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LISBOA antiga

Cultura por Dulce Rodrigues em 2017-08-22 09:09:24

LISBOA antiga

Lisboa! A minha cidade natal!Uma noiva em sua alcova nupcial, como lhe chamou Ibn Saíde, no século XIII, referindo-se à beleza da cidade. Um estuário e um céu azul, de um azul tão arrogante que às vezes é difícil olhá-lo, tal é a luminosidade natural que tanto contribui para a beleza da cidade! 

Lisboa encontra-se entre as dez cidades mais antigas do mundo, ininterruptamente habitada desde há mais de três mil anos. Conta a lenda, envolta em romantismo, que a cidade foi fundada pelo herói grego Ulisses. Mas a História, menos romântica e lendária, diz-nos que teriam sido os Fenícios que aqui estabeleceram um género de entreposto, a que deram o nome de Alis Ubbo, que significava “enseada amena” ou “porto seguro”. Quanto ao Tejo que banha Lisboa, também deve o seu nome aos comerciantes e navegadores fenícios, que lhe chamaram Daghi, que queria dizer “boa pesca”.

Lisboa é como um “mil-folhas”, construída camada após camada, até se chegar à cidade de hoje. Depois dos Fenícios, passaram por Lisboa Gregos e Cartagineses... A seguir chegaram os Romanos e aqui se instalaram, tendo mudado o nome da cidade para Felicitas Julia Olisipo, em homenagem a Júlio César. Apesar de a cidade não gozar de grande importância dentro da Lusitânia nessa época, os seus habitantes ficaram isentos de impostos e foi-lhes dada cidadania romana–um privilégio raríssimo na altura para os povos não-romanos – como recompensa pela ajuda prestada aos Romanos quando da ocupação da Lusitânia.

Podemos mesmo dizer que, sob a égide de Roma, desenhava-se já a Lisboa cosmopolita do futuro, ponto de partidas e chegadas, de paragens e passagens, encruzilhada de saberes e sabores exóticos. Lisboa era uma cidade que sabia tirar partido dos recursos locais e produzia e exportava alimentos para todo o Império Romano. A palavra “felicidade” encontrava-se não só no nome da cidade, mas também fazia parte da vida dos seus habitantes nessa época! 

Quando do declínio do Império Romano, Lisboa sofreu a invasão de Alanos e de Vândalos, fez parte do reino dos Suevos e acabou por ser tomada pelos Visigodos. Foi uma das primeiras cidades da Lusitânia a  abraçar o cristianismo, tendo sido São Gens o seu primeiro bispo, segundo a tradição... um pouco lendária.

Em 711, os Mouros começaram a invadir a Península Ibérica, e Lisboa caíu nas suas mãos em 719. Mudaram-lhe então o nome para Al Lixbuna (também há quem diga Al Ushbuna). Muitos séculos se passaram antes de ser conquistada aos Mouros, em 1147, por D. Afonso Henriques. E de novo o nome mudou para Lisboa e assim se tem mantido.Apesar de famosa e opulenta, Lisboa só substituiu Coimbra como capital do reino em 1255,sob Dom AfonsoIII. Curiosamente, não existe nenhum documento a oficializar essa mudança, Lisboa tornou-se capital de Portugal de facto, não oficialmente. 

Na descrição de Lisboa na sua obra “Geografia”,  o famoso geógrafo e cartógrafo árabe Muhammad Al-Idrisi escreveu que “o mar lança palhetas de ouro sobre a praia\" e que “no Inverno os habitantes da cidade vão para a margem do rio à procura deste metal e dedicam-se a isso enquanto dura a estação rigorosa\". Quanto ao geógrafo árabe Yâqût al-Hamâw, deixou-nos uma descrição mais pormenorizada de Lisboa: “é uma cidade antiga, próxima do mar e situada a oeste de Córdova. Nas suas montanhas há bons falcões e produz o melhor mel de todo o al-Andalus, que se conhece como al-ladharnî; parece-se com o açúcar, conservando-se embrulhado em pano, para que não se suje. A cidade está junto ao rio Tejo e perto do mar. No seu solo há jazidas de ouro puro e nas suas costas encontra-se um âmbar excelente”. Para um outro geógrafo árabe, Almunime Al-Himiar, Lisboa \"é uma cidade edificada à beira-mar, cujas vagas se vêm quebrar contra as muralhas, admiráveis e de boa construção. A parte ocidental da cidade é encimada por arcos sobrepostos que assentam em colunas de mármore, por sua vez apoiadas em envasamentos de mármore. A cidade é, por sua natureza, muito bela.\"

O mundialmente famoso rei Charles V disse um dia que “se fosse rei de Lisboa seria dono do mundo.” 

Uma cidade historicamente tão antiga como Lisboa está repleta de histórias, muitas delas envoltas em lendas e mitos. É o que me proponho ir contando-vos em próximos artigos.

Dulce Rodrigues
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