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Dinovaldo Gilioli

Literatura por Selmo Vasconcellos em 2016-04-15 12:44:11

                

 

Dinovaldo Gilioli — nasceu em Leópolis/PR, 1957, morou em Curitiba e reside há mais de 30 anos em Florianópolis – SC. Formado em Ciências Contábeis, com especialização em Realidade Brasileira e pós graduação em Dinâmica dos Grupos. Quando diretor do Sindicato dos Eletricitários de Florianópolis – Sinergia e ativista cultural coordenou concursos literários de conto e poesia promovido pelo Sinergia, em nível estadual, e várias atividades nas áreas de cine-vídeo, dança, teatro e música voltadas aos trabalhadores eletricitários e comunidade de Florianópolis. Foi um dos vencedores do 5º concurso de poesia Helena Kolody no Paraná e de outros concursos literários em diversos estados, o que propiciou a inclusão de seus poemas em mais de 20 antologias. Publicou os livros Fragmentos (edição do autor, 1982/5), Hálito de Água (Fundação Cultural de Curitiba, 1989), Borboletas no Varal e Canção para Acordar Peixes (Editora Letras Contemporâneas, 1996/7), Sindicato e Cultura (Sinergia e Editora Insular, 2007) e Cem poemas (Editora da UFSC, 2008). Possui artigos em jornais e revistas do país, principalmente alternativos. Foi editor da revista Pantanal, publicada pela Elase, divulgando trabalhos de poetas e contistas de todo país. Realizou com o artista plástico Schneider o projeto Arte e Poesia e com o artista plástico Marcelo Pagliarim, o projeto O Silêncio Arde, expondo em Santa Catarina, Rio Grande do Sul e no Paraná.

Selmo Vasconcellos – Quais as suas outras atividades, além de escrever?

Dinovaldo Gilioli – Trabalhei mais de 40 anos e agora estou aposentado. Além de escrever poemas e artigos; leio, cozinho, lavo louças, ajeito a casa, lavo roupas, namoro, passeio, faço caminhadas (do quarto da minha casa até a cozinha e da cozinha até o quintal), frequento assiduamente atividades culturais. Enfim, contemplo a natureza e suas espécies, celebro a vida, curto a família, os amigos e os seres humanos em geral. Até porque, ninguém deve ser de ferro!

Selmo Vasconcellos – Como surgiu seu interesse literário?

Dinovaldo Gilioli – Li muito pouco na infância e na adolescência, a não ser os livros obrigatórios exigidos pela escola. Na minha casa, não se tinha o hábito de ler. Durante a adolescência, observando o cotidiano, a natureza, as pessoas e suas ações, comecei a rabiscar algumas palavras. Mas o gosto e interesse literário vieram na juventude, já frequentando faculdade em Curitiba/PR, onde foi publicado meu primeiro poema, em 1980, no informativo da FAPESC (Fundação de Estudos Sociais do Paraná). Acredito que a observação, aliada a sensibilidade e a um maior grau de leitura, tenha sido a propulsora desse processo.

Selmo Vasconcellos – Quantos e quais os seus livros publicados?

Dinovaldo Gilioli – Seis livros: Fragmentos (edição do autor, 1982/5), Hálito de Água (Fundação Cultural de Curitiba, 1989), Borboletas no Varal e Canção para Acordar Peixes (Editora Letras Contemporâneas, 1996/7), Sindicato e Cultura (Sinergia e Editora Insular, 2007) e Cem poemas (Editora da UFSC, 2008). Em função de premiações literárias, tenho poemas inclusos em mais de 20 antologias. Possuo artigos em jornais e revistas do Brasil, principalmente alternativos. Fui editor da revista Pantanal, publicada pela Elase, divulgando trabalhos de poetas e contistas do país.

Selmo Vasconcellos – Qual (is) o (s) impacto(s) que propicia(m) atmosfera(s) capaz(es) de produzir poesias?

Dinovaldo Gilioli – O cotidiano, a vida, em si, com suas alegrias e tristezas, vitórias e derrotas; as contradições de uma sociedade, onde poucos têm muito e muitos têm pouco. O ser humano é a matéria, é a essência e razão da minha produção literária. Escrever pode também ser o ato de exorcizar silêncios, de expor feridas, de falar de amor e de dor – sem perder o senso crítico, a ternura, a criatividade; sem se distanciar do comprometimento com um mundo melhor, que propicie oportunidade de vida digna para todos. Neste sentido, a literatura pode servir de fermento, de alerta, de alento. A literatura pode contribuir para o despertar de uma visão mais aguçada e ajudar na compreensão do mundo e dos seres humanos. Como escritores, devemos nos perguntar sempre: Para quê e para quem estamos produzindo literatura?

Selmo Vasconcellos – Quais os escritores que você admira?

Dinovaldo Gilioli – Manoel de Barros, Clarice Lispector, Vinicius de Moraes, Guimarães Rosa, Paulo Leminski, Oswald de Andrade, Hilda Hilst, Drummond, João Cabral de Melo Neto, Manuel Bandeira, Mario de Andrade, Thiago de Mello, Antonio Candido, Cora Coralina, Mario Quintana, Cecília Meirelles, Florestan Fernandes, Leandro Konder, Gregório de Matos, Lygia Fagundes Telles, Cruz e Sousa, Virgílio Várzea, Lindolf Bell, José Paulo Paes, Rubem Alves, Alice Ruiz, Patativa do Assaré, Ferreira Gullar, Eduardo Galeano, Augusto de Campos, Fernando Pessoa, Ezra Pound, Julio Cortázar, Gaston Bachelard, Mia Couto, Charles Baudelaire, Edgar Alan Poe, Pablo Neruda, Antonio Gramsci, Garcia Lorca, Clifford Geertz, Mallarmé, Raymond Willians, José Martí, Gabriel Garcia Márquez, Walt Whitman, Maiakovsky, Kafka, Jorge Luis Borges, Bashô, Miguel de Cervantes, Bukowski, Arthur Rimbaud, Paul Celan, Istvám Mészáros… Admiro também o trabalho dos poetas “alternativos” do Brasil, e aqui destaco apenas dois – dentre tantos outros, para que a leitura desta relação fique menos chata: Leila Míccolis e  Tanussi Cardoso.

Selmo Vasconcellos – Qual mensagem de incentivo você daria para os novos poetas?

Dinovaldo Gilioli – Leiam bastante! Um bom texto ajuda a melhorar a percepção sobre a literatura e a aprimorar a escrita.  Partilhem, dialoguem com outros escritores sobre a sua e a produção literária deles, estejam abertos a elogios e também a críticas. Cuidado com o ego que, na maioria das vezes, mais atrapalha do que ajuda. A “nossa ilha” é parte integrante do mundo. Façam arte com prazer, como exercício de liberdade; arte que ajude a estimular a sensibilidade, o senso crítico, a criatividade. Usem a imaginação, a intuição, o  conhecimento, em prol de uma sociedade mais humanizada e socialmente justa. Escrevam comprometidos, sobretudo, com respeito e celebração da vida. Sejam atentos e sensíveis observadores. Sem medo de parecer ridículos, amem até o coração fazer bico!

Dinovaldo Gilioli -  dinogilioli@yahoo.com.br

 

todo dia domingo

brinco menino

no velho sofá

 

todo dia domingo

travesseiros amantes

perdas pro ar

 

todo dia domingo

esqueço homem – negócio

só ócio e ócios

***** 

a cor de

seus olhos

acorda

meus olhos

*****

com o morno pincel

da minha boca

desenho palavras

em tuas coxas

***** 

céu pudesse

ficava olhando o seu

em lua de noite cheia

*****

botando as coisas

às claras

 

quebrei os ovos

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