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Uma Mulher - Poeta na Academia Brasileira de Letras

Literatura por Diego Mendes Sousa em 2016-03-08 21:41:40

Quedê a Primeira Poeta da Casa de Machado de Assis?

A romancista Rachel de Queiroz foi o primeiro símbolo feminino na Academia Brasileira de Letras, quando tomou posse em 1977.


"Eu acho que a admissão na Academia [ Brasileira de Letras] foi uma vitória dos antimachistas lá de dentro. Eles é que constituíram a maioria pró-mulher e alteraram a interpretação absoleta do regulamento até então mantida. Eu mesma não lutei, e sempre me senti como usurpadora da vitória das amazonas que brigaram. Agora, com a Dinah [ Silveira de Queiroz] na Academia, a justiça vai se estabelecendo. Que venham as outras."

Depoimento de Rachel de Queiroz para a escritora Edla Van Steen.

 

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QUEDÊ A PRIMEIRA POETA DA CASA DE MACHADO DE ASSIS?

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



(A Poeta Lupe Cotrim Garaude, uma das maiores expressões da Literatura Brasileira)

 

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       A poesia abraçou muitas mulheres brasileiras durante o século XX, damas eruditas que redefiniram a linguagem e a alma da Língua. São perfis comoventes e peculiares, de sóis e chuvas, que credenciaram o humanismo na chama das suas vozes clarividentes: Gilka Machado (1893-1980), Cecília Meireles (1901-1964), Adalgisa Nery (1905-1980), Henriqueta Lisboa (1901-1985), Dora Ferreira da Silva (1918-2006), Hilda Hilst (1930-2004), Adalcinda Camarão (1914-2005), Marly de Oliveira (1935-2007), Orides Fontela (1940-1998), Jacinta Passos (1914-1973), Lupe Cotrim Garaude (1933-1970), Helena Kolody (1912-2004), Cora Coralina (1889-1985), Lara de Lemos (1923-2010), Celina Ferreira (1925-2012), Zila Mamede (1928-1985), Leila Echaime (1935-2013), Lélia Coelho Frota (1938-2010), Yêda Schmaltz (1941-2003), Déborah Brennand (1927-2015), dentre outras de olhares diversos e múltiplos. Todas, nomes inatos em permanência.

 

(Dinah Silveira de Queiroz)

 

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(Lygia Fagundes Telles)

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(Nélida Piñon)

 

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(Zélia Gattai)

 

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(Ana Maria Machado)

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(Cleonice Berardinelli)

 

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(Rosiska Darcy de Oliveira)

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       Em sua história centenária, a Academia Brasileira de Letras (ABL) abrigou oito escritoras: Rachel de Queiroz (romancista), Dinah Silveira de Queiroz (romancista), Lygia Fagundes Telles (romancista), Nélida Piñon (romancista), Zélia Gattai (romancista), Ana Maria Machado (romancista), Cleonice Berardinelli (professora e pesquisadora) e Rosiska Darcy de Oliveira (cronista). Nesta conta primacial, falta o primeiro grande nome feminino da poesia brasileira para representar, na Casa de Machado de Assis, a força da mulher Poeta. Quedê?

       Arrisco-me a apresentar, vinte autoras atuais fundamentais, que construíram obras sólidas e expressivas, minadas de imagética e criatividade, que são absolutas em seus destinos com a Palavra, razão maior de suas vidas.

        Do norte ao sul do Brasil, elas levantam dicções díspares, solares ou noturnas, luzeiras ou anímicas, sempre evidenciando claridades de seus corações ávidos de sonho e desejo. Poetas gigantes, singulares, que são aves de voos longínquos e/ou ilhados.

(Astrid Cabral)

 

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(Olga Savary)

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(Lenilde Freitas)

 

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(Myriam Fraga)

 

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(Darcy França Denófrio)

 

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(Lina Tâmega Peixoto)

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(Yeda Prates Bernis)

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       Começo sensibilizado com Astrid Cabral (1936-; cânon: De déu em déu), cuja principal qualidade é ser uma soberana alma do rio, vivente da água doce, de onde extrai suas sendas e alamedas. Sigo o erotismo de Olga Savary (1933-; cânon: Repertório selvagem), paraense, vermelha dos magmas de sua explosão interior. Merece anunciação cuidadosa a paraibana Lenilde Freitas (1939-; cânon: A corça no campo), cujo horizonte plana a sua corça de saltos belíssimos. Da Bahia, vem a encantadora realeza de Myriam Fraga (1937-; cânon: Marinhas), exemplar a cada manifestação de seu lírico universal. Pelo centro do palpitar do país, encontro a formidável metafísica rilkeana de Darcy França Denófrio (1936-; cânon: Amaro mar) e descendo um pouco mais, chegando a Minas, revejo a filosofia alada de manhãs e tecidos desérticos de Lina Tâmega Peixoto (1931-; cânon: Água polida), até cair no mar de cantos e assombros de Yeda Prates Bernis (1926-; cânon: O rosto do silêncio).

(Stella Leonardos)

 

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(Margarida Finkel)

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(Renata Pallottini)

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(Eunice Arruda)

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(Dirce de Assis Cavalcanti)

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       Do Rio de Janeiro, na vida acelerada de suas paisagens paradisíacas, miro o vulto emblemático de uma Stella Leonardos (1923-; cânon: Geolírica e outros 249 títulos de alta vocação) ou a finesse do amor incansável de uma Margarida Finkel (1929-; cânon: No tear dos ventos). Mas quero o absinto das palavras recolhidas na visão de Renata Pallottini (1931-; cânon: Arcos da memória); as pequeninas peças de uma inspiração incomum nos átomos de Eunice Arruda (1939-; cânon: É tempo de noite); e o mel de pelagens da paranaense Dirce de Assis Cavalcanti (1932-; cânon: O livro dos mistérios), a escultora Daja, corpórea no sangue e na glória, uma voz renascida.

 

(Adélia Prado)

 

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(Maria Carpi)

 

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(Maria de Lourdes Hortas)

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       Como a memória é uma inscrição de Deus e os símbolos, um tapete da fé, por que não sagrar Adélia Prado (1935-; cânon: Bagagem)? E sobre a beleza geral da dor de Maria Carpi (1939-; cânon: A força de não ter força), essa pampiana de luz, lateja as esfomeadas sementes do extraordinário. E na atmosfera de um atlântico de infâncias e lembranças, entrego a tecelagem extremamente literária de Maria de Lourdes Hortas (1940-; cânon: Relógio d’água), portuguesa mais pernambucana que conheço.

(Alice Ruiz S)

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(Denise Emmer)

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(Maria Lúcia Dal Farra)

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       Se a contenção é uma forma de alumbramento, leio sempre os silêncios de Alice Ruiz S (1946-; cânon: Navalhanaliga); e navego na lua imaginária de Denise Emmer (1958-; cânon: O inventor de enigmas), que ilumina o céu de Ipanema ou do Irã; e as frutas e os legumes de Maria Lúcia Dal Farra (1944-; cânon: Livro de auras), que experimentam formas novas de dizer o perecível nos poemas.


(Leonor Scliar-Cabral)

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      Estudiosa, alfabética e preliminar a cada raio de sua inteligência é Leonor Scliar-Cabral (1929-; cânon: Sagração do alfabeto).

      Proponho ao leitor destas linhas, que sugira mais um nome de elegância e essência (Maria José Giglio, Lya Luft, Vera Pedrosa, Leila Míccolis, Raquel Naveira, Dalila Teles Veras, Vera Lúcia de Oliveira, Carolina Ramos, Terêza Tenório, Lourdes Sarmento, Alice Spíndola, Márcia Theófilo, Marita Vinelli, Lucila Nogueira, Mirian de Carvalho, Janice Japiassu, Rita Moutinho, Thereza Christina Rocque da Motta, Cláudia Ahimsa, Maria Lúcia Alvim, Ana Miranda, Mariana Ianelli, Sonia Sales, Angélica Torres Lima, Maria Helena Chein, Neide Archanjo, Regina Lyra, Aglaia Souza, Anna Guasque, Cláudia Roquette-Pinto, Elisa Lucinda, Viviane Mosé, Elisa Flores, Edda Farjat, Messody Benoliel, Helena Parente Cunha, Marcia Barroca, Yone Giannetti Fonseca, Amélia Alves, Adélia Maria Woellner, Juju Campbel, Silvia Jacintho, Carmem Moreno, Mônica Montone, Larissa Loretti, Marina Colasanti, Suzana Vargas, Hilma Ranauro, Angela Melim, Elisabeth Veiga, Helena Ortiz, Léa Madureira Lima, Beatriz Helena Ramos Amaral, Elizabeth Hazin, Elis Vieitez Lisboa, Graça Roriz Fonteles, Débora Ventura, Glória Fontes Puppin, Juçara Valverde, Lucinda Persona, Graça Graúna, Maria da Conceição Paranhos), porque tenho pleno medo de ser injusto.

 

     Caberá aos quarenta admiráveis imortais da nossa Academia Brasileira de Letras - em uma oportunidade futura - dignificarem o seu nobre lar, com a lucidez de uma dessas Poetas originais, que transcrevo resoluto e fiel à pena que constantemente releio, coração comovido, que se amplia.

 

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Minuta de Diego Mendes Sousa


P.S: Este artigo foi escrito em setembro de 2015, quando Myriam Fraga (1937-2016) ainda era viva.

     

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