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Nos pontilhados do Braille...

Cultura por Dinorá Couto Cançado em 2018-12-01 10:03:58


Um breve relato do trabalho com pessoas com deficiência visual, quando o grupo estava prestes a completar seis anos, por João Batista Bezerra de Sousa:
“Tenho trabalhado com pessoas com deficiência visual na Biblioteca Braille Dorina Nowill, desde  abril de 2009 e  esta  frase: A cegueira interior muito atrapalha o ser humano para que este enxergue o outro. Ainda que enxerguemos bem com os olhos físicos, em muitos momentos não queremos ver certas coisas, para não nos comprometer com a realidade que nos cerca! Esta ideia se encaixa bem nosso trabalho que é  resgatar o sentido de olhar a vida, além das aparências!... O objetivo geral do grupo é ser um espaço de fala e partilha das vivências e desafios do cotidiano na vida de um deficiente visual. 
Sim, há ser humano, que parece olhar, mas não ver! E há ser humano que mesmo com deficiência visual, consegue enxergar com os olhos da alma, os olhos do coração, com a ponta dos dedos, com a sensibilidade da pele, do olfato!...
 Nos pontilhados do Braille, estão os pontos da vida, nos pontilhados do Braille, estão os pontos do amor... (este poema, eu fiz quando o Grupo Psicoterapêutico para Pessoas com Deficiência Visual completava 02 (dois) anos de fundação, em maio de 2011! Escolhi como título deste breve relato, o mesmo tema do poema!
O número de atendimento de pessoas em grupo e individual foi significativo durante todos esses anos! A experiência de cada participante enriqueceu a experiência de vida do outro, de todos! Serviu assim, como experiência do vivido de forma individual e coletivizada!  
Cada ser humano, quando acolhido, e visto de forma global, portanto:                história de vida - ser humano –  contexto, ao passar por este tripé qualifica o seu próprio  olhar numa perspectiva biopsicossocial e espiritual. Cada um (a) traz dentro de si o seu vivido, sua alegria, sua dor, sua crença, pontos preponderantes e que tem significado e impacta na sua consciência e tomada de decisão frente a sua existência e o sentido de vida!
Sendo assim, deste trabalho, como psicólogo, neste grupo, em quase 06 (seis) anos, me fez compreender que a dor tem um significado intrínseco e extrínseco, portanto, quando existe um espaço e tempo de fala, uma escuta com atenção, com qualidade, ocorre o que chamamos em psicologia -  a cura terapêutica - ;  que se desenvolve por meio do aprender a se olhar, se perceber, se reconhecer, como um ser humano em desenvolvimento, com habilidades e competências, com direitos e deveres.
Esta cura interior e exterior qualifica o ser humano, o qual pode ser deficiente visual ou físico, mental, etc, que ao ter o encontro consigo mesmo, desperta a ideia de pertencimento: “alguém se preocupa com sua dor, alguém lhe cuida, lhe dá atenção!” Estes aspectos, pude constatar no grupo.  Para minha experiência de vida e profissional, foi uma dádiva da vida que recebi do Criador na vivência em grupo!...
A ideia de pertencimento e empoderamento fez de cada  participante do grupo ter uma vida ativa e normal! Estudam, trabalham, namoram, noivam, casam, viajam pelo Brasil e exterior! Mantém uma rede social de amizades de forma saudável. Fazem faculdade, prestam concurso público, etc.! Isso quer dizer: enxergar ou não enxergar, não é o limite! Logo, o limite está dentro da alma e do coração do ser humano, na forma de pensar e sentir e agir diante da vida!
Esta é a minha pequena partilha do Grupo Psicoterapêutico para Pessoas com Deficiência Visual do DF – Nome do Grupo, escolhido pelos próprios participantes - Fonte de Vida.

Abraços em tod@s!
 Com afeto;
jbspsique@gmail.com
João Batista Bezerra de Sousa 55 - 61 - 8145-1566
Coordenador/fundador do Grupo Psicoterapêutico para Pessoas com Deficiência Visual do DF

Viver, amar e aprender; as três peneiras de formação para a vida!
(Meu lema como ser humano e psicólogo)” 

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