Rede Mídia de Comunicação | Rede Sem Fronteiras

Você está em: Início > Notícias > Literatura > Brasil, mon amour

Brasil, mon amour

Literatura por Renata Barcellos em 2018-03-30 19:39:24

Terça-feira, fui ao Solar assistir ao “Brasil, mon amour”, um espetáculo imperdível com direção de Rafaela Amado. Mais de uma hora de surpresas maravilhosas em um cenário adequado à proposta (malas, roupas..). Um belo texto híbrido: narrativa, música, dança e encenação. A simpática atriz e cantora francesa, Claire Nativel, domina o palco com sua performace. Possui bela voz e um molejo, “uh, la, la”. No Brasil, desde 2012, baseou-se em sua própria história para contar as aventuras narradas no monólogo. Já, no início, salienta as diferenças de pronúncia (sílaba tônica) e lexicais: verbo partir (em Português significa ir embora e compartilhar e em Francês só o primeiro sentido) e os substantivos: abat-jour, soutien, collant...  

Segundo Claire Nativel, o musical conta de forma “poética essa busca incansável de aceitação em meio à complexidade cultural e aos preconceitos. Nele, entrego meu olhar e revelo meu íntimo sobre a experiência da alteridade e da identidade no Brasil de hoje”. Comprovamos isso, no início, com a referência a um poema de Baudelaire (um dos mais influentes poetas franceses do século XIX. Foi considerado um dos precursores do Simbolismo): L\'Invitation au Voyage, em Les Fleurs du mal, de 1857: “Mon enfant, ma sœur, Songe à la douceur D’aller là-bas vivre ensemble ! Aimer à loisir, Aimer et mourir Au pays qui te ressemble ! Les soleils mouillés De ces ciels brouillés Pour mon esprit ont les charmes Si mystérieux De tes traîtres yeux”...

O repertório diversificado é excelente. Claire canta sucessos de Edith Piaf (como: La vie en rose divinamente), Charles Trenet com Formidable (“Formidable ! j\'entends le vent sur la mer // Formidable ! je vois la pluie les éclairs // Formidable ! je sens bientôt qu\'il va faire // Qu\'il va faire un orage formidable...”), Tom Jobim, Vinicius de Moraes, entre outros. Quando começa o musical, ela nos conta de forma tão poética como se apaixonou pelo Brasil, a primeira vez em que ouviu música brasileira com “Essa moça tá diferente”, de Chico Buarque. A descoberta da história da ditadura militar com “O bêbado e a equilibrista”, de João Bosco e Aldir Blanc. De acordo com ela,

                                                                                      é a história de uma mulher que se apaixona pelo Brasil,

                                                                                      personificado na peça como o ser amado, e vai atrás    

                                                                                     deste amor. Vou cantando músicas que construíram esta  

                                                                                  relação, por isso um repertório tão variado. A personagem,

                                                                                assim como eu, se apaixonou primeiro pela música. Mas

                                                                              depois pela história brasileira e, sobretudo, pelas pessoas.

 

A personificação do Brasil através do diálogo dá dinamismo e realismo ao espetáculo. A plateia mergulha no universo de Claire, na sua história de vida... E, em determinado momento, leva-nos a reflexão: “Como alguém tão alegre pode ser tão violento? Você não era o Brasil que eu idealizava. Quem é você Brasil? Destino ou ponte de partida?” Dessa forma, depois de histórias, músicas, som de tambor e dança típica de seu país: marota; e encenação, eis a questão: Brasil,mon amour, quem és tu???  

Solar de Botafogo: Rua General Polidoro 180, Botafogo - RJ. Terça-feira e quarta-feira, às 20h.  Até 18 de abril.

Deixe seu comentário, ele é muito importante para nós

* Seus dados não serão exibidos a terceiros.

Publicidade

Veja também