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SOLIDÃO, que nada!

Cultura por Renata Barcellos em 2018-07-16 07:42:09

                

SOLIDÃO, que nada! é uma dessas propostas surpreendentes do início ao fim. Não tinha ido para escrever inicialmente. Mas, quando entramos no teatro, Luciana Coutinho já se encontrava no palco (ver foto) lendo um livro. Pronto, o inevitável aconteceu: imediatamente, fui capturada por aquela cena e, ao sentar, curiosa, já peguei papel e caneta. Enquanto todos se acomodavam em seus assentos, fiquei ali encantada com a imagem e intrigada com os fios por todos os lados.

A peça apresenta Clarice (personagem de Luciana Coutinho), uma mulher que completa 40 anos, deprimida. Ela vive em sua casa, em seu mundo, solidária. O cenário (moveis, livros ....) todo coberto pelo longo tecido preso a sua saia simboliza o quão de frustrações ela acumulou ao longo do tempo. No dia de seu aniversário, recebe uma visita inesperada: Magali (interpretada de forma espetacular por Roberta Novaes). Ela aparece para ajuda-la a encontrar-se e a libertar-se. A partir de sua entrada em cena, no meio da reflexão sobre a vida, as relações e o amor, o riso é garantido. Vale a pena conferir na nova temporada (3 de agosto a 9 de setembro, de sexta a domingo, às 20:00, no Teatro Cândido Mendes, Ipanema / RJ).

 O belo texto de Hugo Leandro faz-nos refletir sobre todas as temáticas relacionadas à solidão de forma leve com a Clarice relatando todas as suas angústias, questionamentos como: “ Sou só. Me sinto triste. Me sinto sem vida. Será que minha missão é sofrer?”.  A narrativa começa com Clarice à procura de emprego e dizendo “Eu to desesperada” e conversando com a mãe (descobre um quadro com o seu retrato - ao fim da peça, declara ser foto de sua cunhada). No meio disso, música nostálgica como A noite de meu bem:

“Hoje eu quero paz de criança dormindo
E abandono de flores se abrindo
Para enfeitar a noite do meu bem

Quero a alegria de um barco voltando
Quero a ternura de mãos se encontrando
Para enfeitar a noite do meu bem”.

Segundo Luciana Coutinho (atriz e produtora do espetáculo), falar de solidão nos tempos de hoje é “quase mandatório. Numa sociedade cada vez mais conectada pelas redes digitais, parece que o contato físico que gera intimidade e fortalece as relações está sendo fortemente impactado”. Podemos dizer que a peça reúne um bom texto com temática relevante: o mal do século XXI: a depressão; e uma bela parceria. As duas atrizes em cena demonstram sintonia, dão o tom preciso. Parabéns pela bela atuação das duas. Para Coutinho, “dividir o palco com a atriz Roberta Novaes é também um brinde à vida offline. Além de sermos colegas de profissão, a razão de levarmos este projeto à diante é uma real celebração à amizade”. Gostaria ainda de destacar a simpatia de Coutinho que, ao terminar o espetáculo, contou-nos sobre o processo do projeto, nos emocionou e, em seguida, sem cerimônias,  desceu do palco e a todos que quiseram cumprimentou....


Ficha Técnica:

 

De Hugo Leandro

Encenação: Adren Alves e Ricca Barros (integrantes da Cia Barca dos Corações Partidos - atores dos premiados espetáculos \\\'Gonzagão: A Lenda\\\', \\\'Auê\\\' e \\\'O Auto do Reino do Sol\\\').

Com Luciana Coutinho e Roberta Novaes

Direção Musical: Ricca Barros 

Preparação Corporal: Caroline Monlleo 

Iluminação: Rodrigo Maciel 

Figurino: Heloisa Stockler (premiada figurinista de \\\'Suassuna, O Auto do Reino do Sol\\\') 

Concepção de Cenário: Adren Alves, Heloisa Stockler & Ricca Barros 

Programação Visual & Stand in: Telma Penteado

Administração, Assessoria de Imprensa e marketing: João Luiz Azevedo 

Produção: João Luiz Azevedo & Sonho Cultural

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