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Tia Julia e o Escrevinhador

Cultura por Renata Barcellos em 2018-04-28 16:59:45

A peça é sobre Marito, um jovem com ambições literárias que se apaixona por sua tia Júlia, divorciada e a frente de seu tempo, década de 50. Logo, quando ela entra em cena, já demonstra a mulher ser uma moderna com comentários como: “Marito, maricas?”, “garoto triste e sem graça”e “Vivemos nossas histórias como queremos”. Vale ressaltar a atuação excelente deles, os protagonistas.

Concomitante a esta história, Marito conhece Pedro Camacho, autor de radionovelas cujos enredos são apreciados pelos peruanos. Ao longo da encenação, intercala-se uma e outra narrativa no qual este cria fatos inusitados, levando o responsável da rádio à histeria. Já o romance proibido é descoberto pela família. Tudo isso ocorre com humor. Nesse momento, Marito encoraja-se e foge com a tia para casarem-se.

O texto permite 3 reflexões: relação amorosa (tia e sobrinho pode?), liberdade de expressão do autor (pode-se dizer tudo que se quer?; ) e culpa e paixão são grandes emoções para se escrever bons textos? Além de conhecer citações de Balzac (1799-1850 – fundador do Realismo – uma de suas obras é Comédia humana): “Não existe um grande talento sem uma grande força de vontade” e de Plutarco (46-126 - historiador, filósofo e prosador, autor de Vidas Paralelas): “O casamento é o que mantém a sabedoria humana”.  

Vale mencionar que o texto é uma adaptação de Tia Julia e o Escrevinhador (1977), um dos livros mais originais de Mario Mario Vargas Llosa (1936), um dos maiores escritores peruanos da atualidade. Também é jornalista, ensaísta e crítico literário. Ganhador de prêmios, o mais importante o Nobel de Literatura em 2010. Autor também de \\\"Conversa na Catedral\\\" (1969) e \\\"Pantaleão e as Visitadoras\\\" (1973). Sua característica maior é de seguir os códigos do Realismo do século XIX. Flaubert inspira sua escrita. Influenciado também por Jorge Luis Borges, Juan Rulfo dentre outros.  
 
A peça trata-se assim de um texto cultural pelas alusões a grandes pensadores e escritores além de proporcionar uma bela reflexão sobre o ato da escrita e valores sociais dos anos 50 e até hoje presente em nossa sociedade. Estava em cartaz no Teatro Serrador, na Cinelândia, RJ, até hoje, às 19 horas.

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