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Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon

Literatura por Diego Mendes Sousa em 2016-03-26 22:11:57

Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon: Grandes Escritoras do Brasil

O abraço recente entre Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon

Lygia Fagundes Telles e Nélida Piñon são duas expressões femininas do Brasil de extraordinária verve ficcional. Lygia, a contista cujo brilhantismo é notório desde as primeiras horas, autora do marcante Seminário dos Ratos, e Nélida, essa formidável romancista, escriba do celebrado A República dos Sonhos, obra erudita de enorme fôlego criativo e  épico.

 

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Nélida Piñon (Carioca, nascida em 1937):

 

"Se você for analisar, o trato que a crítica ensaística e que o leitor dedicam à mulher é inferior ao que dedicam ao homem. Ao homem, basta escrever um bom romance para ser aprovado, às vezes um romance médio. Uma mulher, para ser tida como grande escritora, precisa fazer uma grande obra e, mesmo assim, não terá tantos leitores quanto os homens. É verdade. Não há na sociedade brasileira um interesse profundo pela produção da mulher. Como se o que a mulher pensa fosse alguma coisa que pudesse ser naturalmente desqualificada, ou como se fosse uma estética edulcorante, adocicada."

 

 

"A minha posição é a de quem olha o horizonte humano e recolhe o que há de disponível. Vou fazer a grande filtragem através da história que conto e através da escritura, da coisa mais mágica que é a linguagem. A linguagem é o grande ditame. Agora você, sendo mulher e, portanto, alguém egresso de um mundo obscuro, de um mundo marginalizado, de um mundo doméstico sem maiores perspectivas criadoras, e sendo também alguém que chegou muito recentemente ao mundo da cultura — porque essa é a verdade, até bem pouco tempo atrás, muitas mulheres eram analfabetas —; sendo tudo isso, você ganha na sua psique, porque toda psique humana é arqueológica. Ao longo dos milênios, a mulher esteve presente em todos os instantes da história, embora posta de lado. Mas ela recolhia pedaços, e com eles, com essas sobras, precisou intensificar a invenção para completar o que lhe faltava. Então, tendo esses resíduos em sua memória, e que são excepcionais, ela também guarda nas suas idiossincrasias, em seu repertório pessoal, aquela noção de que foi segregada. E esse elemento é muito interessante para a ficção. Porque você vai colocá-lo dentro do texto. Cada ser enriquece seu texto com sua experiência pessoal, com a experiência da sua língua, com a experiência do seu país, com a experiência do seu tempo. Tudo isso faz com que o seu texto se distinga. E o texto da mulher pode ter, em suas entranhas, essas novidades arqueológicas."

 

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Lygia Fagundes Telles (Paulista, nascida em 1923):

 

"A beleza me consola, me socorre, me acolhe, me move de todas as maneiras."

 

“É preciso amar o inútil, porque é no inútil que está a beleza”

 

 

 

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Minuta de Diego Mendes Sousa

 

 

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