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A arte fotográfica para deficientes visuais

Cultura por Dinorá Couto Cançado em 2016-08-13 16:53:14
Deficientes visuais da Biblioteca Braille Dorina Nowill tiveram um curso de fotografia e irão participar do FotografaçoBSB promovido pela Lente Cultural.
O texto a seguir é de Hoana Gonçalves, parceira da Biblioteca desde a época que ela era da Globo, época que fez belas matérias na Biblioteca. Hoana estuda artes Visuais na UnB e acaba de chegar da França, aperfeiçoando na arte fotográfica. Segundo Hoana  " a fotografia em nada depende das condições físicas de quem a produz, de maneira que as pessoas com deficiência visual, podem aprender a fotografar. Existem fotógrafos cegos célebres, como Evgen Bavcar. Ensinar e incentivar uma pessoa com deficiência visual a começar a fazer fotos é uma maneira de inseri-la em rotinas de vida pouco usuais para ela, mas que podem integrá-la ao que entendemos como “vida normal”.
As imagens são tradicionalmente um meio de expressão, ou de comunicação para os videntes que aprendem a fotografar intuitivamente, por meio da tentativa e erro, atualmente com o uso de câmeras digitais totalmente
automáticas. Para as pessoas com deficiência visual, esse processo não ocorre naturalmente e, por isso, a maioria não utiliza fotografias em seu cotidiano. O que dificulta o registro do cotidiano, e também sua própria maneira de mostrar o mundo como eles o percebem.
Para incentivar o uso das fotografias pelas pessoas com deficiência visual, promovi uma oficina de fotografia na Biblioteca Braille Dorina Nowill, referência
internacional no atendimento a pessoas com deficiência visual, localizada em
Taguatinga-DF.
As oficinas começaram com uma grande roda de conversa em que eu perguntava qual era a relação de cada participante com a fotografia, como é a visão daqueles que tem baixa visão e explorando a ideia de beleza que cada um tinha. A percepção desdobra-se por meio de todos os nossos sentidos. As percepções de um mesmo assunto podem ser de caráter tátil, visual, gustativo, auditivo, etc. E cada um dos sentidos pode imprimir imagens na alma. É por meio dos sentidos que a beleza se manifesta, especialmente para as pessoas com deficiência visual.
Em geral, os participantes que já enxergaram, disseram utilizar cada vez menos a fotografia enquanto iam perdendo a visão e ao ficarem cegos, abandonaram de vez o hábito de fotografar. Os participantes que já nasceram privados da visão ou os que a perderam completamente, disseram não ter o hábito de fotografar.
Destaquei que os gostos e as escolhas pessoais são o que fazem de cada fotógrafo único, que a escolha sobre do assunto e de como fotografa-lo é sempre pessoal e que cada foto mostra algo sobre seu autor, por isso cada foto que eles produzirem será única e não poderia jamais ser produzida por outra pessoa.
Após o devido incentivo, foi realizada a parte prática da oficina, onde saímos para realizar as fotos. O exercício era de escolher um assunto e fotografá-lo de dois ângulos diferentes, o que foi muito bem executado tanto pelos participantes que possuem baixa visão quanto pelos participantes cegos.
No caso de quem já havia nascido sem visão, era comum não saber direcionar as lentes ao que se desejava fotografar. Isso se deve em parte, pela falta de prática de segurar e direcionar um aparelho ao assunto a ser fotografado, mas também pela percepção global, como de 360 graus ao redor, que os deficientes visuais tem do que está ao seu redor. As pessoas com deficiência visual percebem todo ambiente sem os limites de ângulo de visão.
Nas oficinas seguintes, segui com exercícios pensados de acordo com as necessidades que os participantes destacaram, como o de fazer um retrato ou um autorretrato. Falei de noções de fotografia como luz e contraluz, alcance das lentes e foco. Os exercícios eram realizados individualmente, mas muitas vezes contando com meu auxílio e a ajuda coletiva dos colegas de curso.Os resultados foram sempre muito bons, gerando fotos interessantíssimas, muito diferentes das imagens que um vidente faria ao aprender a fotografar. O enquadramento foi um dos pontos da técnica fotográfica mais reforçados na oficina.
Compreendi a visão dos deficientes visuais como, indiferente do fato de não possuírem um funcionamento ideal dos órgãos óticos, uma apreensão integral da realidade através de outros sentidos, que pode ser traduzida em um somatório de imagens, como uma constante dupla exposição fotográfica, com uma bela percepção sensorial."
HoanaGonçalves
Photographe
hoanafotos@gmail.com
+330768541624 (whatsapp)
Sobre o  Coletivo Fotográfico Lente Cultural, autor da ação Fotografaço: Lente Cultural comemora o mês da fotografia 2016 com várias atividades e uma delas, bem criativa por sinal, interessou bastante aos deficientes visuais da Biblioteca Braille. É o Fotografaço BSB com a ação Walking Gallery, bem no dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto, 15 horas. A participação é livre, mas pedem para confirmar a presença no e-mail expomes@gmail.com. Orientam que traga uma foto autoral impressa para percorrer um tour de pontos na região central do Plano Piloto, expondo sua obra nas mãos para os transeuntes que passam. O Walking Gallery  começa a partir das 15 h na plataforma superior da rodoviária entre o CONIC e o Conjunto Nacional. Depois até o Teatro Nacional, Eixo Monumental sentido Torre de TV, terminando às 17 h na frente do Museu da República. Veja a programação completa no site www.mesdafotografia.wix.com/2016
Festival Mês da Fotografia
55 61 3963-5119 | 8228-8023
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Maria Lenir Alves Ribeiro

Parabéns, Hoana Gonçalves!Conforme você comentou: "Ensinar e incentivar uma pessoa com deficiência visual... é uma maneira de inseri-las em rotina de vida", isso é maravilhoso! Sucesso aos alunos e parabéns pelo dia Mundial da Fotografia, 19 de agosto!

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