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LISBOA ao som das “marchas populares”

Cultura por Dulce Rodrigues em 2017-08-14 19:12:16

LISBOA ao som das “marchas populares”

O 4° Aniversário do Jornal Sem Fronteiras já passou há mais de dois meses, mas as memórias perduram. Se bem se lembra quem acompanhou o grupo no circuito pelo Norte de Portugal, no último dia em que estive convosco prometi escrever sobre o meu país, Portugal, a começar por Lisboa, a minha cidade. O tempo passa depressa e só hoje começo o primeiro artigo.

Como junho é o mês dos Santos populares – Santo António, São João e São Pedro – , festejados com arraiais e marchas populares, este será o tema de que vos vou falar. E quem vier a Lisboa nesta altura, não deixe de tomar parte na animação.

Data de 1932 o primeiro concurso de marchas lisboetas. A ideia surgiu a partir de um desafio proposto pelo então director do Parque Mayer, Campos Figueira de Gouveia, que tentava arranjar um espectáculo capaz de mobilizar a atenção dos lisboetas.O cineasta José Leitão de Barros aceitou o desafio e o primeiro concurso de marchas populares foi anunciado, a 5 de junho de 1932, no jornal Notícias Ilustrado. A produção ficou a cargo do Parque Mayer.

Mas, se hoje são 20 os bairros que saem à rua, nesse ano participaram unicamente o Bairro Alto, o Alto do Pina e Campo de Ourique, todos envergando trajos tradicionais do Minho.  O vencedor foi Campo de Ourique, por acaso o bairro onde eu nasceria, alguns anos mais tarde, em casa da minha avó paterna.

Todavia, terá sido a partir de 1933 que as marchas – conhecidas na altura como “ranchos” – se aproximaram do que são hoje, com músicas, trajes e coreografias. A inspiração para as marchas vem dos costumes bairristas das festas Juninas, das celebrações medievais do solstício de Verão e das festas religiosas celebradas pelo Santo António, São João e São Pedro. Há muito que os lisboetas tinham o hábito de descer à rua em junho com arcos e balões de papel, ofereciam mangericos, comiam sardinha e bebiam vinho. E conta-se que, quando pela madrugada iam à fonte lavar-se, cantavam pelo caminho. A origem das marchas populares encontra-se, assim, entre o sagrado e o profano.

Na noite de 12 para 13 – dia de Santo António e feriado municipal –as marchas partem do Marquês de Pombal e desfilam pela Avenida da Liberdade abaixo até aos Restauradores, empunhando arcos e balões, ao som das bandas filarmónicas. Cada marcha é composta por 24 pares de marchantes, mais os porta-estandartes, quatro aguadeiros, o padrinho, mascotes, animais e o “cavalinho”, sem o qual a marcha não teria melodia e ritmo que permitisse aos marchantes executarem as suas coreografias e entoarem as suas cantigas. Mas, o que é o “cavalinho”?

Pois bem, de acordo com o artigo 11° do Regulamento do Concurso das Marchas Populares de Lisboa, o “cavalinho” é “um grupo de músicos obrigatoriamente composto por oito elementos, tendo como instrumentos obrigatórios um clarinete, um saxofone alto, dois trompetes, um trombone, um bombardino, um contrabaixo ou tuba e uma caixa”. Sem o “cavalinho” não haveria marchas populares em Lisboa!

Quanto aos aguadeiros, a sua função é desprender os arcos, distribuir água, auxiliar os marchantes na mudança dos adereços, socorrer em caso de incidente, ou acidente na execução das coreografias, e recolher todos os objectos ou peças do guarda-roupa, pois se cair um adereço no chão, os marchantes não o podem apanhar.  
Todas as marchas têm de apresentar uma coreografia com uma música comum, designada de “Grande Marcha de Lisboa”.Dos doze arcos obrigatórios, um tem de ser alusivo ao Município de Lisboa, outro à colectividade (bairro) organizadora e outro ao Santo António; pode existir ainda um arco dedicado aos restantes Santos Populares.A decoração dos arcos e elementos cenográficos tem de incluir um dos seguintes elementos tradicionais: festão, balão ou manjerico. Para se distinguirem perante o júri, os trajes dos marchantes e dos aguadeiros têm de ser obrigatoriamente diferentes.

Lisboa é capital de um país que “deu novos mundos ao mundo” e o tema das marchas populares de 2017 não podia ser mais adequado: “Lisboa, cidade do mundo”.

Por Dulce Rodrigues

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