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A peste

Literatura por Renata Barcellos em 2018-06-26 16:47:46

A peça A peste é baseada no romance homônimo de dramaturgo, ensaísta, romancista e filósofo Albert Camus (1913-1960). Com direção de Vera Holtz e de Guilherme Leme Garcia, trata-se de uma obra e espetáculo de “resistência” em todos os sentidos. Eu que o diga. No início da narrativa pelo Pedro Osório, no papel do médico Berrnard Rieux, foi me dando repulsa. O relato de ratos surgindo cada vez mais invadindo a cidade, os dados estatísticos apresentados só aumentando o número de mortos e um paciente sempre dizendo: ”doutor, eles estão saindo”dão tom de veracidade. Como se estivesses vivenciando a situação. Pensei não aguentar até o final. Mas a bela atuação do ator (com seu tom de voz e entonação) fez-me mergulhar no enredo até o último instante. Não só a mim pelo que ouvi ao sair. Como trata-se de uma crítica à condição humana, apresenta a impotência do profissional diante do caos e como as pessoas lidavam com aquela situação. Um dos pensamentos pronunciados foi: “jamais se será livre diante do flagelo”.        

Em cena, apenas o ator Pedro Osório (com sua bela atuação, imprime a carga dramática no tom exato) e um feixe que, aos poucos, ele leva do lado direito para o esquerdo com uma pá. A lenha consiste ali em uma metáfora para o peso que ele, enquanto doutor  Bernard Rieux, carrega cada vez mais com o número de enfermos e mortos só aumentando. Ao longo da peça, menciona a epidemia em diversas regiões ao longo da história: Constantinopla, Atenas, China, Pérsia, Provença, Marselha...  Vale assistir ao monólogo cujo objetivo é alertar o público acerca dos fatos absurdos de uma sociedade egoísta. O médico relata a mudança na rotina da cidade de Orã, depois de ser atingida por uma terrível peste, transmitida por ratos, tem sua população dizimada. O texto de Albert Camus leva o leitor a pensar no amor, na morte, no sofrimento, no exílio entre outros temas fundamentais para a compreensão dos dilemas do homem moderno. Segundo o autor, a peste é “uma visita desagradável”. Simboliza a “interminável derrota”. Ela “tirou o amor, a amizade e provocou um longo flagelo”.

Cabe destacar que Albert Camus chamou o século XX de “o século dos rancores” por ser o da “peste”, do medo, da submissão do homem ao absurdo da ideologia. Infelizmente, viveu de forma curta e intensa. Morreu em 1960, três anos depois de receber o Prêmio Nobel de Literatura. Período de sua trajetória foi marcado pela ocupação da França, o engajamento na resistência, a guerra de independência na Argélia, sua terra natal e de formação. Seu tema é existencial: a solidão.

Finalizo esta apreciação, com dois pensamentos de Camus:

“Sem a cultura, e a liberdade relativa que ela pressupõe, a sociedade, por mais perfeita que seja, não passa de uma selva. É por isso que toda a criação autêntica é um dom para o futuro”

“ A grandeza do homem consiste na sua decisão de ser mais forte que a condição humana”.

Viva Camus pela atualidade de seu texto!!!! Parabéns, Pedro Osório pela interpretação do texto!!!

Da narrativa, ainda destaco dois pensamentos:

“O que me interessa é o ser humano”. E conclui que o caminho para se chegar a PAZ é a <EMPATIA>. Sábio Camus.

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