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Relembrando Babi de Oliveira

Cultura por Thiago de Menezes em 2016-04-20 16:51:07


 

E também foi através do crítico de artes plásticas e música, Olavo de Alencar Dutra, que entrou em minha vida Babi, ou melhor a compositora Babi de Oliveira, sem dúvida uma das mais belas expressões líricas no cenário da composição musical brasileira. Eu havia estudado canto lírico, quando morei em Campinas, com o casal de cantores líricos Marlene e Cezar D’Otaviano, e daí, tanto Maria Alice Saraiva, a pianista, como a cantora lírica Beatriz Carneiro ficavam em cima de Olavo para que eu me apresentasse em alguns eventos particulares tendo no repertório algumas canções de Babi, entre elas, “Recomendação”, “Singela Canção de Maria” (incontestavelmente, pelo que se encontra em programas de audições e concertos musicais, e confirmado por suas filhas, as canções “Recomendação” e “Singela Canção de Maria” são as duas mais conhecidas e mais interpretadas dela) e “Maria Macambira” ("Lavou roupa toda a vida"). Foi difícil, mas essas três músicas marcaram boa parte de minha vida. Babi de Oliveira havia deixado cerca de 300 composições, seja para piano, além de canções em português, francês e tupi guarani. A Babi era demais! Nada que ela compôs é feio. E faleceu no ano em que lancei meu primeiro livro. Em sua homenagem, no coquetel do La Place, onde autografei em Ipanema, Beatriz Carneiro cantou suas músicas tendo Maria Alice Saraiva ao piano ... tarde inesquecível!

As canções de Babi que, segundo o músico e compositor João Roberto Kelly, se situam “entre o erudito e o popular”, “autêntica tanto de um lado quanto de outro”, sempre buscando inspiração em nossas raízes, creio que estão sempre perdidas à espera de quem as possa resgatar e divulgar. Sempre me contava, com orgulho, sobre o poema “Juca Mulato”, musicado por ela, obra de meu ilustre conterrâneo Menotti del Picchia.

Babi, Idalba Leite de Oliveira, falecida no Rio em janeiro de 1993, deixando duas filhas (Maria Celeste Silveira Dutra e Mhyrtes McMahan), além de uma grande obra, nasceu em Salvador, em 23 de novembro de 1908, estudou no Instituto de Música da Bahia e em 1940, iniciou a sua carreira como compositora e alcançou a melhor aceitação entre intérpretes de várias nacionalidades, dirigiu programas nas Rádios Nacional e Tupi. Sabemos que quando chegou ao Rio, Babi havia trazido a canção “O jasmineiro”, composta em parceria com sua irmã Orádia de Oliveira. Conheceu, então, a soprano Alma Cunha de Miranda, que se apresentava no programa ‘A Hora do Brasil’, da Rádio Nacional, a qual, encantada com a canção, a interpretava, tornando o nome de Babi conhecido. Alma veio a ser sua grande amiga e parceira, e este estímulo foi suficiente para impulsionar sua carreira como compositora. Os cantores do rádio Jorge Fernandes e Belinha Silva ajudaram também a difundir a música de Babi através da Rádio Nacional. Diziam os amigos que ela não queria ser rádio atriz, não queria ser nada. Ela queria compor música e conhecer gente que cantasse. Em seu tempo ser cantor ou ator de uma grande emissora carioca ou paulista era o suficiente para que o artista conseguisse sucesso em todo o país, obtivesse destaque na imprensa escrita e até mesmo frequentasse os meios sociais e políticos. Nos anos 40, as radionovelas estavam no auge e, no rádio teatro, Babi trabalhou como atriz de rádio, juntamente com a famosa Ismênia dos Santos e outros como Celso Guimarães e Henriqueta Brieba, de quem ela gostava muito. Com Saint Clair Lopes, no programa ‘O sombra’ da Rádio Nacional, ela fazia a secretária. Mas era um programa tarde, ela achava ruim, pois morava na Tijuca e saía da Praça Mauá depois de 10 horas da noite. Nessa emissora, Babi trabalhou ainda como produtora de programas de rádio e já na década de 1950, trabalhou também na Rádio Tupi. Produziu o Programa ‘A Hora dos Comerciários’, onde o cantor Cauby Peixoto iniciou sua carreira, impulsionado pela pianista, que fazia questão de acompanha–lo. Um compositor que gostava muito dela era Ataulfo Alves. E um dia ele disse: - Babi, vamos fazer samba! Ela disse: - Não sei, Ataulfo!. Ele disse: - Então continue na sua linha que vou ganhando dinheiro com a caixa de fósforos. Simpática, ela teve outro grande amigo: Garoto. Quando ele compôs Gente humilde, primeira coisa que ele fez foi mostrar para Babi em sua casa. Foram muito amigos. Babi atuou, também, na Rádio Guanabara, na Rádio Mayrinky Veiga, acompanhando a 'enluarada' Elizete Cardoso e Lúcio Alves no programa “Seresta”, por ela produzido. Pessoa extremamente comunicativa, bem relacionada nos círculos musicais ela sempre manteve estreita ligação com os intérpretes de suas canções que levaram sua música para além das fronteiras nacionais.

O cantor norte–americano Nat King Cole, quando da sua tournée no Brasil, em um Show no Maracanãzinho, cantou a canção “Caboclo do rio”, sucesso de autoria de Babi de Oliveira, que estava em Juiz de Fora na ocasião. Por seu trabalho como compositora, em 1965, ela recebeu o diploma de sócio, conferido pela ‘Sociedade Brasileira de Autores Teatrais - SBAT’, cujo presidente à época era Joracy Camargo. E eu ingressei na SBAT justamente no ano em que Babi morreu. Sua vida foi inteiramente dedicada à música, tendo deixado quatro LPs gravados, Mas, quem também gravou muitas músicas dela, foi a Inezita Barroso, em diversas fases de sua carreira.

Saudades da Babi, do Olavo, da Beatriz Carneiro e de mim ainda adolescente, poeta e cheio de sonhos! ...

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