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As criadas

Literatura por Renata Barcellos em 2017-09-17 21:38:28

    As Criadas, clássico francês de Jean Genet, de 1947, estreiou no dia 04 de agosto no Teatro Maison de France. Depois de 36 anos, de sua montagem histórica, em 1981, com Dina Sfat, Jacqueline Laurence e Suzana Faini, dirigidas por Gilles Gwizdeck.  O texto foi escrito pelo escritor durante uma de suas muitas passagens pela prisão.

     A peça apresenta a história de duas irmãs: Clara (Clara Carvalho) e Solange (Mariana Muniz) cuja função exercida é de doméstica na residência de Madame (Emilia Rey), por quem elas nutrem ódio e contemplação ao mesmo tempo. Quando Madame sai de casa, as criadas iniciem um jogo de submissão e poder no qual usam as roupas, joias e maquiagens da patroa. Imitando até sua voz e seus gestos, em diversas situações imaginárias, as atrizes têm um bom desempenho. A cena do casaco é uma das melhores.  Ao longo do enredo, observa-se que, quotidianamente, planejam a morte de sua patroa. Tratando-se de um drama e, ao mesmo tempo, de uma tragicomédia, a fim de propor a reflexão sobre a relação existente entre opressor e oprimido.

   Admirado por escritores como Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre, Genet escreveu a maioria de seus textos durante os anos em que esteve preso, dentre eles, inspiração para As Criadas. Baseado em um caso real ocorrido na França, das irmãs Papin, que mataram a patroa e sua filha no ano 1933. Em uma entrevista, em 1957, sobre quem era, respondeu a um amigo escritor, Tahar Ben Jelloun: - \"Se eu estou sozinho, posso falar a verdade. Se estou com alguém, minto. Eu sou marginal”.

   Jean Genet (1910 – 1986), escritor, poeta e dramaturgo, francês nascido em Paris e autor de textos com profundo lirismo, fruto da atormentada existência. Teve uma vida difícil. Filho de pai ignorado, foi entregue pela mãe à assistência pública e foi adotado por um casal de produtores rurais. Abandonou a família, passando a juventude em reformatórios e prisões. Estas foram sua fonte de inspiração de grande parte de sua obra literária. Conseguindo assim transformar sua vida conturbada em literatura de qualidade. Seu primeiro poema foi Le Condamné à mort (1942). Em seguida,  escreveu o romance Notre-Dame des Fleurs (1944), que lhe rendeu elogios de escritores como Jean Cocteau e Jean-Paul Sartre. Reconhecido como escritor de extraordinário talento, a polêmica em torno de sua figura aumentou com o romance Miracle de la rose (1945-1946). Publicou Querelle de Brest (1947), que Fassbinder transformou em filme. Com a peça Les Bonnes (1947), revelou-se um excelente dramaturgo, precursor do teatro do absurdo. Com a autobiografia, Journal du voleur (1949), confessa ter sido ladrão e homossexual. Depois escreveu alguns romances e peças teatrais curtas que mostravam a influência do existencialismo de Sartre. Com Le Balcon (1956) e Les Paravents (1961), aprofundou um estilo expressionista de denúncias sobre os preconceitos políticos e sociais, ratificando seu temperamento anárquico e rebelde. Faleceu em 1986, por causa de um câncer na garganta diagnosticado em 1979.

    No Brasil, Jean Genet ficou muito conhecido por causa de duas obras: O Balcão e As Criadas. Encontrei uma tradução desta no site https://retrateinterior.files.wordpress.com/2014/07/as_criadas_-_jean_genet.pdf, de Pontes De Paula Lima. Uma boa reflexão!!!

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Álvaro Luiz Cardoso

Bravo! Renata, adorei a matéria, parabéns! Adoraria rever esta peça no palco. Quando ao link da tradução que você indicou eu tentei acessar mas não deu certo. De qualquer modo foi boa a dica pois eu sou fã desta obra de Genet.

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