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Amor Barato - O Romeu e Julieta dos Esgotos

Literatura por Renata Barcellos em 2018-08-04 06:03:50

Amor Barato é um musical surpreendente. Une música de Jarbas Bittencourt e Ronei Jorge com o belo texto híbrido (narrativo “Nós cantaremos uma fábula com baratas e ratos” e injuntivo “Não lamentem senhores, não chorem por ela”) de autoria de Fábio Espírito Santo, com direção sua e de Ana Paula Bouzas . Trata-se de uma crítica social utilizando-se do gênero fábula (uma narrativa figurada, na qual as personagens são geralmente animais detentores de características humanas) para narrar o submundo do poder, revelado através de uma história de amor improvável e imprevisível entre Dona e Dom. Desde o início, ao ouvir uma das caracterizações de Dom “escroto”, lembrei-me da música do Titãs: Bichos (Compositores: Sergio Affonso / Jose Reis / Arnaldo Filho)

 

Bichos, saiam dos lixos
Baratas me deixem ver suas patas
Ratos entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado

Pulgas, que habitam minhas rugas
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter

Bichos escrotos saiam dos esgotos
Bichos escrotos venham enfeitar
Meu lar
Meu jantar
Meu nobre paladar

Bichos, saiam dos lixos
Baratas me deixem ver suas patas
Ratos entrem nos sapatos
Do cidadão civilizado

Pulgas, que habitam minhas rugas
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter

Bichos
Baratas 
Ratos 
Do cidadão civilizado

Pulgas
Oncinha pintada zebrinha listrada
Coelhinho peludo
Vão se foder!
Porque aqui na face da terra
Só bicho escroto
É que vai ter

Bichos escrotos saiam dos esgotos
Bichos escrotos, venham enfeitar
Meu lar
Meu jantar
Meu nobre paladar

 

O enredo apresenta concomitante dois planos: o aspecto social da corrupção, falta de valores e de sentimento “malandro é malandro, otário é otário”e o do amor  \\\"Quem poderá encontrar no meio desta multidão o amor que procura?\\\". Para isso há 11 atores excelentes nos seguintes papéis: Dona (Aline Machado), uma jovem com sérios conflitos com o pai; Dr. Baratinha (Eric de Oliveira), um empresário de comunicação; Ela apaixona-se por Dom (Pietro Leal), um jovem playboy inconsequente, fruto de um casamento fracassado com Madame (Adriana Capparelli) e o corrupto senador (Beto Mettig). Apesar de serem filhos de famílias diferentes e rivas e de toda adversidade presentes, Dona e Dom vivem uma paixão. Vale ressaltar que toda esta trama tem como narradora Thais Dias cuja atuação foi exemplar. 

Ao longo da narrativa com um \\\"quê\\\" de Romeu e Julieta, são apresentadas 37 composições originais por Beatriz Pacheco (sopro), Eric Budney (baixo), Maurício Braga (bateria), Raquel Freitas (Piano) e Ricardo Caian (guitarra), que se unisse aos atores/cantores nas próprias cenas e revela o que há de engraçado, poético e trágico em ter uma voz diferente da multidão. Trata-se assim de um musical o qual prende a atenção da plateia pela acentuada crítica aos fatos sociais como em “Que vivam os covardes, proliferem os corruptos, chega de escrúpulo”e pela importância atribuída ao amor “Ame bastante, ame muito. Mesmo que seja só por um instante”. Isso regado a diferentes adjetivos “desconfiados e sorrateiros”; linguagem coloquial “sexta é dia de encher a cara”, “Cale a boca porque nem para fuder você serve”; antíteses “amor e morte”, “cenas de diversão e violência”;  angústias “eu preciso saber o que é o amor”, “eu que não tenho amor. Eu que sou infeliz”, “Eu preciso te encontrar” e questionamentos “ Que podridão é esta?”, “ Será que a vida é feita só de dor?, “Quem é você?”.

Por fim, cabe destacar o seguinte: como utilizam o gênero fábula para ser a estrutura do musical, termina com uma lição: “Todos morrem, mas o amor não”. Isso tudo regado a muita boa música (expressa a trama muito bem, dão dinamicidade ao espetáculo, faz com que a plateia fique  concentrada – a cada cena uma novidade surpreendente) e a última diz ”Eu quero amor. Com toda essa droga, eu quero amor”. O que há de Romeu e Julieta no texto? Isso não direi. Só indo assistir!!! Vale a pena conferir!!! Parabéns ao autor, à direção e aos atores!!! E à bateria, principalmente ao final, foi espetacular. Dava vontade de descer e se juntar ao elenco, fazer parte da história.

 

 

FICHA TÉCNICA

Dramaturgia: Fábio Espírito Santo
Música: Fábio Espírito Santo, Jarbas Bittencourt e Ronei Jorge
Direção: Fábio Espírito Santo e Ana Paula Bouzas
Elenco: Adriana Capparelli, Aline Machado, Beto Mettig, Eric de Oliveira, Pietro Leal e Thaís Dias
Músicos: Beatriz Pacheco (sopro), Leo Cappi (baixo), Maurício Braga (bateria), Raquel Freitas (Piano) e Ricardo Caian (guitarra)
Direção Musical: Jarbas Bittencourt e Ronei Jorge
Assistência de Direção Musical: Ricardo Caian
Direção de movimento: Ana Paula Bouzas
Preparador Vocal: Rani Guerra
Figurino: Bettine Silveira
Iluminação: Fábio Espírito Santo
Produção Executiva: Joana D´Aguar e Larissa Barbosa
Produção Rio de Janeiro: Sopro Escritório de Cultura
Direção de Produção: André Canto, Marcos Arzua, Paula Bouzas, Fábio Espírito Santo
Realização: Meimundo Invenções Compartilhadas
Patrocínio: Ítaca

Em cartaz no Teatro de Arena do Sesc Copacabana, de sexta a domingo, até o final de agosto!!! 

 

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