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ASTRID CABRAL - Uma das maiores poetas do Brasil

Literatura por Diego Mendes Sousa em 2016-09-22 10:30:27

Astrid Cabral - A Íntima Fuligem da Grande Poesia

ASTRID CABRAL em uma sombra na tarde do litoral do Piauí

ASTRID CABRAL: ANFÍBIA E PÁSSARA

 

Trago no peito uma paixão genuína e sempre nascente pela poesia geométrica de Astrid Cabral (1936-); e outro amor confesso, por seu olhar humano. Poeta manauara de baliza, autora de Torna-Viagem (1981) e Rasos D’água (2003), que bem definem o seu perfil erudito, fluido e extremamente, memorialístico.

Alimento-me deveras da sua foz jorrante de palavras colhidas no coração da sua floresta pessoal, que arquiteta uma literatura extraordinária (digna de todos os elogios e considerações), pois acentuada de uma dicção poética oriunda de sua alma anfíbia, e contraditoriamente, voadora - passarinha mesma - sem jaula.

A poesia de Astrid Cabral é espirituosa, ritualística - que imprime vocação e mistério - como as sutilezas líricas transcritas no poema intitulado, ironicamente, de “Atraso de Vida”: Por causa da poesia/ o feijão queima/ o leite entorna/ esquece-se o troco/ vai a roupa do avesso/ chora o bebê com fome/ perde-se o trem. / Mas viaja-se. // Sabe-se lá para onde/ que anônima nuvem.

E nessa fuligem íntima de sonho e beleza, Astrid Cabral perfaz a sua inscrição elevada e humanística, a traduzir o pórtico da sua linguagem cristalina, afeita à água e a fogo, memória e viagem, erotismo e realidade, transcendência e física, sangue e delírio, lições e aprendizados, elementos que a autora aprimorou com a sua visão peculiar de retirar fortalezas de oceanos ou abismos de rios.

Hoje, octogenária, Astrid Cabral é uma das mais importantes escritoras do país, herdeira de Gilka Machado e de Henriqueta Lisboa; Decerto, uma linha de frente honrável e sucessiva, que ela emplaca com maestria, plena de humildade e transgressão.

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Alforria
 
 
Digo sempre à minha sombra:
anda, por favor desgruda,
mas ela surda, xifópaga
não pensa em me abandonar.
 
 
 
Sol a pino ou à socapa
de nuvens de chumbo e chuva
amável desaparece
em manifesta clemência.
 
 
 
Algoz me segue e persegue
no longo correr das horas
laçando-me em sua corda.
Eu, a pobre encarcerada.
 
 
 
Por fim, jogou-me no chão
mostrando-me a horizontal:
vai, deita-te, dorme ou morre
e serás livre de vez.

 

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Poema de Astrid Cabral

Minuta de Diego Mendes Sousa

 

 

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