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O Brasil na Feira do Livro 2017 em Praga

Eventos por Sandra Hasmann em 2017-07-23 19:13:11


Por Marie Havlíková

Tradutora e professora (aposentada) de Português e

Francês e Literaturas de Língua Portuguesa

Representante Internacional do JSF na República Tcheca

 

Este ano, a Feira do Livro, que teve lugar de 11 a 14 de maio, e os eventos com ela relacionados, não contou infelizmente com a presença de nenhum autor brasileiro. Mas, teve, sim, a presença de um autor português recentemente premiado no Brasil: José Luís Peixoto, cujo romance Galveias ganhou, em 2015, o primeiro lugar no Concurso da Ficção Escrita em Lingua Portuguesa (Oceanos). A tradução do romance (pela autora deste artigo) também estreou na Feira do Livro.

Na mesma Feira, o Brasil foi, porém, visivelmente presente e dignamente evocado por dois outros livros duma mesma editora: o autor do primeiro, Pavel Šembera, trabalha na área do comércio externo (importando para a RepúblicaTcheca produtos selecionados da gastronomia brasileira) e também das relações culturais tcheco-brasileiras, desenvolvendo atividades por entre os compatriotas tchecos residentes em Batayporá. Sendo um profundo conhecedor do Brasil, porque costuma passar no Brasil grande parte de cada ano, escreveu um livrinho intitulado O Brasil, instruções de uso, que teve na Feiraum lançamento não só solene, como também divertido, pois o próprio autor, para além de falar com humor sobre o Brasil e a mentalidade brasileira, comparada com a mentalidade e os costumes tchecos, oferecia petiscos brasileiros. O livro saiu numa belíssima edição na Editora Titanic (v.maislonge).

O segundo livro só esteve por enquanto presente em forma de maqueta, mas mesmo assim já tinha despertado muito interesse e muita curiosidade dos presentes: trata-se de um livro sobre a atual capital do Brasil, e é de esperar que, embora já se tivesse escrito muito sobre Brasília, cidade em inúmeros aspetos única, assim como sobre o seu “pai“, Presidente brasileiro com raízes tchecas – Juscelino Kubitschek, o livro intitulado Brasília,cidade sonho terá sem nenhuma dúvida muito que acrescentar para as discussões. O livro, que deve sair em outono de 2017, reúne artigos de renomados arquitetos e outros especialistas brasileiros e tchecos, inclusive, traduzido pela primeira vez para o tcheco, o texto do urbanista Lúcio Costa sobre o Plano Piloto. Contou igualmente com a participação de vários lusitanistas – professores e tradutores tchecos, pois contém também textos literários relacionados com Brasília, destacando-se entre eles Milton Hatoum, Clarice Lispector e nomeadamente Nicolas Behr, um grande conhecedor de Brasília, que vive na cidade e a conhece de lés a lés, sendo Brasília um dos principais temas da sua poesia. As ideias de Nicolas Behr, que é, por assim dizer, a alma da vida cultural de Brasília,  alguns dos seus poemas e especialmente comentários do seu espirituoso e utilíssimo guia Brasília A - Z, constituirão o eixo da parte textual do livro. A parte considerável é formada, como é de se prever, fotografias com vistas novas e únicas dos monumentos de Brasília, da autoria de atualmente um dos melhores fotógrafos tchecos da arquitetura – Pavel Frič. O livro será publicado pela Editora “da casa“ - a Titanic, dirigida pela esposa de Pavel Frič –Yvonne Frič. Seja notado que se trata de uma editora pequena, mas que publicou já vários livros de qualidade, nomeadamente sobre a arquitetura tcheca.

É impossível não referir a esse respeito a relação da família Frič, cujos vários membros foram personalidades de grande impacto na história do nosso país, com o Brasil e outros países da América do Sul: o bisavô de Pavel Frič, A.V. Frič (AlbertoVojtěchFrič,1888-1944), grande patriota, etnógrafo, viajante e aventureiro, fotógrafo e escritor, foi também, já na sua mocidade, um mundialmente renomado coleconador e conhecedor de cactos. Nas suas oito viagens para os países da América Latina, travou contatos com várias tribos indígenas (no Brasil, por exemplo, os Kadiuwéu) e conviveu sobretudo com a tribo Chamacoco (na bacia do Rio Paraguai). Deixou lá descendentes e, hoje em dia, o casal Frič continua a manter contatos com essa tribo, dando-lhe um apoio considerável.

A fascinante história da vida de A.V. Frič exigiria, porém, páginas e páginas para ser contada de maneira digna e compreensível. Mereceria, pelo menos, um artigo especial.

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