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Luiz de Miranda - A Grande Voz Gaúcha

Literatura por Diego Mendes Sousa em 2016-03-26 21:54:19

Rumos do Fim do Mundo (2015) de Luiz de Miranda

Poeta Luiz de Miranda

Rumos do Fim do Mundo (2015) é a obra que festeja os 70 anos de vida do grande Poeta brasileiro Luiz de Miranda (1945-), gaúcho de Uruguaiana, extremo sul do Brasil.

Cultuado por importantes nomes da nossa Literatura como Gerardo Mello Mourão, Antonio Olinto, Raul Bopp e Orígenes Lessa, Luiz de Miranda chega ao seu quadragésimo livro de poemas com elementos novos, de singular poética, iluminado por um Galeão Azul, que contamina de beleza as suas palavras, os seus rumos introspectivos ao fim do mundo, guiado sempre por seu cão e por seu cavalo, mitos antigos e metafóricos do seu próprio universo mágico.

A poesia de Luiz de Miranda é sobretudo, sensibilidade, emoção contida desde a infância, lembrança de rio ou mar, no vasto horizonte dos muitos e muitos caminhos que enevoam a alma de sonhos e tormentos, solidões e friagens, infinitos.

Dividida em catorze cantos, Rumos do Fim do Mundo dignifica o seu autor. Versos largos, sentimentais, banhados de dor e mistério, amor e revelação, ressaltam a força do canto, marcado de tons cinzentos e perdidos.

Rumos do Fim do Mundo atesta a competência e a maturidade de Luiz de Miranda, que é um dos mais profundos líricos de toda a poesia brasileira. Poeta forte, balaústre de uma Literatura magnífica.

Identifico-me com Luiz de Miranda, porque na sombra do poeta maldito, carregamos ainda a alma escura.

 

Saio pela porta dos fundos,

saio rápido e pego o meu cavalo

o fim do mundo está muito longe.

Sou homem sem fronteiras

e já levanta minhas bandeiras

desfraldando a pampa,

nas patas do meu cavalo,

minha origem

e minha pátria.

Tenho um horizonte largo

pela frente

e alerta estão

meus cinco sentidos

para que cheguem rápido

à beira do mar,

e de lá pego o Galeão Azul

e dobro destino

no fim torto das águas,

sei que o mundo é de todos

os que põem os pés

nas distâncias mais ferinas,

que venho de onde brota o trigo

e tenho como amigo mais antigo

o vento que levanta

o lençol do céu,

cravejado de brilhantes,

como a boca da amante

que se veste de aurora

e desenha um mapa

não sabido

para a solidão

e o mistério dos segredos.

Não há medo,

onde caminho

sou sozinho,

mas vou mais longe

com a esperança

eivada de meus sonhos.

 

===

 

Apeio do meu cavalo

em meio à alta serração,

piso a grande geada

com minhas botas

de couro puro

e vejo que as distâncias

ainda são infinitas

nestes rumos do fim do mundo.

Meu cão sofre mais,

mas segue adiante

me acode todo o tempo

e não reclama do frio intenso,

ainda que o inverno é nosso andar

nesse patrimônio de nossas almas,

olho o longe e as miragens

é para lá que vai minha viagem.

Não retorno no que penso

é aquilo que vibra no poema,

escondido nas palavras secretas.

Vem que a festa

vai continuar,

só me resta estas canções no ar,

falando de paixão,

leve perfume

no lume alto

da última estrela.

Amar é perder-se

nos lenhos do amor,

é sofrer e andar

no mesmo beijo,

em doloroso desejo

que emite sempre

em tua pele,

luz onde ventila

nosso encontro,

pronto para renascer,

o que te dei

no começo de tudo,

o que permanece

até agora

entre nossas mãos,

antes que chegue a aurora.

 

====

 

Converso comigo

neste final de tarde

de um dezembro amargo

e compreendo as ausências

que me cercam

há tanto tempo.

Possuo haveres

e vou em busca deles

na agilidade dos dias

que conhecia

a saudade e o desamor,

enquanto não chega

o turvor da noite.

Palpito na fronteira,

onde o outro lado é a Argentina,

flor menina dos meus amores,

onde vivi vinte e um anos

sem os rigores da lei da solidão,

onde não tardam os meus sonhos

de quem com luta fere

o alto moinho da linguagem,

na aragem doce da esperança,

onde me leva a mão de uma criança.

 

====

 

Não tenho medo de nada,

atravesso os cometas

                                noturnos

da agonia e do desapego

com um farol

da minha aldeia

que ilumina

                  o inimigo,

onde atiro uma bala

                            certeira.

Sobrevoo o mundo

que me deram,

o outro eu invento

com a força

da minha pena,

valente e augusta,

que escuta

a voz encantada

que vem do céu,

que é este manto

que envolve

e me manda para o futuro.

Aqueles olhos azuis

que me deram luz

na juventude

nunca mais encontrei.

Com certeza, não

os reconheço

na multitude

que se torna

um coração esquecido,

perdido nos envelopes

que o destino

não conseguiu entregar.

(Luiz de Miranda e Diego Mendes Sousa)

 

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OUTRAS VISÕES SOBRE LUIZ DE MIRANDA

Disse Ferreira Gullar:

A poesia de Luiz de Miranda fala de nós todos.

 

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Disse Lygia Fagundes Telles:

Luiz de Miranda, Poeta Maior.

 

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Disse Carlos Heitor Cony:

Luiz de Miranda tem a melhor Fortuna Crítica do país.

 

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Poemas de Luiz de Miranda

Minuta de Diego Mendes Sousa

 


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