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É quase tudo ficção: Lúcio Cardoso e o crime do dia

Eventos por Alberto Araújo em 2017-07-07 00:08:38

A Academia Brasileira de Letras dá prosseguimento ao seu ciclo de conferências do mês de julho de 2017, intitulado Cadeira 41, com palestra da escritora e doutora em Literatura Brasileira Valéria Lamego. A coordenação será da Acadêmica e escritora Ana Maria Machado. O tema escolhido foi É quase tudo ficção: Lúcio Cardoso e o crime do dia.

O evento está programado para terça-feira, dia 11 de julho, às 17h30min, no Teatro R. Magalhães Jr., Avenida Presidente Wilson 203, Castelo, Rio de Janeiro. Entrada franca.

Serão fornecidos certificados de frequência.

A intitulação Cadeira 41 remonta aos tempos de fundação da ABL, em 20 de julho de 1897. Criada nos mesmos moldes da Academia Francesa, o máximo de Acadêmicos era de 40, o que continua até os dias de hoje. Este ciclo, no entanto, pretende apresentar quatro nomes que poderiam ocupar, em suas épocas, uma dessas cadeiras e, que, por razões diferentes e individuais, não se tornaram membro da Academia: Júlia Lopes de Almeida (semana anterior), Lúcio Cardoso (palestra da próxima terça-feira), Lima Barreto e Clarice Lispector.

A Acadêmica Ana Maria Machado, Primeira-Secretária da ABL, é, também, a Coordenadora-Geral dos ciclos de conferências de 2017.

Segundo a palestrante, o escritor e jornalista Lúcio Cardoso se embrenhou no crime. Foi autor e personagem, jornalista e sujeito. Emprestou sua vida para romances incompletos. Dedicou quase 400 dias aos personagens vulgares e suburbanos do Rio de Janeiro. “Quem é Lúcio Cardoso? Quais foram seus crimes?  E sobre quem escreveu o grande autor de Crônica da Casa Assassinada?”, pergunta Valéria Lamego.

De acordo com a sinopse de sua conferência, ela afirma que “em grande estilo, Lúcio Cardoso estreia numa quarta-feira, dia 2 de abril de 1952, sua primeira e única coluna sobre crimes no jornal carioca A Noite. Naqueles anos de 50, já tinha se dedicado a todo tipo de texto: literário, teatral, publicitário e jornalístico. Mas era a sua estreia no colunismo policial. O jornal resumiu em poucas linhas a coluna a qual se dedicaria: ‘Entre os episódios que formam a matéria habitual da reportagem policial, Lúcio Cardoso escolherá o que parecer mais sensível ou palpitante, a fim de transpô-lo para o plano literário’”.

E, assim, fez o escritor Lúcio Cardoso, segundo Valéria Lamego: “Nas primeiras colunas, os personagens são decalcados do cotidiano da reportagem policial, mas, com o passar dos meses, as histórias ganham autonomia e se afastam do mundo objetivo e dicotômico do crime dividido entre vítima e agressor. Elas invadem seus sonhos e surgem nas páginas de seu Diário. A coluna tinha leitores específicos – os de Nelson Rodrigues, em ‘A vida como ela é’, que incendiara a cidade. Ganha, agora, um autor-personagem e invade a vida de Lúcio. Tudo é ficção, todos os crimes, todos os dias, até o fim”.

Cadeira 41 terá mais duas palestras, às terças-feiras, no mesmo local e horário, com os seguintes dias, conferencistas e temas, respectivamente: dia 18, Felipe Botelho Corrêa, Lima Barreto em revista; e 25, Nádia Battella Gotlib, O legado de Clarice Lispector.

Saiba mais

Valéria Lamego é doutora em Literatura Brasileira pela PUC-Rio, autora de A farpa na lira: Cecília Meireles na Revolução de 30; organizadora de Correspondência entre Monteiro Lobato e Lima Barreto; Aniki Bóbó de João Cabral de Melo Neto e Aloisio Magalhães; Contos da ilha e do continente de Lúcio Cardoso; e da Obra em prosa de Cecília Meireles.

 Em 2010, recebeu o Prêmio Funarte de Criação Literária com o inédito Crime na Noite. Coordenou, dentre outros, os seminários “Laboratório do Escritor”, de 2006 a 2009; e “Múltiplos e Contemporâneos: a literatura.com”, em 2013. Editou os livros O gráfico amador: origens da moderna tipografia brasileira (Prêmio Jabuti, 2015); Impresso no Brasil (1808-1930): destaques da história gráfica no acervo da Biblioteca Nacional (2009); e a coleção Cadernos de Samba (2012 a 2015). É autora de diversos artigos, dentre eles “Dois mil dias no deserto: Maria Helena Vieira da Silva no Rio de Janeiro (1940-1947)” e “O itinerário de uma cronista”, sobre a crônica em Cecília Meireles (Revista Poesia Sempre, Biblioteca Nacional/ 2000).

 

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