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Chica boa

Literatura por Renata Barcellos em 2018-04-25 07:01:42

Quinta-feira, 12 de abril, fomos prestigiar Gina Teixeira, integrante do elenco da peça “Chica Boa”, em cartaz no teatro Princesa Isabel, Leme, RJ. Foi muito saudosista, prazerosa e satisfatória desde o início. Ao entrarmos, um cenário familiar. Fez-nos lembrar logo a casa de minha avó: toalha de renda e crochê sobre as mesas e a imagem de São Francisco de Assis. Quanta memória afetiva!!! Nesse instante, comecei a ouvir músicas. Sentamo-nos e viajamos no tempo. Reportamo-nos às lembranças dela na cadeira de balanço ao lado do vitrola ouvindo: “Quem eu quero não me quer // Quem me quer mandei embora // É por isso que eu não sei // O que será de mim agora...” (Núbia Lafayette); Diga que já não me quer! // Negue que me pertenceu,// Que eu mostro a boca molhada // E ainda marcada pelo beijo seu...” (Negue – Nelson Rodrigues); “Ah! Se eu tivesse // Quem bem me quisesse // Esse alguém me diria // Desiste, essa busca é inútil // Eu não desistia ...” (Ronda - Paulo Vanzolini), entre outras do espetáculo.
Quando a peça cuja encenação pela primeira vez foi no Teatro Rival, em março de 1946, inicia com atuação de 9 atores, já estamos saudosista e satisfeita por reviver e ter a impressão de que, por uns dez, ela estava ali comigo ouvindo aquelas canções. Cabe destacar que o belo texto de Paulo Magalhães retrata a vida de uma família da década de 40 (com muito humor) em uma casa cuja dona é dominadora e de moral absoluta. Trata-se de uma comédia de costume ambientada no Rio de Janeiro. Dona Engrácia (uma senhora ranzinza e autoritária) “dita as ordens” para seus familiares, sobretudo para seu marido, o submisso Teodósio. Tudo muda com a chegada, inesperada, de Chica Boa (Gina Teixeira). Por quê? Quem é ela? Só assistindo à peça. Vale a pena conferir!!! Chica veio para dar um basta nos pilares retrógrados sob os quais vivem aquela família. Até Dona Engrácia terminará de modo surpreendente. Cabe destacar a atuação das duas atrizes que interpretam o papel da ditadora e o da libertadora. EXCELENTE!!!
Como estamos numa peça saudosista, por que não recordar os fatos ocorridos nesta década de 40?
“Para melhor compreender a política brasileira nos anos 40, faz-se necessário lembrar que o presidente Getúlio Vargas dissolveu o Congresso e as Assembleias Legislativas Estaduais em novembro de 1937, também fechou os partidos políticos, iniciou uma perseguição àqueles que se opuseram ao seu regime e outorgou uma nova Constituição, nascia aí o chamado Estado Novo. Implantou o Departamento de Imprensa e Propaganda, responsável pela censura aos meios de comunicação e pela propaganda oficial dois anos depois e passa a Governar o país com força de ditador”.

“As turbulências mundiais deixadas pela Segunda Guerra Mundial e os primeiros anos do pós-guerra favoreceram o crescimento econômico nacional. O conflito forçou a redução de exportações e importações, o que favoreceu o desenvolvimento da indústria nacional e a valorização das produções. O governo Vargas promovera intensa campanha nacionalista, o que forçou um aumento considerável da “autoestima” do povo brasileiro frente a um mundo de conflitos e guerras. Instalaram-se indústrias importantes como a Fábrica Nacional de Motores e a Companhia Siderúrgica Nacional; foram tomadas importantes iniciativas nas áreas de energia e transporte: estradas sendo abertas, ampliação de portos e construção de usinas hidrelétricas”.

“O Governo Vargas destacou-se por criar medidas que favoreceram imensamente o povo brasileiro e o trabalho. Algo que os governantes atuais vêm destruindo aos poucos. Dentre as medidas tomadas pelo presidente Getúlio temos a ampliação e sistematização da legislação trabalhista, sendo instituído o salário mínimo e o imposto sindical (1940), também a Justiça do Trabalho (1941) e a Consolidação das Leis do Trabalho – CLT (1943)”.

Alguns personagens do Brasil:

Luís Carlos Prestes (1898-1990): Líder comunista anistiado em 1945, após passar 10 anos na prisão.
Jorge Amado (1912-2001): Membro da Constituinte de 1946 pelo PCB.
Nélson Rodrigues (1912-1980): Renovador do teatro brasileiro em 1943 com a peça “Vestido de noiva”.
Érico Veríssimo (1905-1975): Publicação em 1949 de “O continente”, primeira parte da trilogia histórica “O tempo e o vento”.
Heitor Villa-Lobos (1887-1959): Composição das três últimas das nove “Bachianas brasileiras”.
Dorival Caymmi (1914): Cantor da paisagem baiana e da vida dos pescadores.

(informações retiradas de http://www.ofmscj.com.br/?p=3432). Também vale ler sobre este período emhttp://almanaque.folha.uol.com.br/cronologia_40.htm ).

Assistam-na!!! Vejam a reviravolta no enredo e a revelação de Dona Engrácia.

Ficha técnica:
Texto de Paulo Magalhães
Direção: Lula Medeiros 
Atores : Sergio Borelli, Leda Lucia,Gina Teixeira, Zélia Zamyr,Lula Medeiros, Ana Paula Callil, Samuel Vianna, Auxi Pedreira e Roger Monsores.

Sonoplasta: Gabriel Callil

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