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Reunião da ADALB

Literatura por Renata Barcellos em 2017-12-02 10:46:01

No dia 29 de novembro, na sala José de Alencar, na ABL, houve reunião da ADALB. Na programação, a enriquecedora palestra de Ricardo Cravo Albin intitulada “A MPB como veículo de educação”, a posse da nova diretoria (eu como conselheira, obrigada pela oportunidade Zélia Fernandes), a homenagem ao ator Flavio Bauraqui pela brilhante atuação como Cartola, a posse do graduando em Direito pela Unirio Lucien Gilbert e, para encerrar “com chave de ouro”, o maestro Vito Nunziante Jr com o projeto coral Cantar para viver. Segundo ele, o canto funciona como “terapia para combater o estresse, principalmente nos idosos”.

O fundador e diretor do Museu do Som e da  Imagem (MIS) do Rio de Janeiro entre 1965 e 1971 historiador de MPB, produtor cultural, produtor de rádio e televisão, crítico de arte e atual presidente da Academia Carioca de Letras, Ricardo Cravo Albin nos apresentou o maravilhoso Projeto Música popular brasileira nas escolas o qual pretendo implantar em duas escolas da Rede Estadual: CECA e CEJLL/NAVE. Trata-se de uma das grandes conquistas do Instituto Cultural Cravo Albin  http://institutocravoalbin.com.br/mpb-nas-escolas/),uma sociedade civil, sem fins lucrativos, com sede na cidade do Rio de Janeiro. Ela foi fundada em janeiro de 2001 com a finalidade de promover e incentivar atividades de caráter cultural no campo da pesquisa, reflexão e promoção das fontes que alimentam a cultura e, em especial, a música brasileira, visando à divulgação, à defesa e à conservação do patrimônio histórico e artístico. Na palestra, discorreu sobre as partes componentes do projeto e sua relação com Cartola (o quão emocionado estava com a homenagem ao compositor, a “a fina flor” ). Revelou-nos também que ia aos domingos conversar com ele e comer a deliciosa carne assada de dona Zica, a quem se referiu como “exímia cozinheira”.

A medalha Cartola foi idealizada para homenagear o compositor de “As Rosas não Falam” (Queixo-me às rosas / Mas que bobagem / As rosas não falam / Simplesmente as rosas exalam / O perfume que roubam de ti, ai) e “O Mundo é um Moinho” (Ouça-me bem, amor // Preste atenção, o mundo é um moinho // Vai triturar teus sonhos, tão mesquinho //
Vai reduzir as ilusões a pó). Vale destacar que ficou conhecido assim porque, quando adolescente, usava chapéu-coco. Segundo Cravo Albin, Vinicius de Moraes o considerava “o maior lírico da música popular brasileira”.

O simpático homenageado Flávio Bauraqui chegou antes de a reunião iniciar. Concedeu-me alguns minutos de atenção para narrar a trajetória dele. Indaguei-o sobre como surgiu o projeto Cartola. Ele revelou-me que tudo começou a ocorrer em 2004 com o espetáculo Obrigado, Cartola. Disse que estreou “uma peça vivendo Cartola. Foram três meses de preparação intensa, mas tivemos alguns problemas e a temporada durou apenas um mês”. Em seguida, no Canecão, Cem anos de Cartola e participação na inauguração do Centro Cultural do Cartola. Em 2016, o produtor Jô Santana começou o projeto Cartola – O mundo é um moinho. Sua história com o lendário sambista, que faria 100 anos em 2018, é antiga. Ele pediu a bênção a Nilcemar Nogueira, neta de Cartola. Ela aprovou a nova montagem, mas fez uma única exigência: “que eu vivesse seu avô”, orgulha-se o ator. “Da mesma forma que Cartola lutou por sua arte e só conseguiu gravar um disco aos 65 anos, tive de ter paciência para poder vivê-lo como sempre sonhei”. O ator destacou um pensamento de um bispo não só neste momento quanto no da homenagem “Tudo está no mundo. Mas só é para quem vê”. Vale destacar que o ator já foi premiado em vários festivais de cinema pelo país como conquistou os críticos internacionais com sua atuação no Curta “Jardim Beleleu” e o prêmio de melhor ator no New York Short Film Festival e com o curta o prêmio de melhor filme no San Diego Black Film Festival. Veja o trailer no link http://www.youtube.com/watch?v=wcHXH8OUy3g. Ganhou também o Prêmio de Melhor Ator, no ” Festival do Rio”, em 2004, Troféu Calunga, na 11ª edição do” Festival de Cinema
de Pernambuco”, como ator coadjuvante.

Lucien Gilbert, ex-aluno do Colégio Estadual Chico Anysio (CECA), tornou-se membro da ADALB. Cursa o segundo período de Direito na Unirio. Gosta de escrever em prosa e verso. Com textos publicados no site http://becodopoeta.com/abstinencia/. Para ele, o que levou-o ao universo das letras foi o fato de “ter sido estimulado a ler e escrever desde cedo por seu pai”. Um de seus poemas:

Você é sinônimo de amor
É substantivo poderoso
Antônimo de minha dor
Verbo não apenas transitivo

É chuva de belos adjetivos
\\\"Minha\\\", doce pronome
Possessivo porque sou tua posse
Tudo em mim, até meu nome

Você é advérbio de intensidade
É ponto de exclamação
Esta história não tem ponto final
Contigo encontrei minha coesão.

Ao fim da reunião, muitas fotos gentilmente tiradas pelo Fred Frahlich. Em seguida, fomos confraternizar na tradicional confeitaria Colombo (fundada em 1894), reduto de artistas, políticos e intelectuais de outrora como Machado de Assis, Olavo Bilac, Rui Barbosa, Chiquinha Gonzaga, Villa-Lobos, Getúlio Vargas e Juscelino Kubitschek. Ontem, fomos nós, os artistas, (inclusive o ator Flávio Bauraqui) a desfrutar daquele belíssimo lugar. Pela qualidade da reunião, não poderia terminar de outra forma: muita conversa e alegria. Como é bom reunir os amigos em prol da cultura e, em dois lugares onde exalam-na: ABL e COLOMBO. Obrigada a todos que compareceram. 2018 haverá muito mais com a presidência de Zélia Fernandes na ADALB. Parabéns a todos nós e FELIZ ANO NOVO!!! Hoje, dia dois de dezembro, é dia do samba!!! VIVA OS GRANDES COMPOSITORES!!! VIVA CARTOLA!!!

Cartola - O Samba do Operário

 

Se o operário soubesse

Reconhecer o valor que tem seu dia

Por certo que valeria

Duas vezes mais o seu salário

 

Mas como não quer reconhecer

É ele escravo sem ser

De qualquer usurário

 

Abafa-se a voz do oprimido

Com a dor e o gemido

Não se pode desabafar

 

Trabalho feito por minha mão

Só encontrei exploração

Em todo lugar.

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