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A SEMELHANÇA E A DESSEMELHANÇA COMO CONVERGÊNCIA CRIATIVA NOS ENTRE-TEXTOS

Literatura por Sandra Hasmann em 2016-06-13 15:44:39


Alexandra Vieira de Almeida

 

            O princípio criativo de Luiz Otávio Oliani se espelha em duas metades desiguais, mas que criam a partir delas a complementariedade necessária à complexidade do literário. Como a junção entre a clarificação e o assombreamento, as linhas tênues divisórias dos três volumes se ampliam em dois vieses. O primeiro volume caminha pela solidificação de outros instantes. Ele complementa com seus poemas já existentes nos seus três livros anteriores a intertextualidade necessária que une momentos que pareceriam distantes à primeira vista, por não se ter o propósito de recriar o que já era visto.

            Como fotografias luminosas, os textos se dedilham como invenções livres, mas pelo toque intuitivo do poeta Oliani, elas se consagram pelos instantes em que os versos se pacificam pela luz da clareira, como numa floresta de sentidos luminosos, em que os poetas convidados para o diálogo se sentam em círculos de criatividade e ampliação de suas histórias no meio do fogo original. É de originalidades que se metamorfoseiam estes textos claros como a luz dos astros, não no sentido de facilidade, mas de iluminação dos leitores que diversificam suas leituras pela pluralidade de sentidos que explodem como planetas em festa.

            Neste primeiro momento dos Entre-textos, Oliani se entrega ao culto da congregação solar. A clarificação dos textos de outros autores se dá pela ampliação dos significados que o poeta Luiz Otávio Oliani sublinha com a caneta dourada, ou melhor dizendo, com as teclas internéticas de ouro de sua voz reflexiva e intelectiva que não margeia os contornos fáceis da rede internética. Começando por ela, seus versos e dos autores convidados criam um erótico jogo entre texto e hipertexto, entre papel impresso e papel digital. Faz de seu livro, uma explosão extasiante de sentidos que sealargam além dos horizontes possíveis: eis o significado do texto literário.

            Em um segundo momento, de sombreamento, Oliani nos volumes seguintes dos Entre-textos (2 e 3), tem a intenção criativa de trabalhar arduamente sobre os escritos dos autores. Ele cria novos textos, mas com o sentido diverso deles, como o outro lado da moeda, ou melhor dizendo, como a negação da forma anterior, não para lhe fazer frente ou duelar como numa guerra parodística desnecessária para produzir mortes literárias. Ao contrário, os entre-textos seguintes criam uma sombra necessária onde antes era sol para batizar o avistamento. Opondo, com seus títulos até contrários, recria o texto anterior com olhos olianescos. A oposição não é para superar o texto que lhe serviu de mote, mas para construir uma complementação à unidade da vida.

            Costurando o véu com linhas escuras,Oliani perfaz acoincidentiaoppositorum que encontramos na filosofia pré-socrática, sobretudo Heráclito; cria o semelhante no dessemelhante, e o dessemelhante no semelhante, como máscaras que reúnem duas cores: o branco e o preto. A veste não é estilhaçada ou remendada, é de duas cores que se multiplicam na pluralidade dos significados complexos e multicoloridos. A paz aprazível é esmiuçada na congregação de autores que não seguem um fundo preestabelecido, mas algo fluido e movente como as ondas do mar.

            Num dos Fragmentos de Heráclito, temos: “Não compreendem como o divergente consigo mesmo concorda; harmonia de tensões contrárias, como de arco e lira.” (PRÉ-SOCRÁTICOS, 2000, p. 93) Neste sentido, a proposta brilhante de Oliani se dirige para esta convergência de contrários que se realiza no diálogo, não buscando seguir a via tradicional de divisão cerrada entre pares opostos, no estruturalismo fácil e na lógica binária conceitual. Os Entre-textos de Oliani, magnificamente, acendem fogueiras, mas também apagam as luzes, para que o segredo do literário se faça como comunhão de contrários, entre os textos e entre os poetas. Textos e poetas, uma festa para os leitores ávidos pelos sentidos que se ampliam a cada nova leitura destes volumes em forma de arte, da arte mais rica e significativa como numa labirinto de luz e sombras. Estes livros deixarão uma marca na história da literatura brasileira, marca que requer um olhar agudo e crítico de seus leitores.

 

 

 FONTE:
Luiz Otávio Oliani - oliani528@uol.com.br

Resenha da professora doutora Alexandra Viera de Almeida (UERJ) sobre a trilogia dos "Entre-textos"...

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