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Literando no teatro

Cultura por Renata Barcellos em 2018-02-14 20:54:06

No dia 07 de fevereiro, fui às 19 horas, na Sala Baden Powell, assistir ao CABARÉ do Milton, única apresentação com Milton Cunha. Na fila da bilheteria, faltou organização para comprar ingressos. Puseram um comunicado que um caixa atenderia lista amiga e convites. Já próximo a minha vez, disseram-me ser na outra. No final, fomos atendidos lá mesmo por outra pessoa. Enquanto tentava ser atendida, Nilton Cunha e os outros artistas foram receber o público. Cumprimentaram a todos. Foi uma festa. Eu também fui contemplada. Muito simpático e atencioso o carnavalesco. Disse-lhe que escreveria uma matéria sobre o espetáculo e entreguei-lhe um jornal Sem Fronteiras.

Segundo Nilton Cunha, o espetáculo é: -“uma performance continuada de estrelas do universo do carnaval. Nossa proposta é fazer com que o público dance e cante com a gente. Não vai ter como ninguém ficar parado”. E de fato foi isso que aconteceu. O espetáculo é todo interativo. Subiu ao palco uma senhora que estava festejando o aniversário, os artistas foram à plateia... Enfim, uma festa só. Excelente!!!

No início do show, Nilton Cunha apresentou o elenco: Clóvis Pê, que integra o grupo de cantores da Mangueira; Lucinha Nobre, porta-bandeira da Portela; e Nilce Fran e Valci Pelé, coordenadores das alas de passistas da azul e branco de Madureira e da Unidos do Viradouro. Mestre Thompson, diretor de bateria da Unidos da Tijuca, vai comandar o time de ritmistas do espetáculo, que contará ainda com as passistas-show Karla Moreno e Cris Alves, além de Viviane de Assis, a anã que há anos se destaca nos desfiles da Viradouro, como passista, e Samile Cunha, uma das mais talentosas e famosas drag queens do Rio de Janeiro. Marquinhos, ex-mestre-sala da Mangueira e da Paraíso do Tuiuti, é mais um reforço do elenco.

O espetáculo é híbrido. Em um único show, mistura samba, poesia, carnaval, circo e humor, com 21 passistas e ritmistas de escolas de samba, cantores, circenses, drag queens, mestre sala e porta bandeira, dançarina do ventre, além de algumas surpresas e muito bom humor. Vale destacar que ao término, todos foram para a porta da Sala Baden Power tirar fotos e mais música. Os moradores dos prédios em frente foram à janela assistir à animação em torno das vinte e três horas.

De acordo com o carnavalesco, são duas horas de “alegria, de loucura. A cidade do Rio de Janeiro está tão cambaleada, tá tão abatida, que precisa reverter a tristeza em alegria. Acontece de tudo: concurso de calouros, show de horrores, apresentação de convidados, performances. Tem até dança do ventre pra sensualizar ainda mais o espetáculo”. Todos são excelentes em especial a dançarina do ventre vinda de Dubai, Camila Reis. Era moradora de São Gonçalo. Aprendeu a dança lá no exterior. Foi assistir a uma apresentação e foi fazer aulas. Seu gingado é INDESCRITÍVEL !!! Nunca vi nada igual!!!  

O espetáculo é constituído por (em torno) 30 apresentações. Começa com instrumental, em seguida com “o maior samba enredo de todos os tempos”de acordo com Nilton Cunha: Aquarela do Brasil de Ary Barroso:

“Brasil, meu Brasil Brasileiro,

Meu mulato inzoneiro,

Vou cantar-te nos meus versos:

 

O Brasil, samba que dá

Bamboleio, que faz gingar;

O Brasil do meu amor,

Terra de Nosso Senhor.

Brasil!... Brasil!... Prá mim!... Prá mim!...”

Dentre os sambas, Samba Enredo 1982 - Bum Bum Paticumbum Prugurundum, do

G.R.E.S. Império Serrano (RJ)

 

“Bumbum paticumbum prugurundum

O nosso samba minha gente é isso aí, é isso aí

Bumbum paticumbum prugurundum,

Contagiando a Marquês de Sapucaí (Eu enfeitei)”.

Entre um samba e outro, apresentou os artistas e contou a história deste gênero musical. Além de recitar um poema de Caetano Veloso:

Milagres Do Povo

 

Quem é ateu e viu milagres como eu
Sabe que os deuses sem Deus
Não cessam de brotar, nem cansam de esperar
E o coração que é soberano e que é senhor
Não cabe na escravidão, não cabe no seu não
Não cabe em si de tanto sim
É pura dança e sexo e glória, e paira para além da história
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia
Xangô manda chamar Obatalá guia
Mamãe Oxum chora lagrimalegria
Pétalas de Iemanjá Iansã-Oiá ia
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia

Obá
É no xaréu que brilha a prata luz do céu
E o povo negro entendeu que o grande vencedor
Se ergue além da dor
Tudo chegou sobrevivente num navio
Quem descobriu o Brasil?
Foi o negro que viu a crueldade bem de frente
E ainda produziu milagres de fé no extremo ocidente
Ojuobá ia lá e via
Ojuobahia

Milton Reis da Cunha Júnio nasceu em Belém do Pará, no dia 19 de Março de 1962. Graduou-se em Psicologia e fez Mestrado e Doutorado na UFRJ em Letras (Ciência da Literatura), sobre a Rapsodia Brasileira de Joãozinho Trinta. Pós-doutorado na Eba-UFRJ sobre os “Signos de Brasilidade em Rosa Magalhães”. É carnavalesco, cenógrafo e comentarista de carnaval brasileiro em diversas emissoras de TV, como Rede Globo, TVE e Band. Iniciou sua carreira de carnavalesco na Beija-Flor, onde ficou de 1994 a 1997. Seu primeiro enredo pela escola de Nilópolis foi uma homenagem a “Margaret Mee, a Dama das Bromélias”. Em seguida, levou à Sapucaí o enredo “Bidu Sayão, o canto de cristal”. Depois passou pela União da Ilha com “Fatumbi, a Ilha de Todos os Santos” (1998) e por outras escolas e funções. Ele tem um currículo extenso.

Que venham mais CABARÉ do Milton!

Viva Milton Cunha!!!

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