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EVITANDO OS CARUNCHOS DA CONVIVÊNCIA

Geral por Sandra Hasmann em 2016-03-11 15:36:38


E eis que nosso Brasil segue em "berço esplendido", porém  entre turbilhões de ocorrências que nos deixam a todos num misto de indignação, vergonha e medo... 

É tudo tão surreal ("coisas jamais antes vistas por aqui"), que  a cada plim plim dos noticiários paro estarrecida, à espera de mais algum absurdo nesse circo de horrores que virou a nossa política, o governo (e não o chamem de nosso, pois não é! É deles, dos ladrões, salafrários!!), relegando a Pátria a um patamar lastimável e vergonhoso no cenário mundial.

Todo mundo vira técnico de futebol  na Copa do Mundo, e seria inevitável não protagonizarmos o papel de comentaristas/cientistas  políticos num cenário como esse. Ouvimos - e dizemos!! - coisas  que na maioria das vezes procedem, afinal a baderna  está aí, escancarada e sem disfarces, e só não vê quem é cego ou retardado (lembrei do proverbio que diz que "em terra de cego, quem tem um olho é rei"... Será que quem não tem um dedo, também?!). Inevitáveis também as manifestações de intolerância, agressividade, oportunismo, e refiro-me àqueles que precisam expressar sua inata covardia, estupidez, ignorância, e acabam aproveitando situações como essas para dar vazão à sua irracionalidade.

Confesso que estava a um passo de um mais que justificado "ataque de nervos" por conta do contexto político atual, quando recebi do prezado amigo, o Prof. José Pereira da Silva, um texto que levou-me a uma  mais que oportuna reflexão, e eu não poderia deixar de compartilhar com os prezados amigos. 

Nesse texto o Prof. José  nos dá um banho de ponderação. Confiram e, que tais palavras sejam o nosso "tom" nesse sábado, 13 de março, em que estaremos nas ruas reivindicando nosso direito de ver cumprirem-se as leis que pautam a ética e o decoro - fundamentos de qualquer  sociedade civilizada.


"Temos abundante consciência de que, em nossas conversas, muitas vezes introduzimos temas que afetam outras pessoas: -“Sabe o que aconteceu a fulano? Sabe o que me disseram de beltrano?”. E começamos a fazer comentários sem estar seguros do que dizemos, e na ausência da pessoa afetada.

Fazemos em cacos a fama dessa pessoa, e incorremos contra o oitavo mandamento, que nos diz: “Não levantarás falsos testemunhos nem mentiras”.

Tão bem nos faria a todos cuidar mais da nossa língua, e não falar mais do que o essencial. E seria muito bom, o que nem sempre é fácil, comentar mais as coisas boas dos outros, e felicitá-los por isso.

Que conselho tão sábio deu, no seu tempo, o filósofo grego Sócrates, a um amigo que o abordou um dia, dizendo-lhe: 

 _“Sabes o que ouvi sobre o teu amigo”? 

 _ “Espera um momento – replicou Sócrates -, antes de me falares sobre o meu amigo, pode ser uma boa ideia filtrar três vezes o que vai dizer. Por isso chamo-o o exame do triplo filtro. O primeiro filtro é a verdade. Estás absolutamente seguro de que o que vais dizer-me é certo?"

 "Não – disse o homem -, na realidade ouvi falar sobre isso e"...

 - "Bem - disse Sócrates-, então não sabes se é certo ou não. Permite-me agora aplicar o segundo filtro, a bondade: é algo bom o que me vais dizer sobre o meu amigo"? 

-"Não – disse o homem -, pelo contrário".

 - "Então – respondeu Sócrates – deseja dizer-me algo de mal sobre ele, e não estás seguro de que   certo (verdadeiro). Mas ainda assim poderia querer ouvi-lo... Só que me falta o terceiro filtro, o da utilidade: serve-me de alguma coisa saber o que vai dizer-me do meu amigo"?

 - "Não – disse o homem -, a verdade é que não".

 -"Bem – concluiu Sócrates -, se o que deseja dizer-me não sabe se é certo, nem é algo de bom e inclusivamente não é algo útil para mim, para que haveria de querer sabê-lo"?

 Desta forma Sócrates cortou o comentário que pretendiam dizer-lhe sobre o seu amigo. Bonita maneira de cortar uma corrente tão perniciosa de comentários, de questiúnculas sobre os outros.

Que bom é saber vencer o escárnio sobre as coisas dos outros! Que bom é não ouvir esses comentários nem os propagar! Se o praticássemos, seguramente a convivência entre famílias e entre vizinhos seria muito mais harmoniosa. Evitar críticas e murmurações, pois são como carunchos da convivência.

Tomemos esse compromisso de não ouvir, de não propagar tudo aquilo que não sabemos se é certo, se não é algo de bom nem útil para nós. Devemos melhorar nossos ambientes de convivência".


*JOSÉ PEREIRA DA SILVA  é professor e pesquisador. Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Academia Soberana Brasileira de Artes do Estado do Rio de Janeiro, da qual é comendador; da Academia Taubateana de Letras, cadeira 22; da Academia Marial  do Santuário Nacional de Aparecida. Articulista de jornais, com artigos em livros, coletâneas e revistas especializadas em história, literatura, filosofia e teologia.      

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