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2016 - Ano Iluminado

Literatura por Diego Mendes Sousa em 2016-03-24 22:04:53

Celebrações Literárias de 2016 - Personalidades Brasileiras Vivas

Cleonice Berardinelli comemora 100 anos de vida

Este é o primeiro postal de celebrações literárias de 2016 com personalidades brasileiras vivas, que fazem do humanismo, uma bandeira solar para as presentes e as futuras gerações do nosso país, tão precário de memória e respeito para com os seus luminares.

Nesta página, festeja-se Cleonice Berardinelli (1916-), Thiago de Mello (1926-), Carlos Heitor Cony (1926-), Yeda Prates Bernis (1926-), Astrid Cabral (1936-), Domício Proença Filho (1936-), Alfredo Bosi (1936-), Darcy França Denófrio (1936-) e o profeta Belchior (1946-).

 

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100 ANOS DA ESTUDIOSA CLEONICE BERARDINELLI

 

À Cleonice

   Pouco te importe o meu nome.
   Não vale nada.
   E nada que é, se consome
   E apaga. Aqui
   Vale apenas, enlevada,
   A alma que deixo ajoelhada
   E a Deus, lembrando o teu nome,
   Reza por ti
                                                    

                                   Alberto de Oliveira
                                   S. Paulo, 16 de Março de 1926

 

A menina ficou encantada e encantada continua quando lembra os dois breves encontros com o Poeta. E nem podia prever, àquele tempo, que, mais de oitenta anos depois, se sentaria numa cadeira nº 8, de que ele era o Fundador e que poderia chamá-lo, com imenso carinho: “Meu caríssimo confrade.”

 

Trecho do discurso de posse de Cleonice Berardinelli na ABL

 

 

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90 ANOS DO POETA THIAGO DE MELLO

 

Estou e sou nos meus livros,

nada mais tenho a dizer.

A não ser as redondilhas

que se desprendem de mim

e já faz tempo me pedem

um lugar perto do fim…

Diz coisa demais na vida,

Que nem dá para contar.

Mas de todas, guardo o gosto

Do que eu quis tanto e não tive

Acerto contas com quem?

Comigo. Quero sentir

Se o resultado serviu

Aos outros. E a mim também….

… Por isso que não me espanto

Quando se ergue do meu peito

Límpido canto de criança,

Me instigando que é preciso

Manter a perseverança

Na luta que não tem fim.

 

 

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90 ANOS DO ROMANCISTA CARLOS HEITOR CONY

 

“Sei que a história existe, está escrita e inscrita em minha carne”

 

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yeda

90 ANOS DA POETA YEDA PRATES BERNIS

 

Depois da chuva,
a penumbra visita a sala.
Um mistério sobrevoa o ambiente.

Não é tarde nem é noite,
avisam os vidros das janelas.

O silêncio se esconde
entre móveis e lembranças.

A alma desce os degraus dos dias,
procura a infância,
quer abraçar, dar carinho esquecido.
E um véu de espessas brumas
oculta o que hoje
é um claro esquecimento.

 

 

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80 ANOS DA POETA ASTRID CABRAL

 

Juntos urdimos a noite
mais seu manto de trevas
quando as paredes recuam
discretas em horizontes
de além-cama e num espaço
de altiplano rolamos
nossos corpos bravios
de animais sem coleira
e juntos acendemos o dia
em cachoeiras de luz
com as centelhas que nós
seres primitivos forjamos
com a pedra lascada
dos sexos vivos.

 

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80 ANOS DO POETA DOMÍCIO PROENÇA FILHO



Poeta
profissão de risco:
tanger palavras
cúmplices do jogo
no abismo misterioso
do sentido
arisco.

Arrisco.

 

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80 ANOS DO CRÍTICO LITERÁRIO ALFREDO BOSI

 

"Que me sirva de alavanca teórica esta premissa: em todo texto literário podem-se reconhecer três dimensões – a obra é construção, a obra é expressão, a obra é representação.

As Memórias Póstumas foram escritas em um estilo propositadamente livre. Machado quis inscrever-se na tradição de uma prosa conscientemente diversa dos modelos tradicionais. A sua confessa inspiração deve-se a Diderot, a Sterne, a Garret. E os eruditos remontam ao satírico e parodista Luciano de Samósata, cujos diálogos se encontraram na biblioteca do nosso bruxo."

 

 

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80 ANOS DA POETA E CRÍTICA DARCY FRANÇA DENÓFRIO

 

No reverso, a história de meus versos.
No avesso, a pura canção de gesso,
que se sustenta no azul da lenda,
no equilíbrio do fio que (entre)teço. 

Na superfície, a frauta noturna
de sustenidos ais e bemóis.
Na superfície, a fraude fria
e a neblina sobre mil lençóis. 

É no fundo d’água, nos peraus,
que moram os peixes de meu rio.
É no remanso que alguma iara
sempre se esquiva solitária. 

De repente, o susto da cilada,
um anzol recurvo - aço e isca - 
mas os meus peixes não se entregam,
apenas provam de leve, triscam.

 

 

 

 

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70 ANOS DO POETA - PROFETA BELCHIOR

 

Quando eu não tinha o olhar lacrimoso
Que hoje eu trago e tenho
Quando adoçava o meu pranto e o meu sono
No bagaço de cana de engenho
Quando eu ganhava esse mundo de meu Deus
Fazendo eu mesmo o meu caminho
Por entre as fileiras do milho verde que ondeiam
Com saudades do verde marinho
Eu era alegre como um rio
Um bicho, um bando de pardais
Como um galo, quando havia
Quando havia galos, noites e quintais
Mas veio o tempo negro e a força fez
Comigo o mal que a força sempre faz
Não sou feliz, mas não sou mudo
Hoje eu canto muito mais


 

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Minuta de Diego Mendes Sousa

 

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