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Oficina: África e Africanidades

Literatura por Renata Barcellos em 2017-10-26 09:46:52

Esta oficina teórico-prática proposta pelos professores de Português / Literatura, integrada com as turmas do 3º ano do ensino médio do Colégio Estadual José Leite Lopes/NAVE, tem como objetivo trazer aos professores o conhecimento necessário da cultura, história e literatura africana, bem como subsídios para atividades em sala de aula. A oficina quis abarcar esta proposta, visto que o eixo \"Conto e romance das literaturas indígenas e africanas em língua portuguesa\" consta no terceiro bimestre do currículo mínimo de língua portuguesa/literatura da terceira sé- rie do ensino médio. Ainda, são inúmeras as possibilidades de integração com outras disciplinas que incluem conteúdos, habilidades e competências com o tema África e africanidades, como sociologia (cultura e identidade/diversidade; preconceito e discriminação) e história (reorganiza- ção geopolítica da África; compreensão da diversidade cultural da África; compreensão do multiculturalismo brasileiro). No contexto das dinâmicas trabalhadas no currículo mínimo do 3º bimestre de 2015, observamos o quanto essas práticas estimulam o aprendizado da vida do nosso educando e a competividade, de forma saudável. Na tentativa de minimizar o olhar ao não-preconceito, propomos aos educandos a refletir sobre “discriminação” e “racismo”. Analisamos através do romance de Jorge Amado Tenda dos Milagres e do polêmico conto “Negrinha”, de Monteiro Lobato, as presenças do negro como personagem no espaço das narrativas desses escritores que definiram pressupostos de atuação com a leitura de fragmentos de algumas obras da literatura africana em língua portuguesa. Outro enfoque de interesse dos educandos foram os falares de origem africana e sua influência no falar brasileiro. Nessa abordagem entendemos a relevância dos estudos linguísticos dos falares africanos e sua contribuição no português do Brasil. Ao contrário do que muitos pensam, o falar popular da cultura africana é incontestável na constituição da nossa língua, o que poucos sabem é que esses usos populares estão no dia a dia e na oralidade dos brasileiros. Por esse motivo, é muito importante a obrigatoriedade de se fazer valer os objetivos da Lei 10.639, no ensino básico e a sua efetiva concretização como pilar de estudos integrados a todas as áreas de conhecimento. 2. Justificativa Refletir o ensino das literaturas africanas e afro-brasileira descortina uma prática não muito habitual no espaço das salas de aula, e embora o debate sobre a Lei 10.639/03 torne obrigatório o ensino da história e cultura afro-brasileira e indígena nas redes públicas e particulares, a sua implementação ainda constitui um obstáculo nos sistemas de ensino. Percebe-se que, na prática, a inclusão da temática da cultura africana e afrobrasileira no currículo de conteúdos nas escolas brasileiras ainda gera contradições e preconceito contra a pessoa negra. A Lei 10.639, sancionada em 9 de janeiro de 2003, que altera a Lei 9.394/1996 de Diretrizes e Bases para a Educação Nacional, inclui no currículo oficial da educação básica da rede de ensino pública e privada a obrigatoriedade do ensino de história da África e da cultura afro-brasileira. Esta reconhece a diversidade étnico-racial, valoriza a história e a cultura dos povos negros e se propõe a construir uma educação que respeite a pluralidade. A legislação trouxe avanços para a prática pedagógica. Entretanto, como destaca Nilma Gomes: Em alguns setores da mídia, dos meios intelectuais e políticos permanecem tensões e discordâncias sobre a importância da inclusão da temática étnico-racial nas políticas curriculares e nos processos de gestão. A Lei 10.639/03, suas diretrizes nacionais e a Resolução CNE/CP 1/2004 podem ser consideradas como um divisor de águas e, ao mesmo tempo, a explicitação dos tensionamentos sobre a responsabilidade do poder público no combate às desigualdades raciais. (GOMES, 2009, p. 51) Esse viés é reforçado nos livros didáticos e paradidáticos das escolas brasileiras, onde a figura do europeu é centrada como modelo da ideologia de dominação, pouco se vê o negro como personagem de conquista da história, a sua condição é sempre a de escravo e marginalizado pela sociedade branca. O olhar preconceituoso e discriminatório do europeu preconiza uma herança como explorador da mão de obra do negro ao longo da sua história. O sociólogo Gilberto Freire, em Casa Grande e Senzala, entre outras temáticas, denuncia a violência da escravidão e o racismo desumano dele derivado. Esse estigma cultural em face da diversidade racial, querendo ou não, é base da formação étnica do povo brasileiro, as suas raízes seculares ajudaram na construção do desenvolvimento social e econômico. A fim de possibilitar esta reflexão por parte dos educandos, a estrutura da oficina foi baseada nos seguintes objetivos:  Conhecer e valorizar a história e a cultura afro-brasileira e africana de forma lúdica e reflexiva, ressaltando sua diversidade e pluralidade.  Criar uma atmosfera de desafios em que os educandos percebam um propósito na atividade que estão executando.  Ampliar o repertório de estratégias de leitura e escrita.  Estimular as turmas a expandir seus conhecimentos, enfatizando as contribuições culturais africanas.

Dia 27 | das 13h30 às 15h30
Indicado para Educadores

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