Rede Mídia de Comunicação | Rede Sem Fronteiras

Você está em: Início > Notícias > Literatura > Primeira missa solene em homenagem ao Padre José de Anchieta e ao escritor Lima Barreto

Primeira missa solene em homenagem ao Padre José de Anchieta e ao escritor Lima Barreto

Literatura por Renata Barcellos em 2017-12-09 20:02:37

Primeira missa solene em homenagem ao Padre José de Anchieta e ao escritor Lima Barreto

 

No dia 09 de dezembro, às 10:30, foi celebrada a primeira missa solene promovida pelos escritores do Rio de Janeiro para o encerramento do ano acadêmico. Os motivos foram:  homenagear o Padre José de Anchieta (escritor e cronista, santo da Igreja Católica e Apóstolo do Brasil)  e a memória do escritor Lima Barreto (considerado pela ACL o “Escritor histórico” de 2017) na igreja da Candelária (localizada no centro do Rio de Janeiro). A idealização foi da Academia Carioca de Letras (ACL) com apoio do monsenhor Hélio Pacheco Filho (representante do Cardeal Dom Orani Tempesta). A abertura foi com a bela apresentação do maestro e solista Haroldo Braga. Em seguida, o presidente da ACL, Ricardo Cravo Albim, mencionou a importância dos dois homenageados no cenário cultural: “missa originalíssima, jamais foi feito em templo católico.... escritor a seu  tempo”.

Na sequência, a linda apresentação do coral Cantar para viver sob regência do maestro Vito Nunziante Junior, que mais uma vez presenteou-nos com a apresentação de seu coral. Ao término, o pároco inicia a missa discorrendo sobre o encontro com o senhor (um já ocorreu há dois mil anos e o outro quando for o fim dos tempos: “a igreja clama pela tua volta senhor”. Ressalta o fato de a vida ser partilha, comunhão e fraternidade.

 Na última parte, também foi prestigiar a celebração o cantor e acadêmico Martinho da Villa declamando um texto: “Se estou na claridade.... declamaram poema / o fogo do amor / como a estrela ....”.

Para finalizar, Sergio Fonta e Alexandre Rosa Moreno apresentam uma esquete do conto País rico  (8/8/1929) de Lima Barreto. Vale ressaltar que eles se apresentaram brilhantemente  na ACL, no mês passado, com o texto de Fonta À PROCURA DE LIMA BARRETO, baseado na peça “FRAGMENTOS CLAROS DE UM FOLHETIM NEGRO” com figuro de Carla Costa e cenografia de José Dias.

Eis o texto:

 

País rico

 

Não há dúvida alguma que o Brasil é um país muito rico. Nós que nele vivemos; não nos apercebemos bem disso, e até, ao contrário, o supomos muito pobre, pois a toda hora e a todo instante, estamos vendo o governo lamentar-se que não faz isto ou não faz aquilo por falta de verba.

Nas ruas da cidade, nas mais centrais até, andam pequenos vadios, a cursar a perigosa universidade da calariça das sarjetas, aos quais o governo não dá destino, o os mete num asilo, num colégio profissional qualquer, porque não tem verba, não tem dinheiro. É o Brasil rico...

Surgem epidemias pasmosas, a matar e a enfermar milhares de pessoas, que vêm mostrar a falta de hospitais na cidade, a má localização dos existentes. Pede-se à construção de outros bem situados; e o governo responde que não pode fazer porque não tem verba, não tem dinheiro. E o Brasil é um país rico.

Anualmente cerca de duas mil mocinhas procuram uma escola anormal ou anormalizada, para aprender disciplinas úteis. Todos observam o caso e perguntam:

- Se há tantas moças que desejam estudar, por que o governo não aumenta o número de escolas a elas destinadas?

O governo responde:

- Não aumento porque não tenho verba, não tenho dinheiro.

E o Brasil é um país rico, muito rico...

As notícias que chegam das nossas guarnições fronteiriças, são desoladoras. Não há quartéis; os regimentos de cavalaria não têm cavalos, etc., etc.

- Mas que faz o governo, raciocina Brás Bocó, que não constrói quartéis e não compra cavalhadas?

O doutor Xisto Beldroegas, funcionário respeitável do governo acode logo:

-   Não há verba; o governo não tem dinheiro.

-   E o Brasil é um país rico; e tão rico é ele, que apesar de não cuidar dessas coisas que vim enumerando, vai dar trezentos contos para alguns latagões irem ao estrangeiro divertir-se com os jogos de bola como se fossem crianças de calças curtas, a brincar nos recreios dos colégios.

O Brasil é um país rico...

 

Marginália, 8-5-1920

 

 

Um pouco sobre os homenageados:

 

 

José de Anchieta nasceu em 19 de março de 1534 em Tenerife, Ilhas Canárias, Espanha. Em 1551 ingressou na Companhia de Jesus, em Portugal e dois anos depois embarcou com destino ao Brasil, na comitiva de Duarte da Costa - segundo Governador Geral - para catequizar os índios. 

Em 25 de janeiro de 1554, fundou, com o Pe. Manoel da Nóbrega, um colégio em Piratininga; aos poucos se formou um povoado ao redor do colégio, batizado por José de Anchieta, de São Paulo.

Foi mandado para São Vicente para catequizar os índios e com eles aprendeu a língua Tupi. Além de instruir os índios, Padre José de Anchieta foi professor dos noviços que entravam para a Companhia de Jesus no Brasil. Viveu em São Paulo, Rio de Janeiro e Espirito Santo. Em 1595 escreveu Arte da gramática da língua mais usada na costa do Brasil, a primeira gramática do Tupi - Guarani. 

Escreveu diversas poesias, cartas e autos. A poesia de José Anchieta é marcada por conceitos morais, espirituais e pedagógicos. Compôs primeiro em sua língua materna, o castelhano, e em latim e posteriormente traduziu para o português e para o tupi. Faleceu em 9 de junho de 1597 no Espirito Santo. 

Algumas Obras: De beata virgine dei matre Maria, Sermão sobre a conversão de São Paulo, Cartas jesuíticas. http://www.prefeitura.sp.gov.br/cidade/secretarias/cultura/bibliotecas/bibliotecas_bairro/bibliotecas_m_z/padrejosedeanchieta/index.php?p=4942

 

Ao Santíssimo Sacramento

Oh que pão, oh que comida,
Oh que divino manjar
Se nos dá no santo altar
Cada dia.

Filho da Virgem Maria
Que Deus Padre cá mandou
E por nós na cruz passou
Crua morte.

E para que nos conforte
Se deixou no Sacramento
Para dar-nos com aumento
Sua graça.

[...]

 

 

 

Lima Barreto

 

Nome Completo 

 

Afonso Henriques de Lima Barreto

 

Quem foi

 

Lima Barreto foi um escritor e jornalista brasileiro.

 

Nascimento

 

Lima Barreto nasceu na cidade do Rio de Janeiro em 13 de maio de 1881.

 

Morte

 

Lima Barreto morreu na cidade do Rio de Janeiro em 1 de novembro de 1922.

 

 

Biografia resumida:

 

Filho de pais pobres, ficou orfão de mãe ainda na infância (quando tinha 6 anos).

 

- Estudo no Colégio Pedro II (curso secundário) e no curso de Engenharia da Escola Politécnica.

 

- Abandonou o curso para trabalhar e sustentar a família. Trabalhou como escrevente coopista na Secretaria de Guerra.

 

- Para aumentar a renda, escrevia textos para jornais cariocas.

 

- Era simpático ao anarquismo e militou na imprensa socialista da época.

 

- Alcoólatra, teve vários problemas relacionados à depressão. Chegou a ser internado algumas vezes com problemas psiquiátricos.

 

- Faleceu aos 41 anos de idade.

 

 

Características e estilo literário:

 

 

Escreveu romances, sátiras, contos, textos jornalísticos e críticas.

 

- Abordou em suas obras as grandes injustiças sociais.

 

- Fez críticas ao regime político da República Velha.

 

- Possuía um estilo literário fora dos padrões da época. Seu estilo era despojado, coloquial e fluente.

 

- É um escritor de transição entre o Realismo e o Modernismo. 

Principais obras:

 

Recordações do escrivão Isaías Caminha (1909)

- Triste fim de Policarpo Quaresma (1915)

- Numa e ninfa (1915)

- Os bruzundangas (1923)

- Clara dos Anjos (1948)

- Diário Íntimo (1953)

 

  

Pensamentos:

 

O Brasil não tem povo, tem público”.

“Não é só a morte que iguala a gente. O crime, a doença e a loucura também acabam com as diferenças que a gente inventa”.

“Nós não somos nada nesta vida”.

“Cada louco traz em si o seu mundo e para ele não há mais semelhantes: o que foi antes da loucura é outro muito outro do que ele vem a ser após”.


Excelente iniciativa!! Que outras surjam em 2018!!!

Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós

* Seus dados não serão exibidos a terceiros.

Publicidade

Veja também