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O inevitável trem

Literatura por Renata Barcellos em 2018-05-13 08:39:53

Quinta-feira, dia 10 de maio, fui assistir à peça O Inevitável trem. Como sempre, li a sinopse. Mas não poderia imaginar o quão seria impactante não só na proposta de uma experiência visual olfato-gastronômica como também no conteúdo: a reflexão suscitada. O resultado é um “sacode” na plateia, um misto de riso e de pranto. Com certeza uma dessas que não sairá da memória por te levar a relembrar e a repensar relacionamentos.

Antes mesmo de o espetáculo começar, enquanto o público senta-se, o ator (Giuseppe Oristanio) já está em cena preparando o “último jantar”.        O conteúdo da narrativa é a história de um casal que, em seu encontro derradeiro, ao longo da conversa revive as histórias de amor e conflito do seu relacionamento. Vitória (Carla Nagel) é uma fotógrafa sonhadora e Jean Paul (Giuseppe Oristanio) é um chef de cozinha apaixonado por ela. Não via sentido na vida se ela não estivesse ao seu lado. Ele tenta salvar a relação enquanto ela está convencida de que terminou. De uma forma tragicômica, o espetáculo faz com que, a partir do conflito entre essas visões quase opostas, surjam os questionamentos sobre a vida, o cotidiano e, até mesmo, sobre o existencialismo.

O texto e a direção de Pedro Jones são excelentes. Segundo ele, o objetivo foi “ levar para a cena a linguagem do clown, fazendo o público rir e se emocionar com os personagens”.

O teatro precisa de propostas novas. Como professora de Literatura, pode-se dizer que, neste caso, é uma das características do Simbolismo: combinações sonoras e sensoriais (visual olfato-palatal. Algumas pessoas da plateia degustam o prato preparado. Além disso, é híbrido por mencionar um escritor Brecht (10/2/1898, Augsburg, Alemanha - 15/8/1956, Berlim, Alemanha, foi um poeta, romancista, dramaturgo e teórico renovador do teatro moderno de nacionalidade alemã. Considerado um dos autores mais importantes do século XX, Brecht dava grande importância à dimensão pedagógica de seu teatro, que caracterizam-se pelo cunho narrativo e descritivo, apresentando os acontecimentos sociais procurando ao mesmo tempo entreter e fazer refletir), um filme Como água para chocolate e uma música O Que dos Titãs

“Que não é o que não pode ser que

Não é o que não pode

Ser que não é

O que não pode ser que não

É o que não

Pode ser

Que não

É”

Vale destacar a atuação dos atores Giuseppe Oristanio e Carla Nagel. Elesl levá-nos a mergulhar no nosso interior e fazermos uma reflexão sobre o tempo que gastamos com situações banais, em vez de valorizarmos os momentos importantes que vivemos com quem amamos. “É uma reflexão sobre como gastamos nosso tempo em uma sociedade cada vez mais acelerada”, explica a atriz Carla Nagel, idealizadora do projeto. Ela convidou o autor e diretor Pedro Jones para escrever uma peça para dois atores. De acordo com Oristanio, “Esta peça nos faz refletir sobre nossas próprias relações e sobre como podemos investir melhor o nosso tempo. Muitas vezes, esquecemos de como tudo é efêmero”.

Vale a pena conferir e refletir:

Você sabe valorizar de verdade o tempo que passa em um relacionamento ou, muitas vezes, se desgasta com situações que, realmente, quase não têm importância? O vivido poderia ter sido diferente? E se tudo terminar do nada, de maneira inesperada? Poderia dizer que aproveitou da melhor forma possível?

Eis uma bela metáfora <TREM e o adjetivo <INEVITÁVEL>.

 

Ficha técnica: 

Texto e Direção: Pedro Jones

Concepção: Carla Nagel e Pedro Jones

Elenco: Giuseppe Oristanio e Carla Nagel

Músicos: Christian Bizzotto e Saulo Vignoli

Iluminação: Ana Luiza de Simoni e João Gioia

Cenário: José Dias

Figurino: Carla Nagel e Maria Stella Bayma

Música original: Betto Serrador e Christian Bizzotto

Preparação corporal: Daphne Madeira

Assistente de direção: Maiko Facci

Consultoria Gastronômica: Julia Lottus

Produção Executiva: Ika Tronco e Jessica Rocha

Direção de Produção: Sandro Rabello

Realização: Les Vents des Anges e Diga Sim! Produções

 Serviço:

Temporada:  De 19 de abril a 18 de maio.

Sala Baden Powell: Avenida Nossa Senhora de Copacabana, 360, Copacabana.

Telefone: 2547-9147

Dias e horários: Quintas e sextas, às 20h.

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