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A peça Kim – O Amor é a tua cura

Literatura por Renata Barcellos em 2018-10-27 05:51:26

A peça Kim – O Amor é a tua cura, em cartaz no Teatro Cândido Mendes, em Ipanema, propõe uma reflexão sobre questões de gênero a partir do relato da história de Kim. Trata-se de uma adaptação do texto UNHAS de Marco Calvani: um drama retratando várias situações pelas quais ela passou até o suicídio. A atuação de Lucilla Diaz é excelente: a carga emocional aflorada demonstra bem um misto de solidão, angústia, miséria, preconceito, abandono e doenças psíquicas vivenciados pela personagem. Vale destacar que a ideia de montar a peça partiu da própria atriz. Quando viveu na Itália, conheceu o autor do texto e passou a se interessar pelo universo das travestis.

O trabalho de Alessandro Brandão, direção e adaptação, e da atriz ativista travesti Dandara Vital, assistente de direção e participação especial em cena, foi bem realizado. A peça traz a densidade necessária para abordar a história de uma travesti chamada Kim de não ser aceita por seu corpo e o de ser repreendida. Usa metáforas para abordar o seu dilema: “Eu sou a privada humana onde despejam os desejos mais ocultos...”.  Lucilla Diaz atua com acompanhamento da brilhante performance da pianista clássica, cantora, atriz e mulher trans, Vivian Fróes. Parabéns a ela pelas interpretações e pelas escolhas musicais.

O diferencial da peça é o fato de Lucilla Diaz ir guiando a plateia como o narrador no romance. Ela inicia contando como conheceu a história de Kim. O que a motivou a encenar o texto. Cita Foucault na obra

 A Utopia do Corpo, ao discorrer sobre a não aceitação do corpo: “Meu corpo é o contrário de uma utopia, é o que nunca está sob outro céu, é o lugar absoluto, o pequeno fragmento de espaço com o qual, em sentido estrito, eu me corporizo” (https://territoriosdefilosofia.wordpress.com/2015/06/15/o-corpo-utopico-michel-foucault/). Menciona dados estatísticos e termina com questionamentos para provocar a reflexão. Como foi dito, no final, é um “grito”: quantos passam Natal com vocês?, quantos frequentam a casa de vocês?...

Assim, a peça sensibilizá-nos quanto ao drama vivenciado pelas travestis... Faz-nos pensar sobre todos aqueles que não se enquadram no instituído como “correto” socialmente.  Com o desdobramento da narrativa, pudemos sentir o sofrimento provocado a ponto de levar ao suicídio. Vale a pena conferir!!!!

Educadores como eu devem ir para entenderem este universo tão distante e perto ao mesmo tempo. Devemos trabalhar a igualdade, o respeito, a fraternidade, solidariedade (além de muitas outras questões e conteúdos)  entre os educandos. O nome da peça Kim:  O Amor é a tua cura já apresenta a solução para o drama vivenciado por milhares de Kim existentes. O afeto é a base de tudo. O que tem faltado ao mundo é o AMOR. Quando as pessoas se VEREM, se RESPEITAREM, se AMAREM... EVOLUIRÃO. E, por consequência, o mundo será melhor.

Parabéns a Lucilla Diaz pela iniciativa de propor um tema tabu !!! O teatro tem por função provocar não só sentimentos (riso,, pranto...) como também a reflexão. Ocupemos este espaço cultural e assistamos à peça. Esta ainda com músicas belíssimas ao vivo.

 

Serviço:

Período: De 21/08 a 03/10
Sessões: Terças e quartas ás 20:00 horas
Texto Original: Marco Calvani
Direção e Adaptação - Alessandro Brandão
Atuação e adaptação do texto- Lucilla Diaz
Duração: 60 minutos
Classificação: 16 anos

 

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