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A URGÊNCIA DE HUMANIZAR A SOCIEDADE

Geral por Sandra Hasmann em 2016-04-01 22:51:42

Para uma oportuna reflexão nesse início de mês, convido-os a ler mais um belíssimo texto do Prof. Dr. José Pereira  da Silva.
Uma ótima leitura a todos!

- Sandra Hasmann -


"Humanizar a sociedade é responsabilidade de todos. A humanidade vive uma crise existencial. Há imprescindibilidade de uma educação enquadrada em paradigmas diferentes e, de modo particular, a urgência de um estilo de vida sóbrio, o que exige ruptura com alguns hábitos. É preciso uma sociedade nova, uma sociedade que se renove alicerçada em outros paradigmas.

A humanidade passou por variadíssimas situações de crise. Todas elas tiveram uma matriz peculiar. Hoje se acentua, e com verdade, a dimensão econômico-financeira. A economia tem a ver com as necessidades, com os bens e com o dinheiro, mas a sua principal finalidade está para além deles. Serve, antes de tudo, para pesar a convivência, revelando e suscitando o interesse pelo outro.

Associado à convivência humana, a economia torna-se assim um lugar de aliança, e não só de contrato; um lugar de confiança, e não só de estratégia; um lugar de utopia e não só de técnica.

Aliar o divino com o humano, o espiritual com o material, poderá ser a concretização da utopia de um mundo construído por homens e mulheres novos, nesta consciência e vivência de pertencerem à família humana onde as relações são de fraternidade, gratuidade e generosidade.

A ideia da humanidade como corpo, experiência da família e da comunhão, basta para contribuir para torná-la fonte geradora de uma sociedade nova, porque mais humana.

A urgência de humanizar a sociedade, colocando-se diante de um humanismo de relação, poderia dar a entender tratar-se de um trabalho de alguns peritos. A palavra chave em questão é corresponsabilidade. Não há sujeitos e destinatários. Todos devem ser sujeitos, dando vida a uma participação ativa ou a uma cidadania responsável com atitudes e comportamentos marcados pela presença na sociedade, pela vontade de conhecer e pela responsabilidade de denunciar as situações desumanizadoras pessoais e alheias.

Se todos são sujeitos, ninguém pode ser mero objeto que recebe sem nada dar, num assistencialismo que não dignifica ninguém. Os mais fragilizados não podem ficar a margem da comunidade humana.

Devem integrar-se e fazer ver, nunca por oportunismo ou aproveitamento egoísta, a situação em que se envolveram ou para a qual se viram empurrados, por culpa própria ou pela habilidade desrespeitadora dos direitos humanos.

Todos tem um tesouro que a humanidade deve descobrir. Para isso, esta necessita da sua manifestação para acordar da inércia, ou para incomoda-la pelos oportunismos de alguns que sabem explorar, mesmo sem olhar os meios. A obrigatoriedade é de todos e ninguém é incapaz.

 O caminho de humanizar a sociedade se dá através da responsabilidade de todos, incluindo os mais vulneráveis, perpassa todos. No dever de humanizar a sociedade como tarefa de cada um, devemos ousar acreditar na possibilidade e na urgência de um novo modelo de sociedade.


*JOSÉ PEREIRA DA SILVA   é professor e pesquisador na área de História, Teologia, Filosofia e Literatura. Doutor em História Social pela Universidade de São Paulo (USP). Membro da Academia Soberana Brasileira de Artes do Estado do Rio de Janeiro, da qual é comendador; da Academia Taubateana de Letras, cadeira 22; da Academia Marial  do Santuário Nacional de Aparecida. Articulista de jornais, com artigos em livros, coletâneas e revistas especializadas em história, literatura, filosofia e teologia.      

                                            

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