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Falece Dom Lelis Lara - \" Vida de Amor, testemunho de caridade\"

Geral por Sandra Hasmann em 2016-12-11 11:05:11


\\\" CARTA ABERTA \\\"


Luto por Dom Lara: Vida de Amor, testemunho de caridade

Margarida Drumond de Assis*

 

Das mais tristes a notícia que acabo de receber: faleceu Dom Lelis Lara, por volta de 22h15, no Hospital Metropolitano Unimed em Coronel Fabriciano, por complicações pulmonares, vítima que foi de pneumonia. Partiu para a Casa do Pai, no exato dia dedicado à Imaculada Conceição, 8 de dezembro neste 2016, ele que tanto amou Nossa Senhora e divulgou a devoção. É desolação total, e eu sei que comungam este meu pensamento um incalculável número de pessoas do Brasil, em especial da Igreja particular da Diocese de Itabira – Cel. Fabriciano, notadamente a comunidade da Baixada, região do Vale do Aço, à qual ele serviu na prática de seu Lema Episcopal “A caridade tudo crê”. Foram 25 anos atuando como bispo da Diocese, dos quais 19 como Bispo Auxiliar, época de Dom Mário Teixeira Gurgel, e 6 como Bispo Diocesano.

Dom Lara significava muito para mim, uma amizade que nasceu quando de sua chegada, em 1971 para ser o Pároco da Paróquia São Sebastião, de Cel. Fabriciano, eu já trabalhando na Rádio Educadora e na Secretaria Paroquial. Tantos anos de amizade resultaram na alegria de poder escrever sua biografia, Dom Lara: vida de amor, testemunho de caridade, em dezembro de 2015, por ocasião dos seus 90 anos de vida. Agora, Dom Lara usufrui do repouso que lhe reservou o Pai,  “servo bom e fiel” que ele foi em toda a sua vida.

Cumpre-me trazer um pouco de sua vida, homenageando-o nestes primeiros momentos de sua partida. Há pessoas que se apresentam em nossa caminhada e deixam marcas indeléveis. Não as esquecemos, pois ficam incrustadas em nosso ser, tão forte é a sua luz. É o caso de Dom Lelis Lara, Bispo Emérito da supracitada Diocese que é sufragânea da Arquidiocese de Mariana, junto com as Dioceses de Mariana, Governador Valadares e Caratinga.

Mineiro de Divinópolis, do dia 19 de dezembro de 1925, filho de Joaquim Martins Lara e Maria José Lara, numerosa família criada nos princípios cristãos, Lelis Lara, carinhosamente chamado Lelinho, bem cedo entrou para o convento dos redentoristas. Contava ainda 12 anos de idade e foi levado pelos pais ao convento da Congregação do Santíssimo Redentor, em Congonhas, Minas Gerais, só voltando à casa paterna quase dez anos depois. A saudade dos pais, especialmente da carinhosa mãe, batiam forte, mas para ele que iniciara sua caminhada vocacional aos sete anos, quando levantava bem cedo para ajudar os franciscanos, como coroinha na primeira missa do dia, às cinco e meia,  a alegria do contato com o ambiente religioso e o serviço à Igreja suplantavam tudo.

Hoje, quando ele nos deixa sem sua amorosa e forte presença, perto de completar 91 anos, rendemos graças por tanto que ele semeou vida a fora, desde o seu tempo em Congonhas, passando por Juiz de Fora, onde foi ordenado presbítero; sua ida para Roma, no sentido do aprofundamento de estudos; sua volta pregando Missões no Sul de Minas; seus mais de dez anos no Seminário da Floresta em Juiz de Fora; até que, fechado o Seminário, foi enviado como Pároco para Cel. Fabriciano, onde continuou por opção que fez de permanecer junto aos confrades de Ordem.

Foram 70 anos de Profissão Religiosa, professada no dia 2 de fevereiro de 1946, entrando em definitivo para a Congregação Redentorista, Província do Rio de Janeiro. Também em 2 de fevereiro, na Igreja da Glória em Juiz de Fora, foi ordenado sacerdote, como fiel discípulo de Santo Afonso Maria de Ligório, isto há 65 anos. Em seguida, nessa mesma data, em 1977, em Cel. Fabriciano, foi sagrado como o mais novo dos seguidores do apóstolo Pedro, portanto Bispo há 39 anos, após indicação de seu nome ao Papa Paulo VI, pelo próprio Dom Mário.

Dom Lara chegou a Cel. Fabriciano em 1971, uma época pós-conciliar de grande laicização, consequentemente uma igreja bem vazia. Mas ele, com seu carisma, seu amor aos mais necessitados, seu acolhimento às pessoas, cativou a todos, e a Igreja foi crescendo novamente. Muito fez Dom Lara pela Diocese, especialmente pela região da Baixada, o Vale do Aço, sendo a “menina de seus olhos’ a Cidade do Menor”, hoje Cidade dos Meninos. Sobressaía nele o Acolhimento aos que ainda há bem pouco tempo o procuravam para uma orientação ou simplesmente para conversar; sua entrega às causas sociais, em bem do povo; sua preocupação com a Educação, valorizando a arte, a cultura, grande músico organista que era.

Assim, a Dom Lara, hoje, a nossa saudade e o nosso agradecimento pelo imensurável testemunho de vida que deixou, tornando-nos pessoas melhores; nosso agradecimento por tanto quanto fez em defesa da vida, da verdade, proclamando a justiça aos pobres e marginalizados. Grande o legado que nos fica de sua vida de amor e caridade. Obrigada Dom Lara.

 

Margarida Drumond é professora, jornalista e escritora residente em Brasília, sempre presente no Vale do Aço, timotense que é. 

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