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LISBOA E O SÃO MARTINHO

Geral por Dulce Rodrigues em 2017-11-01 23:45:38

LISBOA E O SÃO MARTINHO

Há em português um provérbio que diz: É dia de São Martinho; comem-se castanhas, prova-se o vinho. Em Lisboa, os vendedores ambulantes de castanhas assadas têm grande procura e vêem-se por toda a cidade e arredores. Esta é também a estação do ano em que a produção da castanha atinge o seu auge.

Como estamos no mês do São Martinho, não resisto a contar-vos sobre o “São Martinho”. Todos os anos, nesse dia de 11 de novembro, é de tradição em Portugal assar castanhas, beber água-pé, jeropiga ou vinho novo, produzido com a colheita do Verão anterior. A esta festa popular chama-se magusto*.

O Dia de São Martinho está associado a um fenómeno atmosférico que se faz sentir normalmente por toda a Europa, pois embora já estejamos no Outono pelo São Martinho, o tempo fica mais quente e ensolarado nesta altura do ano. A explicação desse fenómeno tem a sua origem na seguinte lenda. São Martinho morreu em Candes (na antiga Gália, actual França) no dia 8 de novembro de 397 num leito de cinzas, como era costume morrerem todos os santos homens. Quando o seu corpo era transportado de barco até Tours, onde foi enterrado a 11 de novembro, o povo apercebeu-se de que as margens do rio Loire se cobriam de flores, apesar de se estar quase no Inverno. E assim nasceu a lenda do “Verão de São Martinho”!

A lenda mais conhecida de São Martinho é, contudo, a que se refere ao seu manto. Segundo essa lenda, enquanto ainda soldado destacado na Gália, Martinho encontrou num gélido dia de Outono um mendigo transido de frio junto às portas da cidade de Amiens. Sem hesitar, cortou o seu manto em dois e deu uma das metades ao mendigo. Mais à frente, Martinho encontrou um outro mendigo, com quem partilhou a outra metade da capa. Sem nada que o protegesse do frio, Martinho continuou viagem. Diz a lenda que, nesse momento, as nuvens negras desapareceram e o sol surgiu. O bom tempo prolongou-se por três dias.

Nessa noite, Martinho sonhou com Jesus, vestido com esse bocado do manto, a dizer aos anjos que Martinho, um soldado romano não baptizado, lhe tinha dado o manto. (Sulpício, cap. 3). Depois desta visão, Martinho abandonou o exército e apressou-se a ser baptizado. Tinha então 20 anos e corria o ano de 356.

Deixemos agora as lendas e vejamos os factos históricos. São Martinho nasceu por volta de 336 numa antiga cidade da Panónia, na atual Hungria, então província na fronteira do Império Romano. Era filho de um comandante romano e cresceu na região de Pavia, actual Itália. Criado para seguir a carreira militar, foi convocado para o exército romano quando tinha quinze anos, viajando por todo o Império Romano do Ocidente.

Apesar de ter recebido uma educação pagã, Martinho descobriu o Cristianismo ainda na adolescência. Tornou-se discípulo de Santo Hilário, bispo de Poitiers (na zona oeste da atual França), que o ordenou diácono e presbítero. Regressou de seguida à Panónia e converteu a mãe. Depois mudou-se para Milão, de onde terá sido expulso juntamente com Santo Hilário, pelo que foi isolar-se por algum tempo na ilha de Galinária, ao largo da costa italiana.

Voltou então à Gália e, numa região perto de Poitiers, fundou o mais antigo mosteiro conhecido na Europa. Foi ordenado bispo de Tours em 371 e fundou o mosteiro de Marmoutier, na margem do rio Loire, onde vivia em reclusão. Pregador incansável, foi também o fundador das primeiras igrejas rurais da antiga Gália, onde atendia tanto ricos como pobres. Os seus milagres atraíam multidões e o local onde depois foi sepultado, em Tours, desenvolveu intensa peregrinação.

* O arqueólogo português Leite de Vasconcelos, fundador do Museu Nacional de Arqueologia em Lisboa, considerava o magusto como o vestígio de um antigo sacrifício em honra dos mortos e refere que era tradição, em Barqueiros, preparar à meia-noite, uma mesa com castanhas para os mortos da família irem comer.


Dulce Rodrigues
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