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Literando no teatro

Literatura por Renata Barcellos em 2017-11-18 10:12:25

A peça do lado narra a história de um grupo de atores mambembes que ocupa um teatro público para se proteger de uma forte chuva. Lá, encontra textos do dramaturgo francês Jean Tardieu e realiza encenações com muito humor até ser expulso pelo administrador do espaço. O objetivo é de despertar no público uma reflexão sobre o teatro e suas dificuldades como a falta de lugares para se apresentar, problemas governamentais, o não reconhecimento de artistas e outras críticas sociais sobre a realidade do país. Este é alcançado. Passa-se o espetáculo todo rindo, sai-se dele leve. Há um tempo não assisto a nada assim.

O texto inspirado no universo de Tardieu e em Dario Fo cuja montagem inédita marca a primeira parceria entre a “Cia Ao Lado” e o diretor Delson Antunes. Segundo este, Peça ao Lado é um espetáculo construído “com diversas referências da comédia universal, como a Commedia dell’art, o melodrama e a farsa. O roteiro é o resultado de uma pesquisa de linguagens, com um grupo de jovens atores. É uma comédia aparentemente despretensiosa, mas, além de divertir, aos poucos se torna uma reflexão crítica sobre o teatro e sobre alguns valores da nossa sociedade. Uma homenagem aos artistas que dedicaram as suas vidas a essa arte milenar e seu poder de comunicar, emocionar e transformar o homem”.

O espetáculo inicia com a entrada dos músicos Dani Ruhm e Pedro Botafogo. Toda a encenação é acompanhada por música. O elenco é composto por João Telles, Luíza Surreaux, Marcos Guian, Milla Fernandez e Valléria Freire cuja atuação é maravilhosa. São muito sincronizados. Interagem em um determinado momento com a plateia. Para os atores, o grande desafio foi unir os esquetes do texto de Tardieu. De acordo com Delson, que desde o final de 2016, se reúne com os atores num processo colaborativo: “é um espetáculo construído com diversas referências da comédia universal, como a Commedia dell’art, o melodrama e a farsa. O roteiro é o resultado de uma pesquisa de linguagens, com um grupo de jovens atores. É uma comédia aparentemente despretensiosa, mas, além de divertir, aos poucos se torna uma reflexão crítica sobre o teatro e sobre alguns valores da nossa sociedade. Uma homenagem aos artistas que dedicaram as suas vidas a essa arte milenar e seu poder de comunicar, emocionar e transformar o homem”.

A falta de lugares para se apresentar, o emparelhamento da máquina pública, o não reconhecimento de artistas mambembes e qualquer outra crítica social não são apenas meras coincidências com a realidade atual do país. Essas coincidências são abordadas de maneira a levar o público à reflexão.  Para Valleria,  toda a equipe envolvida no projeto “cada um foi se chegando a seu tempo e contribuindo da melhor forma possível. Tudo isso deu muito confiança para todos nós atores, que iniciamos este encontro em um curso de teatro e agora vamos levar o resultado para o público”.

Peça ao lado nos proporciona conhecer um pouco deste autor francês Jean Tardieu (Saint-Germain-de-Joux, 1903 - Créteil, 1995). Ele foi poeta e dramaturgo francês. Publicou suas primeiras poesias em La Nouvelle Revue Française, en 1927. Sua obra aborda questões filosóficas. Em 1930, trabalhou na editora Hachette, onde publicou « Le fleuve caché » (1933), « Accents » (1939). Nesse período sua escrita poética tinha um estilo a Mallarmé.

As primeiras peças de Tardieu estão relacionadas ao « Teatro do absurdo » como: « Qui est là ? » (1949). Este tipo de foi criado em 1961 pelo húngaro radicado Martin Esslin cujo objetivo era tentar reunir as obras de dramaturgos de diversos países com ponto central a abordagem inusitada de aspectos inesperados da vida humana. O percursor destaca como dramaturgos do teatro do absurdo: o escritor romeno, radicado na França, Eugène Ionesco(1909 - 1994), o irlandês Samuel Beckett (1906 - 1989), o russo Arthur Adamov (1908-1970), o inglês Harold Pinter (1930-2008), o espanhol Fernando Arrabal (1932), o francês Jean Genet (1910-1986) e o estadunidense Edward Albee (1928). Um dos precursores deste procedimento dramático seriam Alfred Jarry (Ubu Rei 1896) e Guillaume Apollinaire (Les Mamelles de Tirésias 1903).

Vale destacar o término da peça, com citações dos grandes escritores  como “ Ser ou não ser eis a questão”, “ Faço teatro para incomodar”, “ Há mais coisa entre o céu e a terra”, “ Há algo de podre no reino da Dinamarca”. .. E foram mencionados os grandes artistas e escritores: Jean Tardieu, Plinio Marques, Dias Gomes, Paulo Autran....  

Vale a pena conferir!!!

O espetáculo está em cartaz terças e quartas-feiras, às 20h, até o dia 22 de novembro no Teatro Municipal Café Pequeno, Leblon.

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