.com/watch?v=eV9n13d38G0



 

Casimiro de Abreu

o poeta da saudade

 

 

Meus Oito Anos

 

Casimiro de Abreu

 

 

Oh! que saudades que tenho

 Da aurora da minha vida,

 Da minha infância querida

 Que os anos não trazem mais!

 Que amor, que sonhos, que flores,

 Naquelas tardes fagueiras

 À sombra das bananeiras,

 Debaixo dos laranjais!

 Como são belos os dias

 Do despontar da existência!

— Respira a alma inocência

 Como perfumes a flor;

 O mar é — lago sereno,

 O céu — um manto azulado,

 O mundo — um sonho dourado,

 A vida — um hino d'amor!

 Que aurora, que sol, que vida,

 Que noites de melodia

 Naquela doce alegria,

 Naquele ingênuo folgar!

 O céu bordado d'estrelas,

 A terra de aromas cheia

 As ondas beijando a areia

 E a lua beijando o mar!

 Oh! dias da minha infância!

 Oh! meu céu de primavera!

 Que doce a vida não era

 Nessa risonha manhã!

 Em vez das mágoas de agora,

 Eu tinha nessas delícias

 De minha mãe as carícias

 E beijos de minha irmã!

 Livre filho das montanhas,

 Eu ia bem satisfeito,

 Da camisa aberta o peito,

— Pés descalços, braços nus

— Correndo pelas campinas

 A roda das cachoeiras,

 Atrás das asas ligeiras

 Das borboletas azuis!

 Naqueles tempos ditosos

 Ia colher as pitangas,

 Trepava a tirar as mangas,

 Brincava à beira do mar;

 Rezava às Ave-Marias,

 Achava o céu sempre lindo.

 Adormecia sorrindo

 E despertava a cantar!

 ................................

 Oh! que saudades que tenho

 Da aurora da minha vida,

 Da minha infância querida

 Que os anos não trazem mais!

— Que amor, que sonhos, que flores,

 Naquelas tardes fagueiras

 A sombra das bananeiras

 Debaixo dos laranjais!



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