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“Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária”

Literatura por Renata Barcellos em 2018-09-05 21:43:09

Otto Lara Resende ou Bonitinha, mas Ordinária” é uma bela peça. Trata-se de um clássico do teatro brasileiro. Já foi adaptada três vezes: em 1963, estrelado por Jece Valadão, Odette Lara e Lia Rossi e dirigido por Billy Daves. Em 1981, com Lucélia Santos, Vera Fischer e José Wilker, dirigido por Braz Chediak. E, em 2009, com João Miguel,  Letícia Colin e Leandra Leal, direção de Moacyr Góes. O texto de Nelson Rodrigues leva-nos a refletir sempre sobre a condição humana. Neste, especificamente, denuncia a hipocrisia da sociedade, o erotismo explícito, a erotização de garotas menores de idade, as características das tragédias gregas e o moralismo subliminar. Quem conferiu, com certeza, gostou do que assistiu!!!

A peça retrata a história da família Werneck (rica e depravada) e do dilema de Edgar (pobre contínuo da empresa desta família). Peixoto, genro do milionário (sujeito sem nenhum escrúpulo), faz ao funcionário uma proposta “indecente”: casar-se com Maria Cecília, jovem e bela cunhada. Isso porque ela foi estuprada por cinco negros num lugar deserto. Estando assim impossibilitada de se casar. Para convencer Edgar, Peixoto entrega-lhe um cheque com uma quantia alta. O que leva-o a ficar impressionado com a “oferta”. A narrativa demonstra as hesitações de Edgard, até o momento da sua decisão. E o seu drama: gosta de Ritinha, vizinha pobre que sustenta a mãe louca e as três irmãs prostituindo-se. O grande dilema apresentado é a consciência de Edgard e uma frase lida por ele: “O mineiro só é solidário no câncer” cujo significado é o homem ser essencialmente mau e só solidarizar-se na desgraça.

O elenco da peça ainda está de parabéns!!! Bela atuação de Josias Souza, Emerson Natividade, Breno Viilas Boas, Adão Filho, Angelo Aleixo, Victoria Blat, Taisa Pelosi, Carol Rossi e Renata Souza.


Nelson Falcão Rodrigues nasceu no Recife, em 1912. Aos 5 anos, mudou-se com a família para o Rio de Janeiro, Zona Norte carioca, lugar este fonte de inspiração para construição de personagens emblemáticos e histórias repletas de lirismo trágico. Faleceu no Rio de Janeiro, em 1980, aos 68 anos. Além dos romances, contos e crônicas, deixou como legado 17 peças que, vistas em conjunto, colocam-no entre os grandes nomes do teatro brasileiro e universal.

Nelson Rodrigues é um autor modernista, da geração de 45. Fizeram parte do movimento literário: Ariano Suassuna, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Ferreira Gullar e João Cabral de Melo Neto. Quanto ao seu estilo, o escritor apostava na linguagem coloquial para escrever suas peças e crônicas. Retratava a realidade de forma clara e sem eufemismos. O erotismo era muito presente em seus textos, provocando muita polêmica e censura. Entre suas  principais obras, estão “Anjo Negro”, “Vestido de Noiva”, “Álbum de Família” e “O Beijo no Asfalto”.

 

 

ELENCO:    


Stella Portieri: Maria Cecília                            

Cal Titanero: Edgard                   

Monique Hortolani: Ritinha

Natalia Melli: Ritinha                    

Josias Souza: Peixoto                            

Pedro Paulo Eva: Werneck                     

Adão Filho: Leproso/ Chofer / Fontainha / Negro 3 / Presidente da Comissão / Coveiro

Emerson Natividade: Osíris / Negro 1 / Bingo                         

Breno Villas Boas: Arturzinho / Alírio / Negro 2    / Alfredinho                                      

Victoria Blat: Aurora / Teresa                          

Taisa Pelosi: Dinorá / Ana Isabel                       

Carolina Rossi: Nadir                   

Renata Souza: D. Ivete / Velha grã-fina             

Rosa Piscioneri: D Berta / D. Ligia

 

Assistência de direção: Mauricio Spina e Carolina Guimarães              

Preparação de ator: Vitor Vieira

Preparação corporal: Vitor Vieira                     

Preparação Vocal: Cinthya Chaves                    

Cenografia e Figurino – Concepção: Stella Portieri                  

Costureira: Cely Lopes e Claudia Portieri                     

Iluminação: Fábio Cabral                       

Cenotécnico: Gabriel Gombossy

Produção Audiovisual e foto: Alexandre Ferreira

 

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