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LITERANDO NO TEATRO - Por Renata Barcellos

Geral por Sandra Hasmann em 2017-04-07 20:00:12

\\\"Histeria\\\" - comédia teatral do autor britânico Terry Johnson 

*Por Renata Barcellos - colunista convidada

Histeria é uma comédia teatral do autor britânico Terry Johnson escrita em 1993. Sua primeira montagem sob direção de John Malkovich foi sucesso de público e crítica em diversos países da Europa. A peça apresenta o encontro excêntrico entre o pai da psicanálise Sigmund Freud no consultório com o pintor surrealista Salvador Dalí (em 1938). Vale ressaltar que o psicanalista publicou em 1895 \\\"Estudo sobre Histeria”, no qual descreve a teoria de que as emoções reprimidas levam aos sintomas da histeria. Em 1896, sinalizou que esta seria uma disfunção do sexo feminino causado por abuso sexual na infância – posteriormente - ele revisou o princípio e afirmou que as memórias da violência sexual seriam provavelmente frutos de fantasias, alentadas por desejos eróticos inconscientes desenvolvidos quando criança.

Em cena, há quatro personagens: Érica Montanheiro como filha de Rebeca S (uma das pacientes e objeto de estudo de Freud) transforma a sua personagem numa figura sensual, determinada e tragicômica a fim de entender o ocorrido nas sessões para justificar o suicídio; Milton Levy, médico amigo, responsável pelo desenrolar da trama e , consequentemente, pelas passagens cômicas por interrogar Freud sobre as peças de roupa feminina encontradas no jardim e no consultório; Paulo Rangel interpreta Freud surpreendido pelos acontecimentos oriundos da chegada da filha de Rebeca S em uma madrugada chuvosa; e Cássio Scapin, Salvador Dali, o narcisista pintor surrealista, esbanja comicidade desde o início de sua aparição com o jogo de linguagem com o seu sobrenome “Dali” e” aqui”..

A peça começa contextualizando a situação socioeconômica da Europa para explicar o motivo pelo qual o psicanalista refugiou-se em Londres, em 1938: a perseguição nazista aos judeus na Europa. O criador da Psicanálise lá desembarca aos 80 anos (acometido de câncer na bucal) acompanhado de sua filha Ana cuja participação só ocorre através de um telefonema para saber por que ainda ele encontrava-se acordado às 4:30 da manhã., Após receber a ligação dela, a filha de Rebeca S bate à porta e, ao abri-la, toda a trama inicia-se com humor, jogos de palavra “Dali” x “aqui”, figura de linguagem: ironia quando Freud refere-se ao fundador da psicologia analítica Carl Jung e à obra de Dali; cenas inusitadas como uma bicicleta coberta por caramujos, uma mão presa dentro de uma galocha, cabeça enfaixada numa espécie de turbante... Em um determinado momento, o mestre surrealista, fascinado pela visão, diz: “O que Dalí vê apenas em sonhos, você vive na realidade!”. Trata-se de um excelente texto unindo duas vertentes de estudo: Psicanálise (cuja origem foi em 1900) e Surrealismo (em 1930). Levando a plateia a refletir sobre temas fundamentais de cada uma delas: inconsciente, sonhos como linguagem simbólica e o poder libertador da arte. Cabe ressaltar a existente relação entre as teorias elaboradas por Freud e a obra de Dalí: o Surrealismo dialoga com as propostas da Psicanálise, pois a base é a noção de inconsciente. Por isso, muitas obras surrealistas retratam imagens e situações vivenciadas em sonhos. Enquanto o sonho foi a matéria-prima para um estilo de arte que propunha a criatividade sem amarras; para os psicanalistas, o objeto de análise, oferecia-lhes pistas para compreender as motivações e modos de agir dos pacientes.

São também de autoria de Terry John outros textos teatrais cujas temáticas são a alma humana e a ótica de uma determinada sociedade, com dose de ironia e humor: “The Graduate” (A Primeira Noite de Um Homem), “Memory of Water” (A Memória das Aguas) e “Hitchcock Blonde” além de trabalhos como diretor, que incluem “The Libertine (O

Libertino)” e “One Flew Over The Cukoo’s Nest” (Um Estranho no Ninho). O autor ganhou nove prêmios de teatro britânico, incluindo o prêmio Olivier de Melhor Comédia 1994 e 1999, Dramaturgo do Ano 1995, Critics ‘Circle Theatre Awards para Melhor New Play 1995, dois Evening Standard Awards Teatro, o Writers Guild Award para Best Play 1995 e 1996, a Meyer-Whitworth Award 1993 e do Prêmio John Whiting de 1991.

Aqui, no Brasil, Histeria está em cartaz, porque, depois de assistir à peça e se encantar com a montagem em Paris, Jô Soares decidiu traduzir o texto e dirigir a versão brasileira da comédia consagrada pelo mundo. A peça cuja duração é mais de 1 hora e 15 minutos poderia ser compacta (1 hora apenas). Depois disso, para se entender o que de fato ocorreu, se foi real ou não todo o ocorrido, o humor se perde, fica cansativo. Entretanto, não desqualifica sua qualidade. Rir-se muito com as situações inusitadas. Vale conferir!!!

Jô Soares já foi diretor de outros espetáculos teatrais como: “Atreva-se” de Mauricio Guilherme, “Frankensteins” de Eduardo Manet, “Ricardo III” de William Shakespeare, “O Eclipse” de Jandira Martini, “A Cabra” de Edward Albee, além da comédia “Às Favas com os Escrúpulos” de Juca de Oliveira.

Histeria está em cartaz no Teatro Sesc Ginástico. Endereço: Av. Graça Aranha, 187 – Centro - Temporada: de 9 de março a 30 de abril - Quinta a sábado às 20:00 e domingo às 18:00.

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