Rede Mídia de Comunicação | Rede Sem Fronteiras

Você está em: Início > Notícias > Literatura > Literando no teatro

Literando no teatro

Literatura por Renata Barcellos em 2017-11-05 07:52:44

A peça Um certo Lampião em forma de monólogo tem a excelente atuação do ator Sidcley Batista. Antes de iniciá-la, às 18:30, há um recital nas escadarias do teatro Dulcina. A seleção musical (a interpretação dele de Carcará de Maria Bethania,, Espumas ao vento de Fagner e Amplidão de Elba Ramalho) e de poesias (como João Cabral de Melo Neto) sobre o sertão e o Lampião são excelentes. Depois, da ambientação, subimos para assistir à peça que é uma releitura da história do rei do cangaço cujo objetivo é manter viva uma das figuras mais lendárias da história recente do Brasil: Virgulino Ferreira.

A proposta do espetáculo é apresentar uma narrativa fictícia do bisneto de Lampião, a fim de desmistificar o homem lendário, representante de um povo que resiste e luta contra o poderio das classes superiores. Gilvan Balbino (autor e diretor) propõe uma releitura muito divertida em que o bisneto de Lampião vem a público revelar segredos de sua família, que nenhuma biografia jamais revelou sobre uma das figuras mais temidas e admiradas da história recente do Brasil, o rei do cangaço, Virgulino Ferreira da Silva, o Lampião.

Desde o início da encenação, há a música Mulher rendeira (de Demônios da Garoa) “Olé, Mulher Rendeira, Olé mulhé rendá. Tu me ensina a fazer renda, eu te ensino a namorá”. Com ela e os pensamentos proferidos como: “A vida é uma cilada, um olho no padre e outro na missa, todos querendo se dar bem, raros querendo ajudar o próximo...” inicia e termina a peça. Para iniciar, começa a história de Lampião ainda menino. Apresenta com humor sua vaidade e, em seguida, o juramento que fez quando a mãe faleceu: “Nunca vou passar fome, sede, por tudo que é mais sagrado”. Dali, por diante, uma viagem pela trajetória do rei do cangaço.

Virgulino Ferreira da Silva, Lampião, nasceu em 7 de julho de 1897, na pequena fazenda dos seus pais em Vila Bela, atual município de Serra Talhada, no estado de Pernambuco. Era o terceiro filho de uma família de oito irmãos. Trabalhou com o pai, na infância e parte da adolescência, cuidando de gado. Quando o pai faleceu, envolveu-se em brigas familiares na juventude e entrou para um bando de cangaceiros para vingar a morte do pai. Em 1922, passou a comandar um bando de cangaceiros (entre 30 e 100 membros). Em junho de 1927, Lampião comandou seus homens na fracassada tentativa de tomar a cidade de Mossoró (RN). Na década de 1930, eles passaram a ser procurado por policiais de vários estados do Nordeste. Começaram a viver de saques a fazendas e doações forçadas de comerciantes. Comparado a Robin Hood, Lampião roubava comerciantes e fazendeiros, sempre distribuindo parte do dinheiro com os mais pobres. No entanto, seus atos de crueldade lhe valeram a alcunha de \"Rei do Cangaço\". Para matar os inimigos, enfiava longos punhais entre a clavícula e o pescoço. Seu bando seqüestrava crianças, botava fogo nas fazendas, exterminava rebanhos de gado, estuprava coletivamente, torturava, marcava o rosto de mulheres com ferro quente. Antes de fuzilar um de seus próprios homens, obrigou-o a comer um quilo de sal. Assassinou um prisioneiro na frente da mulher, que implorava perdão. Lampião arrancou olhos, cortou orelhas e línguas, sem a menor piedade. Perseguido, viu três de seus irmãos morrerem em combate e foi ferido seis vezes. Em 1930, conheceu Maria Déia (Maria Bonita) que ingressou no bando, tornando-se mulher de Lampião. Em 1932, nasceu a filha do casal, Expedita Ferreira. Em 27 de julho de 1938, Lampião e vários cangaceiros do bando estavam na fazenda Angicos, sertão de Sergipe, quando foram mortos por policiais da volante do tenente João Bezerra. Os trinta homens e cinco mulheres estavam começando a se levantar, quando foram vítimas de uma emboscada de uma tropa de 48 policiais de Alagoas, comandada pelo tenente João Bezerra. O combate durou somente 10 minutos. Os policiais tinham a vantagem de quatro metralhadoras Hotkiss. Lampião, Maria Bonita e nove cangaceiros foram mortos e tiveram suas cabeças cortadas. Maria foi degolada viva. Os outros conseguiram escapar.

Existem duas versões para o seu apelido Lampião. Dizem que, ao matar uma pessoa, o cano de seu rifle, em brasa, lembrava a luz de um lampião. Outros garantem que ele iluminou um ambiente com tiros para um companheiro encontrar um cigarro perdido no escuro.

O cangaço terminou em 1940, com a morte de Corisco, o \"Diabo Loiro\", o último sobrevivente do grupo comandando por Lampião. Vale ressaltar que muuito antes de Lampião, desde o século XVIII, já existiam bandos armados agindo no sertão, particularmente na área onde vingou o ciclo do gado no Nordeste, território onde campeava a violência, a lei dos coronéis, a miséria e a seca. A palavra cangaço, segundo a maioria dos autores, derivou de “canga”, peça de madeira colocada sobre o pescoço dos bois de carga. Assim como o gado, os bandoleiros carregavam os pertences nos ombros.

Este espetáculo integra o projeto De Olho no Nordeste – Porta Aberta, que ocupa o Teatro Dulcina, no Centro do Rio de Janeiro, por seis semanas, entre 4 de outubro e 12 de novembro deste ano. Quinta-feira, às 19:00. Vale a pena conferir a última semana!!!

 

Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós

* Seus dados não serão exibidos a terceiros.

Sandra Xavier

Super recomendo.

Publicidade

Veja também