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Poema Inédito de Miguel Jorge (1933-)

Literatura por Diego Mendes Sousa em 2016-05-07 17:44:05

Poema inédito de Miguel Jorge - Um dos grandes criadores do Brasil

Miguel Jorge é uma voz rara, cujo imaginário é riquíssimo.

Miguel Jorge (1933-)

 

"A criação é uma alucinação. Você não cria se é um cara quadrado e todo certinho. O artista vai ao limbo e ao inferno. Não acredito no discurso de que a droga é um meio de criação porque ela é uma fuga da realidade. Não condeno quem usa drogas, mas acho que é uma coisa para pessoas revoltadas consigo mesmas ou com as condições sociais. Se a pessoa não tem uma riqueza interior, não é a droga que vai proporcionar um poder criador. Eu discuto com meus personagens quando estou caminhando. Falo sozinho o tempo todo. Eu já declamei aos gritos um poema inteiro na praia de Ipanema para não esquecer. Eu não tinha lápis nem papel e foi a maneira que encontrei. Eu acordo à noite e escrevo as coisas que eu vi no sonho."

 

Depoimento de Miguel Jorge

 

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POEMA PARA AS MÃES- 2016

 

        

Pousam nos olhos das mães a existência imediata

De um Deus que as vela lá de cima.

Retém suas imagens, sabe de seus achaques,

Rogos de claras e belas preces, o sussurrar

Dos cânticos dos anjos, de secreta beleza.

 

Somente lá de cima, vela por elas

Um Deus que com as mães fala,

Cobre suas mãos de bençãos,

As purificam das vibrações destas

Sobras, sombras vertiginosas, a escurecer

Os dias, as mazelas, que nunca se sabe.

 

Dá-lhes, Senhor, a todas as mães,

Palavras, o tom de quem, no silêncio

Da alma, encontra leveza, luz acesa

Para iluminar seus dias.

 

 

Que jamais se afastem, sob a força de sua aura,

De seus códigos, afetos de vida encontrados pela casa.

- O que teria mais a se dizer, senão de seu amor?

Do nosso amor, santo amor, pródigo em afetos, 

E cada momento reveste-se de eternidade,

As claras manhãs que se imaginam.

 

 

 

(Mães são as mesmas em afetos.

Imagens postas sobre o chão da casa,

Por todos os instantes, deusa, por todos

Os instantes, rainha. Rainhadeusa.

- As recordações dos bons cheiros da cozinha.

Todas as mães são, e sempre serão, mapa, arcanjos,

Luz, continuação de tudo o que dá flores,

Refeitas em frutos, o sol sobre seus cabelos).

Possuem brilho próprio, as mães, brilho

Anoitecido de estrelas, os nomes dos filhos

Encantados em suas bocas.

 

As mães de hoje, de ontem, de sempre,

Quiséssemos, queremos dar-lhes

A textura antiga de todos os altares.

São únicas, na forma completa de ser,

As mães: originais, transparentes,

Translúcidas, a figuração de seus rostos,

O coração a descobrir, sempre, novos

E imprescindíveis caminhos, cada qual

Com seu sorriso, sua lágrima, sua chave.

 

 

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Poema de Miguel Jorge

Minuta de Diego Mendes Sousa

 

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