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Trailer do Filme: Cora Coralina - Todas as vidas, documentário que estreia em dezembro.

Literatura por Alberto Araújo em 2017-11-27 16:29:03

               

Caros foculistas, estreia em dezembro, o documentário esperado há tempo, sobre a vida da poetisa mais querida do Brasil, sim, a mais estimada, achamos quem vai discordar, que a poetisa fulana é melhor, a poetisa fulana escreveu muita coisa, mas não estamos afirmando isso, estamos assegurando, o que Cora Coralina representa, a sua simplicidade, a sua escrita, seus ensinamentos sobre a vida, sobre o cotidiano das pessoas humildes, essa gente, que simboliza a classe pobre e modesta do Brasil. São esses atributos, por isso a família Focus, admira e enaltece a poetisa Cora Coralina, autora que deixou um legado grandioso, seremos os seus seguidores e seus eternos admiradores.

  

CORA CORALINA TODAS AS VIDAS

CLICAR NO LINK: https://www.youtube.com/watch?v=y-NdhhnsppQ


  

Cruzando a fronteira entre a realidade e a ficção, esta é a história da escritora e poetisa brasileira Cora Coralina, uma mulher que trabalhou como doceira durante quase toda sua vida, apenas publicando seu primeiro livro aos 75 anos de idade. No entanto, nem mesmo todos os anos de espera a impediram de se tornar uma das autoras brasileiras mais importantes de sua geração.

 

Cora Coralina é interpretada por diversas atrizes, que fazem menos um trabalho clássico de atuação do que uma evocação livre da escritora goiana. Ao invés de se preocuparem com a imitação, elas fornecem pontos de apoio para o espectador situar a poetisa no bairro onde morava, na casa em que cozinhava seus doces, na paisagem específica da ponte da Lapa. O diretor Renato Barbieri poderia se ater à imagem da escritora, à reconstituição idêntica aos fatos históricos, à vida de Cora como mãe, esposa, cozinheira etc. Entretanto, pela estética lúdica e pela leitura múltipla dos textos, percebe-se que a personagem é valorizada, acima de tudo, por sua produção artística.

 

A aparência de Cora importa pouco: o principal é sua experiência de vida refletida nos textos.

  

Data de lançamento 14 de dezembro de 2017.

Direção: Renato Barbieri. 

Elenco: Camila Márdila, Walderez de Barros, Teresa Seiblitz e outros.

Biografia, Documentário.

Nacionalidade: Brasil.

 

 

 

 

Cora Coralina (1889-1985) foi uma poetisa e contista brasileira. Publicou seu primeiro livro quando tinha 75 anos. Ana Lins dos Guimarães Peixoto, conhecida como Cora Coralina, nasceu na cidade de Goiás, em Goiás, no dia 20 de agosto de 1889.  Cursou apenas até a terceira série do curso primário. Começou a escrever poemas e contos quando tinha 14 anos, chegando a publicá-los no jornal de poemas “A Rosa”, em 1908.

 


Em 1910, foi publicado o seu conto Tragédia na Roça no Anuário Histórico e Geográfico do Estado de Goiás, usando o pseudônimo de Cora Coralina. Em 1911, fugiu com o advogado divorciado Cantídio Tolentino Bretas. Em 1922 foi convidada a participar da Semana de Arte Moderna, mas foi impedida por Cantídio.

 Em 1934, depois da morte do marido, Cora tornou-se doceira para sustentar os quatro filhos. Viveu por muito tempo de sua produção de doces, se achava mais doceira do que escritora. Considerava os doces cristalizados de caju, abóbora, figo e laranja, que encantavam os vizinhos e amigos, obras melhores do que os poemas escritos em folhas de caderno.

 Já em São Paulo, em 1934, trabalhou como vendedora de livros na editora José Olímpio. Com 70 anos decidiu aprender datilografia para preparar suas poesias e entregá-las aos editores. Em 1965, aos 75 anos conseguiu realizar o seu sonho de publicar o primeiro livro, O Poema dos Becos de Goiás e Estórias Mais. Em 1976, foi lançado seu segundo livro Meu Livro de Cordel\" pela editora Goiana. O interesse do grande público só foi despertado graças aos elogios do poeta Carlos Drummond de Andrade, em 1980.

Nos últimos anos de sua vida, sua obra foi reconhecida e foi convidada para participar de conferências e programas de televisão. Cora Coralina foi homenageada com o título de Doutor Honoris Causa da UFG. Foi eleita com o Prêmio Juca Pato da União Brasileira dos Escritores, como intelectual do ano de 1983, com o livro Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha.

  

Cora Coralina faleceu em Goiânia, Goiás, no dia 10 de abril de 1985.

 

Obras de Cora Coralina

 

 

  • Poemas dos Becos de Goiás e Estórias Mais, poesia, 1965

  • Meu Livro de Cordel, poesia, 1976

  • Vintém de Cobre: Meias Confissões de Aninha, poesia, 1983

  • Estórias da Casa Velha da Ponte, contos, 1985

  • Os Meninos Verdes, infantil, 1980

  • Tesouro da Casa Velha, poesia, 1996 (obra póstuma)

  • A Moeda de Ouro Que um Pato Engoliu, infantil, 1999 (obra póstuma)

  • Vila Boa de Goiás, poesia, 2001 (obra póstuma)

  • O Pato Azul-Pombinho, infantil, 2001 (obra póstuma)

 

 

 

 

 

POEMA QUE ORIGINOU O FILME

 

 

Todas as Vidas

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé
do borralho,
olhando para o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço…
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo…
Vive dentro de mim
a lavadeira
do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d’água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde
de São-caetano.
Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.
Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada,
sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.
Vive dentro de mim
a mulher roceira.
-Enxerto de terra,
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.
Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha…
tão desprezada,
tão murmurada…
Fingindo ser alegre
seu triste fado.
Todas as vidas
dentro de mim:
Na minha vida –
a vida mera
das obscuras!

Cora Coralina

 

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