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O Poeta na Primavera da Madureza

Literatura por Diego Mendes Sousa em 2016-04-03 22:40:08

O Poeta na Primavera da Madureza - Diego Mendes Sousa

Diego Mendes Sousa nasceu na Parnaíba, costa norte litorânea do Piauí

Desde menino, viveu a solidão. No meio de parentes, amigos, sala de aula, sempre social, mas guardava seus tempos de si: solidão do aprendiz pela palavra, do desenvolvimento da sensibilidade pelos sons da escuta, pelas cores do ver. Claustro de absorção do mundo pela Arte, os muitos artistas, as muitas artes. Uma solitudine ansiada, buscada, desejada, criadora. Tempo de todos os autores, todos os poetas, compositores e pintores, Deuses e Anjos. Sem lugar para demônios. E nasceu uma poesia para si mesmo, poética de estranhamento do leitor; de fruição para poetas, também estranhados. Dezesseis anos, o menino era poeta, capa de livro, depois mais dois livros e a ansiedade de ser conhecido. Veio Amor: solidão mudou de tons. Vieram viagens; conhecimento de mundos; contemplação; mágoas; entristecimentos e a solidão do poeta-amante conheceu profundezas. Tempo passou-se. Acabada a aprendizagem das Artes, Rilke prevaleceu. A  Poesia firmou-se. Com títulos menos densos e outra visão de mundo. Seus títulos mais novos: Alma Litorânea; O Viajor de Altaíba; Gravidade das Xananas; Tinteiros da Casa e do Coração Desertos. É o poeta hoje, capaz de ver florinhas e nelas encontrar os reflexos da alma, alma sofrida, que fora (antes) metafísica, metalinguística, metametáfora.

Apresentação e Seleção de Benjamim Santos

 

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ENSINAMENTOS SOBRE A SOLIDÃO

Para Lourdes Sarmento

 

 

Toda xanana tem compostura,

breve atrativo de seriedade,

que gravita no coração da terra

na força suave da claridade

de um raio talhadiço e baixo

e detrás da simplicidade

desse mato litorâneo,

pós chuvas nervosas,

existe a solidão mais grave

que os nevoeiros de Londres

que o sol a pino na Parnaíba,

onde as xananas são corpos,

onde a fêmea é a xanana,

onde o isolamento é potestade

e o macho é outra xanana.

 

Ah, xananas mundanas!

recolhidas nas manhãs.

 

 

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ENSINAMENTOS SOBRE A MORTE

Para Cunha de Leiradella

 

 

Ó Alma,

 

Atendemos

ao chamado

afoito Dele.

 

É hora passageira

para o espanto nosso.

 

Ó Pai,

temo a mais próxima escolha

dos espíritos soberanos

do Teu reino escondido -

        viagem de mil procelas

e nenhuma certeza -

porque sou pedra viva

nessa muralha divagada

de dores

 

E não sei se ressuscito

na encruzilhada diáfana

do eterno

 

 

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PREDICATIVO DOS DEUSES

Para Rafael Sânzio de Azevedo

 

 

A memória é uma viagem

e ninguém se opõe ao destino

predicado pelos deuses

da devastação

 

Partir é desarmar a navalha

do tempo destrutivo

que os antepassados ventilavam:

 

“Sempre fugir

e não revolver

para morada alguma”

 

 

E todos os ventos marejam:

 

 

“O destino é um selo

eterno de viagem

em viagem desatinada

na velocidade do coração

entristecido”

 

 

De Gravidade das Xananas (2015)

 

(Xananas que brotam na claridade da Parnaíba-PI)

 

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O VIAJOR

Para Affonso Romano de Sant’Anna    

 

Coloquei a bagagem no dorso do meu destino

Disseram: Não vá!

Eu fui armado

na fé

de viajor de sonhos

e passageiro caminhante e andarilho

nos trilhos de meu trem descompensado

 

Viajante de ligeiros passos

eu estou na velocidade

do interior de vento

 

e alimento

nos sinais da alvorada

a bela ramagem

nas almas pesadas

na rota da vida sombria:

 

a viagem de solitários traços!

 

 

Meu misterioso passar

com os pés no escuro

 

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O RADAR

Para Lygia Fagundes Telles

 

Esse mediterrâneo sem nome

O coração de acesso à fronteira

do amor

o mapeamento da paragem

de som e alerta

 

O radar da procura

O laço da estrada

A roda e a ciranda

 

O mediterrâneo inominado

é o Tempo

 

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O PORTO

Para Renata Pallottini

 

Como um casulo estrangeiro

estou no ninho de pássaros

aberto ao continente

e ao sagrado de um voo

 

O poeta é ave

e o porto é escuro

 

não se conhecem

o trovador

e o suposto rasante

 

 

De O Viajor de Altaíba (2013)

 

(Parnaíba-PI)

 

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Poemas de Diego Mendes Sousa

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

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