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LITERANDO NO TEATRO

Cultura por Sandra Hasmann em 2017-02-21 20:34:48

*Por Renata Barcelos - colunista convidada

A peça em cartaz Uma Flor de Dama, no Teatro Poeira, em Botafogo, é escrita, dirigida e encenada por Silvero Pereira cuja atuação é excelente, transmite veracidade, convencê-nos. Leva-nos a mergulhar não só no universo TRANS como também nas obras de Caio de Abreu. Para compor a personagem, o ator entrevistou travestis cearenses e inspirou-se no conto Dama da Noite, de Caio Fernando Abreu. Assim, diante desse material, elaborou muito bem o texto. O jogo de luzes utilizado também colabora para o tom dramático de seus relatos. A única observação feita é quanto ao tempo inicial extenso em que o ator em cena fica mudo para que o público comece a entender seu quotidiano. Depois, quando começa a contar sua trajetória, ocupa o palco, prende a atenção do público, mobiliza os valores de cada um ali presente.

No monólogo, com pouco recurso em cena, Silvero atua apenas como um banco, uma mesa, um copo, uma garrafa de cerveja, um vaso .... Assim, o público é convidado a mergulhar no universo de um travesti, durante uma noite em que ele dialoga com um menino de 17 anos imaginário chamado de “boy”. Através de seus relatos, de suas inquietações e de seus medos, leva-nos a refletir sobre seus dilemas.

A peça levou-nos a conhecer mais um pouco este autor contemporâneo brasileiro Caio Fernando Loureiro de Abreu nascido em Santiago, 12 de setembro de 1948 — Porto Alegre. Falecido em 25 de fevereiro de 1996. Foi jornalista, dramaturgo e escritor brasileiro. Considerado um dos expoentes de sua geração, as temáticas tratadas em sua obra são sexo, medo, morte e da solidão. O autor ganhou diversos prêmios como: Jabuti de Literatura, 1996, com Ovelhas Negras; Jabuti de Literatura, 1989, com Os Dragões não Conhecem o Paraíso; Jabuti de Literatura, 1984, com O Triângulo das Águas; Revista Isto É, 1982, Melhor Livro - Morangos Mofados.

Segundo a escritora Lygia Fagundes Telles, Caio de Abreu foi o “escritor da paixão”: “(...) Fico pensando se viver não será sinônimo de perguntar. A gente se debate, busca, segura o fato com as duas mãos sedentas e pensa: “Achei! Achei!” – mas ele escorrega, se espatifa em mil pedaços, como um vaso de barro coberto apenas por uma leve camada de louça. (...)” (fragmento do romance Limite branco). De acordo com a Mestre em Estudos Linguísticos e Literários em Inglês pela Universidade de São Paulo e cuja dissertação foi sobre o autor, ela revela-nos que Caio de Abreu foi leitor de escritores como Hilda Hilst, Gabriel García Márquez, Julio Cortázar e Clarice Lispector. Sua obra é comparada à singular estética de Clarice, cujas técnicas narrativas são pouco convencionais.

Os textos de Caio de Abreu estão presentes nos diversos vestibulares brasileiros, dentre eles: UFSC, com Além do Ponto e outros contos; Universidade Federal do Rio Grande do Sul, com Morangos Mofados; Universidade Estadual de Ponta Grossa, com O ovo apunhalado.

Vale a pena conferir o espetáculo Uma flor de dama e ler Caio de Abreu.

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